• Postado por Tiago

Menina resolveu falar pra ajudar vítimas de violência sexual

Os abusos começaram quando ela tinha apenas cinco aninhos, e se estenderam por quase uma década. O agressor, seu pai, obrigava a família toda a dormir no mesmo quarto, e aproveitava as noites pra relar a mão na filha. O sofrimento foi calado com repetidas ameaças de morte, que ainda provocam muito medo. ?Tudo o que eu quero é que o meu pai pague pelo que ele fez comigo na cadeia. Só assim vou poder sair na rua tranquila?, diz a garota.

Hoje ela tem 14 anos e quis contar sua história pra auxiliar outras vítimas de abuso a procurarem ajuda. ?Eu acho que demorei muito pra contar o que tava acontecendo. Mas tinha muito medo que ele me matasse, e matasse a minha mãe?, revela.

Tudo começou numa tarde em que a mãe tinha saído da casa onde moravam, em Camboriú, e ela ficou sozinha com o pai e o irmão mais novo. ?Ele se fechou comigo no quarto e se encostou em mim. Eu não entendia o que ele tava fazendo?, diz. A partir dali, as noites da menina passaram a ser de pesadelos. ?A gente sempre dormiu todo mundo no mesmo quarto. Ele esperava minha mãe dormir, e vinha passar a mão em mim?, conta a garota.

Quando ela tava com oito anos, o pai cansou de só encostar na filha pra se satisfazer, e a violentou. ?Ele me dizia que era normal, que pai fazia isso com a filha, porque ele via o pai dele fazer com as irmãs dele. Eu tinha nojo, raiva, mas não podia falar nada porque ele dizia que iria acabar comigo?, relata.

Pra evitar que alguém desconfiasse de alguma coisa, o traste fazia questão de limpar qualquer vestígio depois que judiava da menina. Mas não tomava nenhum cuidado pra que ela não engravidasse. ?Meu medo era ficar grávida dele. Graças a Deus isso nunca aconteceu?, diz a garota. Pra justificar seus atos, o vagabundo dizia à filha que ela tinha hímen elástico, e que nenhum homem desconfiaria que ela já não era mais virgem.

Convivendo com o inimigo

Quando o pai chegava do trabalho, a menina era obrigada a beijá-lo e abraçá-lo, como em qualquer casa de família. ?O pior de tudo era ter que chamar ele de pai. Pai não faz uma coisa dessas?, revolta-se.

O sem-vergonha não dava sossego pra filha em momento nenhum. Nem mesmo na hora do banho. ?Ele me obrigava a deixar a porta aberta porque dizia que queria me ver pelada. Quando ele fazia isso mudava, parecia outra pessoa?, afirma.

Conforme foi entendendo o que tava rolando, a menina passou a fazer de tudo pra siscapar do pai. ?Mesmo em noite quente eu dormia com o cobertor enrolado nas duas pernas, pra ele não conseguir encostar. Quando minha mãe saía, sempre pedia pra ir com ela?, lembra.

Por várias vezes, a mocinha diz que tentou contar à mãe o que tava se passando. ?Se aparecia alguma coisa sobre isso na TV, eu tentava jogar um verde, pra ver se ela desconfiava de alguma coisa. Mas ela nunca entendeu?, revela.

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