• Postado por Tiago

O procurador Marcelo da Motta ainda não foi notificado oficialmente, mas foi informado da decisão pela reportagem do DIARINHO, ontem à noite. “Eu devo recorrer. Apresentei a denúncia e não posso abandoná-la, mas pelo panorama nacional do judiciário não tenho muita esperança”, adiantou. Ele vai além: “O nosso judiciário está sendo bem garantista – no mau sentido. Oferecendo uma proteção constitucional que está passando do ponto”, afirma.

O procurador da república acredita que é muito difícil reverter a decisão da juíza Ana Cristina. “Temos juízes bons, comprometidos com a representação penal, e esses são os juízes de 1ª instância. Só que quando esse tipo de visão começa a contaminar esses juízes de 1ª instância, é complicado à sociedade”, explica. Marcelo acredita que os juízes estão oferecendo proteção pra quem não deveria ser objeto desta proteção. “Essa proteção é para os cidadãos de bem”, lasca.

Marcelo da Mota informa que, além das escutas telefônicas, havia outras provas que comprovariam os crimes. Documentos, mídia de computador e até depoimento de pessoas que contaram tintim por tintim como o esquema funcionava. “Tem prova efetiva de que eles cometeram os crimes”, afirma. O procurador explica que nas suas manifestações, enviadas à dona justa federal, argumentava que considerava lícitas aquelas provas, que foram reforçadas por documentos e depoimentos de testemunhas.

Pressão superior

O procurador Marcelo da Motta acredita que os juízes estão cedendo a uma pressão superior pra tomar este tipo de decisão, quando o assunto envolva escutas telefônicas. “Os juízes de 1ª instância acatam essa visão por medo de sofrer represália ou perseguição superior”, aponta. Ele afirma que têm juízes de São Paulo, que trabalharam em casos como a operação Satiagraha, da PF, que estão sendo perseguidos pelos tribunais e pelo Conselho Nacional de Justiça. “Os outros juízes têm medo dessa perseguição e acabam se rebaixando a isso”, lasca.

“Eu, sinceramente, prefiro deixar o cargo pra outro se for pra me rebaixar a isso. Se for pra abrir mão das minhas convicções por entendimentos superiores…”, desabafa. O procurador adianta que se essa decisão for mantida, terá reflexo nas esferas civil, administrativa e tributária, já que vários procedimentos foram abertos com base na operação. “Todos esses processos administrativos, todos os crimes da operação Influenza estão fadados a ser soterrados”, lamenta.

O procurador não escondia a decepção na noite de ontem. “No que depender da justiça a gente está perdido”, debulha. O procurador acredita que a justiça brasileira tá vivendo um retrocesso. “A justiça, enquanto resposta à sociedade, está sendo péssima”, continua. Pra finalizar, o procurador acredita que o Brasil está precisando de juízes de verdade. “A justiça não precisaria nomear 230 juízes substitutos e titulares no Brasil (como aconteceu esta semana), se tivessem 10 juízes que fossem juízes de verdade, que determinassem o cumprimento efetivo da lei. Com esses estaríamos bem servidos”, finaliza.

  •  

Deixe uma Resposta