• Postado por Tiago

Promotor convocou abobrões e diretoria da empresa pra prestarem esclarecimentos sobre contratos

O ministério público começa a ouvir esta semana abobrões da secretaria de administração e diretores da empresa ALV Terraplanagem e Construção, responsável por dois trampos contratados sem licitação pela prefa de Balneário Camboriú. Os depoimentos fazem parte de um inquérito civil aberto há um mês, pra investigar denúncias de falcatruas nos contratos das obras da cratera da marginal Oeste e a limpeza de tubulação na avenida do Estado. Juntas, as duas empreitadas renderam à ALV a bolada de R$ 400 mil.

A ação de investigação foi proposta pelo promotor Ricardo Del Agnollo, que responde pela moralidade administrativa na Maravilha do Atlântico. Ele pediu que a prefa enviasse cópias de toda a documentação que permitiu a dispensa licitatória das duas obras.

Os mesmos papélis foram encaminhados na semana passada pra casa do povo, como resposta a um pedincho do vereador Fabrício de Oliveira (PSDB). Ele diz que tá analisando os documentos com cuidado, mas já aponta alguns dados suspeitos. ?O decreto de emergência em que tá baseada a dispensa de licitação inclui obras feitas em consequência da enchente de novembro. Mas a cratera abriu por causa de outra enxurrada, em março?, disse. O tal decreto, caneteado pelo prefeito Edson Periquito (PMDB), é de 20 de fevereiro.

Fabrício também estranhou as datas em que foram emitidos os papélis necessários pros contratos com dispensa de licitação. Apesar da obra ter iniciado no dia 17 de março, a certidão negativa de débitos com o fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS) fornecida pela ALV é do dia 19.

Outras certidões, de débitos estaduais e federais, foram anexadas ao processo no dia 25 de março. Pra completar, conforme o DIARINHO já noticiou, a empreiteira só ganhou registro no conselho regional de engenharia (CREA) no dia primeiro de abril.

Só no dia três de abril, depois de toda a juntada de papélis, é que a dispensa de licitação foi finalmente publicada em edital. Isso rolou 17 dias depois da peãozada ter colocado a mão na massa.

Só correspondência

O DIARINHO visitou ontem a casa de número 704 na rua Monte Orizada, bairro Monte Alegre, em Camboriú, onde funcionaria a sede da ALV, de acordo com o registro do CNPJ, na Receita Federal. No local não tinha placa indicativa da empreiteira, nem sinal de maquinário.

Por telefone, Kátia Priscila Borba, que é sócia da empresa, disse que seu pai mora naquele endereço. ?Deixamos o endereço dele pra correspondência enquanto não abrimos nosso escritório?, afirmou. Ela disse que o maquinário da empresa fica guardado num galpão junto de sua casa, na Canhanduba.

Priscila conta que a ALV foi aberta por ela e o marido, Manuel Carlos Vicente, em janeiro. ?Ele já trabalhava com isso há 15 anos. Só não tinha a empresa. Tão dizendo que não tínhamos a documentação, mas quando começaram as obras já tava tudo encaminhado?, afirma.

Ela garantiu que antes de seu marido pegar os trampos, não conhecia ninguém na prefa do Balneário. ?Nunca nem tinha entrado na prefeitura?, afirmou, dizendo que tá tranquila com a bizolhada do ministério público. ?Não importa se a empresa é nova, importa se o trabalho tá sendo bem feito?, lascou.

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