• Postado por Tiago

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A casa 161: onde devia funcionar a sede da Argolo

Ontem, o DIARINHO voltou à rua Herbet Kremer, no bairro São João, em Itajaí. Com a ajuda de um leitor, a reportagem descobriu onde fica a casa 161, que seria a sede da Argolo. No local não havia nenhuma placa da empresa e a numeração da casa também não está vísivel.

Segundo um vizinho, muito prestativo por sinal, na baia mora Nildo Cassaniga, carinhosamente chamado por ele de Nildo. O homem é marido de Cleusa e cunhado de Angela. Era ele quem tocava a empresa enquanto Angela continuava trabalhando como professora na rede estadual de ensino, em Navegantes. A reportagem tentou ouvi-lo, mas o celular tava desligado.

O ministério público vai investigar os contratos firmados entre a prefa peixeira e a Argolo Empreiteira de Mão de Obra, que embolsou R$ 400 mil em três trampos feitos com dispensa de licitação. A secretária de educação, Maria Heidemann, diz que não sabe como a empresa, ligada a uma ex-diretora de sua pasta, foi contratada. A prefa também promete investigar as suspeitas de maracutaias.

O assessor do promotor da moralidade pública de Itajaí, Marcelo Truppel Coutinho, disse que o dotô instaurou um procedimento para investigar as suspeitas levantadas em matéria publicada no DIARINHO. A reportagem apurou que apesar de ter levado a bolada pelos contratos, nem sede a Argolo tem. Nos próximos dias, o promotor vai pedir à prefa explicações sobre a contratação da empresa. Ele preferiu não comentar o caso até que as informações cheguem às suas mãos.

Enquanto o MP investiga o caso, não param de pintar denúncias e a situação da Argolo fica cada vez mais feiosa. A empresa de Angela foi criada a toque de caixa. No dia 26 de janeiro, na ata número 2399, a Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (Jucesc) publicou a constituição do contrato da empresa. Assim como a Kaby Empreiteira de Mão de Obra, que surgiu no início de janeiro, a Argolo também decidiu investir no mercado peixeiro, logo após a desgraça da enchente. Estranhamente, as duas empresas recém-criadas acabaram embolsando grana em contratos. A Kaby ficou com R$ 207 mil, e a Argolo ganhou a maior fatia do bolo.

Caso de família

A dona da Argolo, Ângela Cristina Argolo da Silva, é irmã de Cleusa Cassaniga, barnabé da secretaria de educação. Em janeiro, Cleusa foi nomeada diretora, mas perdeu o posto de abobrona no dia seis de maio passado.

A secretária de educação, Maria Heidmann, disse que só tomou conhecimento que Cleusa era irmã de Angela, cuja empresa tava prestando serviço pro município, há alguns dias. ?Tive conhecimento e a exonerei?, carcou Maria. A secretária garantiu que não foi ela quem indicou Cleusa pro cargo de diretora. ?Os diretores vieram por indicação de vereadores ou do gabinete. O padrinho dela eu não sei quem é?, soltou.

Maria assume que deu uma de vai-com-as-outras e acatou os nomes buzinados por membros dos partidos que compõem o governo do prefeito Jandir Bellini (PP). ?Vejo que é direito do prefeito ou dos vereadores fazer os encaminhamentos?, opinou. Maria afirma que só meteu sua colher em cargos de outras instâncias da educação, como os de supervisores escolares. Ela ainda não sabe quem vai ocupar o cargo deixado por Cleusa. ?Pretendo conversar com o prefeito sobre a próxima indicação, pra ver um perfil?, contou

Maria disse que falou com Cleusa esta semana, após a exoneração e acredita que ela não tenha noção do rolo em que se meteu. ?Ela não tem dimensão do que está acontecendo?, continuou Maria. Sobre a Argolo, a secretária de educação afirmou que nunca ouviu falar na empresa. ?Não conheço, nunca vi. Eu solicito os serviços, os procedimentos ocorrem em outra secretaria. Não tenho cadastro ou acesso a outras informações. Não me compete entrar na secretaria dos outros?, garantiu. Após solicitar o trampo, a secretária acompanha pra ver o que foi feito.

Padrinho é uma ova

Edison D´Àvila, chefe de gabinete do prefeito Jandir Bellini (PP), diz que não concorda com o termo ?padrinho? usado pela secretária Maria. ?Qualquer cargo de confiança de um governo é preenchido pelos partidos políticos que compõem o governo. Se a professora Maria usou essa palavra, ela foi infeliz?, lascou.

O chefe de gabinete acredita que a composição do governo é feita pela união de forças políticas partidárias. Edison também explica que no momento da nomeação, o prefeito não tem como saber se o novo abobrão tem parentes prestando serviços à prefa.

Questionado se o governo Bellini não leva em conta a capacidade técnica quando nomeia um funcionário de confiança, o professor mudou o discurso. ?Também é levada em conta a capacidade técnica pra assumir o cargo, tanto que quando se nomeou o coordenador do Procon, e a imprensa denunciou que ele não era capacitado, o prefeito o exonerou?, lembrou. Questionado se a praxe é esperar a imprensa denunciar pra depois agir, o chefe de gabinete disse que não. ?Tanto que a diretora Cleusa foi demitida antes de a imprensa noticiar o caso,? frisou.

Edison explicou que Cleusa foi apenas tirada do cargo e não se iniciou uma investigação pra apurar se houve alguma irregularidade na contratação da empresa da irmã da barnabé, a Argolo. Mas agora, com a denúncia publicada no DIARINHO, o chefe de gabinete garante que será aberta uma investigação para verificar se houve alguma maracutaia na contratação. ?Estamos fazendo uma verificação, se tiver a ocorrência de algum ato ilícito vamos abrir uma sindicância?, disse.

Edison ainda aproveitou para dizer que em todos os processos de contratação de obras, a intenção da prefa é ser o mais transparente possível. Ele também alegou que o fato das empresas contratadas terem sido constituídas há pouco tempo também será verificado. O DIARINHO tentou ouvir o secretário de administração peixeiro, Marco Antônio Emílio, mas ele não atendeu ao celular e por volta das 16h30 de ontem tava numa reunião na procuradoria do município.

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