• Postado por Tiago

Gosto não se discute

Quem nunca participou de um cruzeiro marítimo costuma se perguntar se não seria muito monótono, caso de morrer de tédio, aquela imensidão de mar, dia após dia. Contudo, de maneira geral, pessoas que fazem um primeiro cruzeiro, se bem escolhido, costumam repetir a experiência.

Na conversa entre os passageiros do Celebrity Infinity, alguns relatam ser essa a sua décima sétima viagem, outros a vigésima quinta. O casal recordista, porém, foi aquele premiado ontem à noite, por ser esse o  seu qüinquagésimo cruzeiro, o que pode parecer exagero, embora eles estivessem muito satisfeitos.

Mas com certeza essa é uma maneira cômoda de viajar, utilizada por pessoas que encontrariam muitas dificuldades, em outras circunstâncias. Há casais de idade avançada, viajando em grupos animados, amigos na mesma faixa etária ou com os filhos e netos. Há portadores de deficiências físicas, eles mesmos dirigindo a sua cadeira de rodas. Alguns viajam com a esposa ou o marido, outros vão sozinhos, independentes e seguros de si. Neste cruzeiro, pelo menos dois, uma senhora e um jovem, carregam junto o tubo de oxigênio. Gosto de vê-los, sem pudor, curtindo tudo a que têm direito. A senhora gosta de música e de ver os pares dançarem, por isso coloca a sua cadeira próxima à pista de danças e ali fica, despreocupada do efeito que possa causar.

Aos americanos e europeus, a sua atitude não parece causar nenhum efeito, acostumados que estão. A mim, causa encantamento. Na nossa cultura, as pessoas julgam se preservar, escondendo-se dos olhos alheios, quando apresentam deficiências bem menores. Ou, com certas limitações, preferem se restringir ao meio familiar, privando-se de inúmeros prazeres. 

  Imagine o que sentiria alguém com tal preconceito em relação a si mesmo, ao ver o homem ser ajudado por dois  marinheiros para descer à terra firme, sendo depois colocado em sua cadeira e saindo sozinho a passear. A cena já ocorreu em Cartagena, onde o vi passeando num carro puxado por cavalo, e se repete em Puntarenas, onde o vejo circulando entre as bancas de artesanato.

Chegamos a Puntarenas, na Costa Rica, no oitavo dia de viagem, após a travessia do Canal do Panamá e de um delicioso dia em alto-mar. Localizada na América Central, na costa do Oceano Pacífico, Puntarenas é a capital e a principal cidade da Província de Puntarenas. A cidade parece tranqüila, com sua gente simples, a pequena praça, as casas singelas. As praias são lindas e algumas feitas de magnetita.

O transatlântico encosta no cais e descemos, caminhando até a feira de artesanato, onde dois jovens, um rapaz e uma moça, fazem um misto de dança e luta, para atrair os passageiros. A oferta de produtos para lembrança é grande: bolsinhas bordadas para festas, bolsas para praia, colares com pérolas do rio, camisetas, brinquedos de madeira. Os preços são razoáveis e os vendedores gentis, sem a insistência encontrada em outros lugares.

Alguns passageiros foram conhecer as praias, outros foram praticar mergulho ou conhecer as cidades próximas. Preguiçosos, preferimos visitar a feira de artesanato, que nos tomou um bom tempo, pelos interessantes artigos; depois, ficamos à beira da praia, próxima ao cais, usufruindo da paisagem tranqüila, pessoas atiradas na areia, crianças brincando na água.

À tardinha, o Infinity seguiu viagem, rumo a Huatulco, no México.

  •  

Deixe uma Resposta