• Postado por Tiago

Mais de duas mil pessoas esperam para fazer exames de média e alta complexidades pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Navega-City. O levantamento foi feito pela própria secretaria de saúde dengo-dengosa, que chegou à conclusão que o maior perrengue está no caso das ressonâncias magnéticas. “Fiquei muito surpreso, principalmente porque desde 2004 tinha ressonância magnética para ser marcada”, conta o secretário da saúde, Juliano de Maria.

Um grupo formado por quatro barnabés da secretaria e coordenado por Leonardo Viana contabilizou nada menos que 335 pessoas esperando pela ressonância em solo dengo-dengo. E a chance da situação melhorar não é das maiores.

O sistema de saúde de Navega tem uma demanda média de 20 ressonâncias por mês e só tem disponíveis quatro exames através de um convênio com o governo do estado. Leonardo explica que a cota de exames é assim mixuruca porque, na região, apenas a clínica São Lucas, em Itajaí, faz a ressonância magnética pelo SUS.

Exames como eletroneuromiografias e tomografias também engordam a lista de espera, que agora está sendo atualizada pelos assistentes sociais da prefa. Os barnabés passam nas casas dos pacientes que necessitam dos exames mais caros pra saber se, com tanto tempo de espera, a pessoa já não pagou pra fazer ou bateu as botas por falta do exame. Leonardo diz que a lista, até agora, tem cerca de 100 tipos diferentes de exames para serem feitos.

10 meses na fila de espera

Em média, os pacientes de Navega que esperam pelos exames pelo SUS ficam mais de um ano na fila. No ano passado, seu Leonildo Saldanha, 62 anos, descobriu que tinha algo de errado com o coração, um perrengue nos batimentos cardíacos.

O motorista do bairro Nossa Senhora das Graças, que sente dor no peito, cansaço e tontura, precisa de um cateterismo pra saber qual é a doença. Depois de uma consulta na rede pública de saúde, o médico pediu o exame com urgência. Até hoje seu Leonildo espera. “A demora traz uma preocupação. Fico pensando: o que eu faço agora? E isso vai dando um estado de nervos na gente”, conta.

Pra tentar amenizar o problema, a secretaria da saúde de Navega conseguiu 70 mil reales com o governo do estado pra comprar exames de clínicas particulares e adiantar o lado de quem tá precisando pra valer dos exames. Desse dinheiro, 25 mil reales vão somente pra atender parte da demanda da ressonância magnética. A prefa entrou em contato com a clínica São Lucas e vai fazer 90 exames. Até um horário especial pro atendimento tá sendo estudado.

A cidade também vai ganhar um aparelho de ultrassom do governo do estado, que está em fase de licitação, e vai começar, a partir deste mês, a destinar uma verba fixa de 30 mil reais para exames e consultas.

A compra de exames não vai resolver o perrengue da saúde de Navega, mas deve ajudar a diminuir um pouco a fila de espera. A expectativa da secretaria, em curto prazo, é acabar com metade da fila de espera.

Se a promessa da turma da saúde não for cumprida, pelo menos a grana que veio já vai ser servir pra aliviar o sofrimento de seu Leonildo, que recebeu ontem a notícia de que seu cateterismo finalmente vai ser feito. “Recebi o recado, deve ser pra esses dias. É maravilhoso”, comemora.

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