• Postado por Tiago

Greve rolou mesmo depois de reunião com o prefeito

Nem a chuva impediu que cerca de 150 monitores das creches de Balneário Camboriú se reunissem ontem, na frente da prefeitura, pra armar um berreiro. A categoria quer ser incluída no plano de carreira do magistério. A greve rolou mesmo depois do prefeito Edson Periquito (PMDB) ter se reunido com representantes da classe e apresentado proposta de atender o pedincho no ano que vem.

Segurando guarda-chuvas, os monitores passaram boa parte da manhã de pé na porta da prefa. Com faixas e camisetas, reivindicaram que seja feito de uma vez o seu plano de carreira. O pedincho rola há mais de ano e até hoje não saiu do blablablá. A catigoria, além de querer ser incluída no estatuto de planos e carreira do magistério público, também quer receber salário igualzinho ao dos professores auxiliares. A solicitação é prevista pela lei de diretrizes e bases da educação nacional, do governo federal.

Em 2006, a classe deixou de pertencer à secretaria do Trabalho e passou a fazer parte do quadro de funcionários da secretaria de Educação. Nesse meio tempo, as monitoras tiveram que se formar na faculdade e se tornaram especializadas no assunto. Com o canudo na mão, agora lutam pra serem reconhecidas como integrantes do magistério, já que o cargo de monitor some do mapa. Com isso, receberiam um aumento no salário, que ira de 700 contos pra R$ 1,2 mil.

A monitora da creche do Pioneiros, Paula Cortes Ramos, 27 anos, tem formação e pós-graduação em séries iniciais e educação infantil, mas ainda recebe uma mixaria pelo serviço. ?Monitora não vai mais existir, vamos ganhar outra nomenclatura. Se conseguiram em outras cidades, vamos conseguir aqui também?, disse.

Além dela, cerca de 150 funcionários das creches sijuntaram no beicinho. A galera acha que só não participaram todos os 280 monitores, pois muitos têm que trabalhar durante a manhã em outros lugares. Já há quem diga que rolou uma perseguição contra a categoria. ?Muitas monitoras não estão aqui por ameaça das coordenadoras que falaram que elas iam perder o emprego?, contou Suzane Serrão, 47 anos.

A greve rolou um dia depois de representantes da categoria se reunirem com a galera do sindicato dos Servidores Municipais de Balneário Camboriú, da comissão de educação da câmara de vereadores e com o prefeito-ave. Periquito pedinchou aos monitores que desistissem do berreiro, pois já começou a resolver o problema. Diz o prefeito que já deu o pontapé inicial pra contratar uma empresa pra elaborar o plano de carreira.

O próximo passo será formar uma comissão mista especial pra avaliar se o pedido não passa por cima de nenhuma lei e também pra saber quanto a prefa vai gastar com isso. Como a solicitação ainda tem que passar pela análise de trocentos entendidos no assunto e pela câmara de vereadores até virar lei, só poderia ser atendida em 2011.

Pro presidente do sindicato, Gilberto João Dalla Nora, a proposta não é perfeita, mas já é uma luz no fim do túnel. ?Pra alguns vai ser bom, pra outros não, mas o caminho ao menos agora foi aberto. Provamos que o que é de direito pode ser conseguido?, disse.

Com o acordo a longo prazo, a categoria resolveu se reunir em assembleia durante a greve pra discutir o assunto e decidir se mantém ou não o beicinho. Até o fechamento desta edição, o assunto ainda era discutido.

Reforço de confiança

Pra não deixar os 23 núcleos de educação infantil num deus nos acuda, com a falta de monitores que estavam na greve, ontem de manhã a secretária de educação, Christina Barichello (PPS), chamou o pessoal dos cargos de confiança que estavam de folga ou no contra-turno do horário de trabalho.

Pouco mais de 50 profissionais, entre diretoras e professoras, tiveram que trampar dobrado pra evitar que os núcleos fechassem as portas. ?Os pais não precisam se preocupar. Todos os núcleos estão organizados e tudo está transcorrendo normalmente?, garantiu Christina. Os voluntários não receberão um tostão a mais pelo serviço extra.

Caso a greve continue hoje, a secretária garante que o esquema será o mesmo e nenhuma creche irá ficar virada numa baderna por falta dos monitores.

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