• Postado por Tiago

O povão do bairro Espinheiros invadiu ontem a sede da fundação do Meio Ambiente de Itajaí (Famai) pra uma reunião com os donos da fábrica de barcos Fibrafort. Os moradores reclamam que a empresa polui o meio ambiente e solta um cheiro de tinta que tá matando o pessoal. O mandachuva da Famai, Nilton Dauer, evitou a brigaceira e, depois de muito conversê, o pessoal chegou num acordo.

Segundo Mohamed Auda, 41 anos, comerciante e líder comunitário, o perrengue se arrasta desde 2006. “Conversei com eles (donos) diversas vezes antes de vir na Famai. Fizemos reclamações, reuniões, mas eles não tão nem aí, levam com a barriga. Prometeram mil coisas e, depois de quatro anos, nada mudou”, reclama o chefão da comunidade.

Já o aposentado Elmutt Soares, 75 anos, diz que está com problemas de saúde por causa dos produtos químicos. “Não consigo dormir de jeito nenhum. Entra aquele cheiro e me falta ar”, diz.

Uma vistoria realizada pela Famai na segunda-feira deu razão pro povão. Os fiscais constataram que a lixarada produzida durante a fabricação dos barcos fica no chão puro e a céu aberto. Os barnabés também chegaram à conclusão que a chaminé do local de pintura das embarcações não tem o filtro necessário e esse deve ser o motivo da catingueira de tinta na região. Pra completar, a licença de funcionamento da empresa tá vencida.

O superintendente da Famai disse que a última licença da empresa foi caneteada pela fundação do Meio Ambiente (Fatma), quando o órgão estadual ainda era responsável pelo assunto, em 29 de setembro de 2006. A Famai só autorizará a empresa a funcionar, depois que eles derem um jeito nos perrengues encontrados pela fiscalização.

Os proprietários da Fibrafort, Márcio Brida e Alexandre Gomes, afirmaram que vão cumprir as exigências pra resolver a treta. “Pra nós tudo isso é novo. Faremos tudo para resolver os problemas da comunidade. Não negligenciamos nada e desconheço qualquer tipo de ação ou processo contra nós em qualquer esfera”, disse Gomes.

Depois de quase 2h30 de reunião, ficou acertado que segunda-feira os barnabés da Famai entregarão um laudo técnico aos empresários com todos os itens que precisam ser alterados na empresa.

Só com a bizolhada de segunda-feira, a Fibrafort já vai ter que guardar sua lixarada num local devidamente impermeabilizado e coberto, apresentar comprovação de coleta da nojeirada e de todos os resíduos perigosos e apresentar laudos sobre a poluição do ar que o povo do Espinheiros respira.

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