• Postado por Tiago

Seu Emanoel conseguiu mais 15 dias pra poder organizar a mudança

Um dos moradores do hotel Canorte, em Balneário Camboriú, que foi esvaziado pela dona justa por conta de um pedincho de reintegração de posse, conseguiu uma liminar pra permanecer no prédio por mais 15 dias. Seu Emanoel Franco Del Castillo, 81 anos, é espanhol e vive sozinho na Maravilha do Atlântico. Ele ficou desesperado com a ordem de despejo e recorreu da decisão.

?É um crime, eu não mereço isso. Batem no meu apartamento e dizem que eu tenho 48 horas pra sair, senão vão chamar a polícia pra me tirar de dentro de casa. É uma vergonha pra Balneário Camboriú?, siqueixou, emocionado.

O aposentado ficou desesperado porque não tem nenhum parente no Brasil, e não sabe pra onde ir. ?Meu filho mora nos Estados Unidos. Ele pode me ajudar, mas não assim, em 48 horas, como tava na ordem judicial?, disse.

O maior temor de seu Emanoel era que tirassem seus pertences de dentro do quarto do hotel de qualquer jeito, e acabassem estragando os objetos que ele guarda com carinho. ?São as únicas coisas que sobraram na minha vida. O prazo foi muito curto, não tive tempo de empacotar as minhas coisas, e não posso deixar que quebrem tudo?, apavorou-se.

Diante do desespero do idoso, seu advogado pedinchou pra que Emanoel pudesse ficar mais duas semanas no Canorte, até encontrar um novo local pra viver. A proposta foi aceita pela juíza Marisa Cardoso de Medeiros, a mesma que deu o canetaço que mandou esvaziar o prédio em 48 horas. Ontem à tarde, outro morador do hotel também teve sucesso no seu pedincho pra ficar mais alguns dias por ali.

Todo mundo pra rua

Com exceção dos dois que conseguiram as liminares, até a manhã de ontem os outros 53 moradores do Canorte já tinham carcado pé do hotel, conforme ordenou a dona justa. Entre eles tavam idosos, crianças e até uma senhora que passou por um transplante de rim há pouco tempo. A saída do pessoal correu sem problemas, e a puliça não precisou pintar pra forçar a barra.

O local onde funcionava o hotel tinha duas pendengas feiosas na justa. Um dos processos, do Recife, é uma ação trabalhista contra o antigo dono dos lotes. O outro é o pedincho de reintegração de posse feito pela Companhia de Empreendimentos Minas Gerais (CEMG), do Rio de Janeiro, por conta de uma dívida.

No canetaço, que ordenou a desapropriação, na segunda-feira, dotôra Marisa lascou que os donos do hotel já sabiam há mais de um ano sobre a decisão de reintegração de posse. Ela deu 48 horas pra que o prédio fosse entregue.

O administrador do Canorte, Vicente Rafaeli, 39, garante que nunca recebeu nenhuma intimação e não sabia da ordem. Ele armou o berreiro contra a juíza por conta da aceitação das liminares. ?Ela tá confusa. Como é que manda as pessoas pra rua e depois volta atrás??, soltou. A assessoria da magistrada informou que ela não se manifestaria sobre o caso.

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