• Postado por Tiago

A palavra etiqueta, derivada do francês “étiquette”, tem dois significados: cerimônias adotadas na alta sociedade, conjunto de normas de conduta, de usos e costumes que se devem observar e guardar em atos públicos solenes, trato cerimonioso de pessoas nas relações sociais, ou significa letreiro que se põe sobre um objeto para designar o que este é ou o que contém: rótulo, marca, legenda – grife.

O primeiro é observado nas pessoas que receberam orientação no seio familiar, na escola ou no ambiente de trabalho para facilitar a convivência na sociedade. Inclui pequenos gestos de respeito aos familiares, aos amigos, até o comportamento adequado em cerimônias solenes onde comparecem autoridades civis, religiosas, e personalidades do mundo empresarial, da educação, da cultura, enfim, em lugares específicos para realizar um encontro com o propósito de render homenagem a quem for merecedor.

O segundo se refere ao produto considerado especial pela qualidade com que foi executado. São os rótulos dos vários produtos das indústrias nos mais variados segmentos, onde a indústria da moda leva, atualmente, o nome de grife. Calçados, roupas e bolsas, por exemplo, têm suas grifes registradas em etiquetas e são as preferidas pelas pessoas de bom gosto e poder de compra, pois geralmente têm preços diferenciados.

Mas, nem sempre as pessoas que freqüentam a alta sociedade demonstram conduta adequada quando comparecem às cerimônias para as quais foram convidadas. Desde os trajes que usam até suas atitudes não condizem com a solenidade. Faltam com respeito às pessoas que discursam, conversando em vez de ouvirem o palestrante; não observam o horário de chegada, fazendo atrasar a solenidade, constrangendo os responsáveis pelo protocolo, demonstrando completa falta de consideração para com o promotor da festa.

Estamos vivendo numa sociedade onde muitas pessoas do mundo político e empresarial desconhecem as normas de etiqueta, não se preocupam com um comportamento adequado, talvez porque acreditem que tais condutas não precisam ser seguidas por elas, já que ocupam lugar diferenciado. Geralmente são aqueles que não tiveram educação adequada, nem sensibilidade para modificar seu perfil ao assumir uma posição de destaque no mundo da alta sociedade.

Antigamente se dizia que cometiam gafes, hoje aqueles que conhecem o protocolo tentam ignorar estas condutas, o que é lamentável.

Entretanto, podemos observar que, no meio de tanta falta de comedimento, encontram-se aquelas que são sensíveis e sabem se colocar adequadamente no seu lugar. São pessoas que tiveram lições de comportamento no seio da família, na escola ou aproveitaram as oportunidades que a vida lhes ofereceu e, embora convivam num ambiente desprovido de boas maneiras, conservam estes princípios básicos adquiridos formal ou informalmente.

Formal ou informal, as normas de boa conduta fazem parte da elegância, difícil de ser ensinada e quem sabe por isso esteja cada vez mais rara. Ser elegante é estar bem em qualquer ocasião e se manifesta perto ou longe dos holofotes. É possível identificar pessoas elegantes quando sabem escutar, quando evitam humilhar os outros, não se atrasam aos compromissos nem se retiram antes do horário, tratam com deferência a quem merece, é gentil, oferece ajuda, olha nos olhos ao conversar, desenvolve a arte de conviver independente do status social.

Ser elegante faz parte da boa educação e o que hoje muita gente pensa, isso não é frescura.

“Educação enferruja por falta de uso”, sabia?

Infelizmente, a mediocridade toma conta dos meios de comunicação e o sonho de consumo faz parte do cotidiano, apelando para oferta de produtos facilitando as compras das mais variadas formas. Compre! Consuma!. Não importa em quanto tempo vai pagar. Nossa apreciação de beleza está sendo manipulada pelo mercado, pela mídia, por aquele que detém o poder financeiro.

Afinal, o que tem valor real além das marcas, das grifes e dos preços?

* pedagoga, escritora, membro fundador da Academia Itajaiense de Letras, ex-diretora do Museu Histórico de Itajaí

  •  

Deixe uma Resposta