• Postado por Tiago

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Mãe se emociona ao contar a história da filhinha

A tarde de ontem foi mais um dia difícil pra dona-de-casa Elaine Cristina Mendonça, 33 anos. Ela foi visitar a filha Ana Luiza Mendonça Simão, de um ano e meio, no cemitério, ontem, quando fez um mês que a criança morreu.

A menina morreu no dia 6 de julho passado com os sintomas da gripe porca, sem ao menos a mãe saber se a criança foi mesmo contaminada pelo vírus H1N1. No hospital Pequeno Anjo, em Itajaí, onde Ana Luiza ficou internada por três dias, nenhum exame foi feito pra investigar se pequerrucha tinha a nova doença.

Além da lembrança da pequena Ana Luiza, o que sobrou a Elaine foi um laudo de 97 páginas do diagnóstico emitido pelo hospital. ?Em momento algum eles citam a necessidade do exame da gripe A. A causa da morte no documento diz que foi falência múltipla dos órgãos por conseqüência de uma pneumonia?, conta a mãe.

A maratona da família em busca da recuperação da menina começou no dia dois do mês passado. Ana Luiza apresentava febre alta, tosse e calafrios, falta de ar e vômito. Assim que os sintomas apareceram, a criança foi levada ao hospital Pequeno Anjo, onde foi medicada com Clavullin e mandada pra casa. ?Falaram que era um princípio de pneumonia e que não havia necessidade de ficar internada?, conta a mãe.

No dia seguinte, três de julho,uma sexta-feira, Ana Luiza foi levada novamente ao hospital com os mesmos sintomas e acabou sendo internada. ?Fizeram uma nebulização e ela começou a ficar ruim, não conseguia fechar a boca. Dali levaram ela direto pra UTI, onde ela ficou junto com as outras crianças?, lembra a mãe.

A piora no estado da menina era visível e uma bateria de exames começou a ser feita pra ver que tipo de bactéria Ana Luiza tinha contraído, já que a evolução da doença foi muito rápida. ?Chegaram a induzir ela ao coma porque estava sofrendo muito. A gente perguntava se não poderia ser a gripe A, mas diziam que não tinha chance de ser porque a Ana não teve contato com pessoas do exterior?, falou a mãe, que garante que uma das maiores dificuldades da criança era pra respirar.

Vendo o sofrimento da menina, os pais perguntaram se não havia necessidade de ela ser transferida pra outra cidade ou até mesmo estado e a resposta foi uma só: ?Tudo o que é possível está sendo feito por ela?, falou um dos médicos no domingo, dia cinco de julho.

Mal sabiam os pais que aquelas eram as últimas horas de vida de Ana Luiza. Na segunda-feira, dia seis, às 14h, quando Elaine foi ver a filha na UTI, levou um susto. A menina tava sangrando pelos olhos, boca, nariz e ouvidos. ?Perguntei o que tava acontecendo. E os médicos disseram que ela tinha sido contaminada pelo vírus pneumococos. E nada de fazer o exame da gripe A?, falou a mãe.

Às 17h, Elaine recebeu a notícia de que a filha havia sido isolada em uma sala da UTI pra não ter risco de contrair outras bactérias. Duas horas depois, às 19h, a mãe ouviu o que jamais esperava ouvir. Ana Luiza sofreu três paradas cardíacas e morreu.

A revolta

Depois do sofrimento de ter que enterrar a filha de um ano e meio, Elaine procurou o hospital Pequeno Anjo pra buscar uma explicação sobre a morte de Ana Luiza e ficou de boca aberta. ?Dois dias depois que ela morreu, todos estavam usando máscaras no hospital?, conta.

A mãe procurou a secretaria da saúde pra relatar o caso e o departamento de vigilância epidemiológica decidiu fazer o exame da gripe porca no primo de Ana Luiza, de três anos, no pai da menina, e na avó, todos com os sintomas de gripe. ?Até agora ninguém procurou a gente e o resultado do exame ainda nem chegou. Isso faz, no mínimo, 20 dias?, garante a mãe.

O olhar de Elaine ainda é de tristeza. Ao lado da foto de Ana Luiza ainda bebê, a mãe tenta controlar as lágrimas. A promessa é de buscar um advogado e lutar pra que, se houve um culpado, ele seja punido. ?Eu sei que nada vai trazer a minha filha de volta, mas o hospital tem que pagar se houve negligência?, disse a mãe, completando: ?Ela entrou no hospital acordada, falando, me chamando e saiu morta?.

Elaine, o marido e o outro filho de 13 anos, moram no bairro São Judas. Depois que teve Ana Luiza, a mãe decidiu fazer laqueadura, já que tava feliz da vida com o casal de pimpolhos.

Diretor não fala

O diretor clínico do hospital Pequeno Anjo não atendeu à reportagem. Segundo a assessoria de imprensa da Univali, o médico passou a tarde de ontem fazendo cirurgias. Através da assessoria, Montoya disse que o exame de gripe não foi feito em Ana Luiza porque as normas do ministério da saúde recomendavam o procedimento somente para pessoas que tinham tido contato com quem veio de países com histórico da doença, e esse não era o caso de Ana Luiza. O médico garantiu que a menina tinha a saúde debilitada e havia registro de outras passagens da criança pelo hospital. Ele garantiu também que a mãe não buscou informações junto ao Pequeno Anjo.

Na secretaria de saúde, Maria Helena Galabarof Toth, coordenadora do departamento de vigilância epidemiológica, confirmou que os exames foram feitos com os familiares de Ana Luiza, mas que o resultado ainda não retornou do laboratório. ?A demanda está muito grande. A demora é grande mesmo?, justificou. Helena confirmou que, oficialmente, a causa da morte da criança foi mesmo pneumonia.

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