• Postado por Tiago

Fazer o quê?

São tantas as situações em que, perplexos, nos perguntamos: Fazer o quê? Sem nos conscientizarmos de que o fato de perguntar é o primeiro passo para encontrar as respostas; só pergunta, dessa forma, quem está propenso a agir. Ou quem resolve que, se não tem jeito, melhor aceitar a situação e seguir em frente, do jeito que for possível.

Quando se pisou na bola? Quando o copo quebrou, o vinho manchou, a térmica vazou a água quente? Quando o pessoal do telemarketing começa a falar sem parar? Quando se esqueceu a data importante? Quando se fez bobagem e não dá pra consertar? Quando a única certeza é que não há certezas? Quando tudo parece igual, mas a gente sabe que nunca mais será o mesmo? Quando alguém tenta consolar o que não tem consolo? Ou pretende justificar o que não tem justificativa? Quando o mundo vira de cabeça para baixo? Fazer o quê? A gente se pergunta, a cada vez que a vida nos prega alguma peça, colocando-nos frente a frente com a nossa fragilidade; ao mesmo tempo, concedendo-nos a oportunidade de sair dessa com um mínimo de elegância.

Escrever é um ato solitário, todos sabem. Publicar um livro, para o autor independente, também é.

Há muitas decisões a serem tomadas. Escolher a editora, a capa do livro, o que colocar na contracapa, na primeira orelha, na segunda, sem falar no principal, o conteúdo. Determinar o local do lançamento em cada cidade, se houver a chance de fazer em mais de uma. Organizar as listas de convidados, embora os convites sejam quase simbólicos, pois leitores não precisam de convite, na real. Batalhar pela divulgação do livro, pela distribuição, para que ele rompa as fronteiras da cidade e do estado, quem sabe. Há um sem número de expectativas e ansiedades, inúmeros questionamentos a exigir atenção.

Manuseamos livros, sem aquilatar o esforço e o empenho contido em cada um. São tantos, abarrotando as prateleiras das livrarias e das bibliotecas. Por que essa gente segue escrevendo?E onde arruma assunto, afinal? A razão de livros continuarem sendo produzidos, quando já há excesso deles, eu realmente não sei. Quanto a assunto, cada escritor busca em suas fontes. Eu, por exemplo, colho nas histórias do cotidiano, algumas vividas, outras ouvidas aqui e ali. ´

As histórias se transformam em crônicas, algumas já publicadas, outras inéditas. Nas entrelinhas, carregam o espanto da pergunta: Fazer o quê?

Autores independentes se responsabilizam pela decisão de publicar o seu trabalho. As grandes editoras, aquelas com capacidade financeira para custear as obras escolhidas, com razão se interessam somente pelos autores que lhes darão retorno garantido, os já famosos, suficientemente conhecidos do público, pelo menos a nível nacional. Aos outros, cabe a decisão de arcar com as despesas da editoração e todas as responsabilidades correspondentes ou se conformar em conservar o seu material na gaveta. “Com razão”, no caso, significa que editoras são empresas comerciais, independente do maior ou menor grau de idealismo, não instituições de caridade, essa a razão de não poderem se permitir gentilezas.

Por isso existem tantos bons escritores cujos trabalhos jamais alcançam o público. E alguns outros que, após se perguntarem mil vezes, resolvem se armar de coragem e paciência e entrar no jogo, mesmo conhecendo os inúmeros obstáculos que encontrarão.

Por isso escolhi esse nome ‘Fazer o quê?’ para o meu terceiro livro, com lançamento previsto para outubro. Como lembrete de todas as situações em que a decisão compete a cada um. Como homenagem a todos que aceitam tomar decisões, responsabilizando-se por elas.

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