• Postado por Tiago

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Monitoras lotaram a câmara de Balneário

Está previsto um quiproquó na educação de Balneário Camboriú. Os 280 monitores de creches ameaçam cruzar os braços e fazer beicinho em frente à prefa no dia 28 deste mês. Eles querem a inclusão da categoria no estatuto de Planos e Carreira do Magistério Público, receber aumentinho de salário e ganhar o mesmo que os professores auxiliares. Se não tiver acordo, ameaçam fazer uma passeata pela cidade e botar o prefeito Edson Periquito (PMDB) contra a parede.

O beicinho foi definido na noite de quarta-feira durante um blablablá realizado na câmara de vereadores, com alguns homens da casa do povo. Os funcionários da creches pensam em aportar na frente do paço municipal nas primeiras horas do dia 28 de janeiro e abrir o berreiro pra ver se o prefeito-ave fará alguma coisa. Se o panelaço não resolver, pretendem sair em passeata pelas principais ruas do município pra chamar a atenção do povão.

Há mais de um ano os monitores choram pra ter seus salários igualados aos dos professores auxiliares. O presidente do sindicato dos Servidores, Gilberto João Dalla Nora, explica que o pedincho dos monitores está previsto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, desde 2006, quando a classe deixou de pertencer à da secretaria do Trabalho e passou a fazer parte da secretaria de Educação. ?Só aumentaram os deveres, mas não receberam aumento de salário?, explica. Se o pessoal do beicinho for reconhecido como professore auxiliar, o cargo de monitor some do mapa, a galera deixa de receber os míseros 700 pilas e passa a ganhar R$ 1,2.

O chefão do sindicato justifica que 80% das monitoras têm formação superior e trampam tanto quanto as professoras, mas não ganham como profissionais formadas. ?É uma mão-de-obra explorada, que não é valorizada, e isso pode prejudicar o ensino?, diz.

Uma das monitoras, que não quis se identificar, afirma que reivindica o aumento porque faz de um tudo dentro da sala de aula, cuida de mais de 10 pimpolhos por dia, que exigem cuidados extremos, e ainda tem que lhes ajudar no ensino. ?Fazemos o mesmo que as professoras e estamos recebendo bem menos. Nem reconhecimento eles dão pra gente?, lascou.

Quatro dias

A prefeitura tem quatro dias pra tentar acalmar os ânimos e impedir o panelaço. Nos próximos dias chegará à prefa o projeto que atende à reivindicação dos monitores. O papéli será juntado com o pedincho dos vereadores integrantes da comissão de educação da câmara, que deverão se encontrar com o prefeito pro último blablablá. Se na conversa o prefeito-ave oferecer uma proposta bacana, os manifestantes poderão suspender o manifesto.

Gilberto relembra que o assunto é discutido entre a prefeitura e os funcionários das creches desde o comecinho do ano passado. Ele até já perdeu as contas de quantas reuniões já participou sobre o assunto. ?Quem sabe com o movimento se reabra esse diálogo?, lasca.

Plano de cargos e carreiras

De cabelo em pé com a notícia, o prefeito Periquito afirma que tem feito o que pode pra atender aos monitores das creches. Afirma que não pode pedinchar um reajuste de salário só pra categoria. Por isso, já bola um plano de cargos e salários pros funcionários públicos em geral. A prefeitura contratou uma empresa pra fazer as contas de gastos pros cofres públicos e construir o projeto, mas ainda não tem data pro estudo ser finalizado. ?Tenho todo o corpo de funcionalismo público que reclama por melhores cargos e salários. Não podemos atender só elas?, disse.

O prefeito explica que é preciso fazer também um estudo jurídico, já que as monitoras fizeram concurso pra atenderem ao posto e teriam que fazer outro concurso pra ganharem um título diferente e um salário maior.

Já com relação a possível paralisação prevista, Periquito disse que não vai permitir que creches fiquem fechadas por falta de funcionários, mas não quis dizer o que vai fazer pra evitar o perrengue. ?Não quero briga com ninguém, mas não posso deixar isso acontecer?, avisou.

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