• Postado por Tiago

“Ontem assisti cenas de demonstração de força e truculência totalmente desnecessárias. Estava eu jogando numa casa de bingo clandestina, em Balneário Camboriú, quando de repente, aos berros, socos e pontapés nas portas e janelas, chegaram homens e mulheres com fardas da polícia militar, toucas ninja no rosto e armas em punho. Eles adentraram no recinto, onde estavam, além de mim, mais 12 pessoas, sendo 10 senhoras com idades entre 50 e 86 anos, e dois senhores contando comigo.

Que me consta, nenhuma das pessoas que ali estavam eram traficantes, para ser tratado daquela forma. E esta já é a terceira vez que presencio cenas desta natureza. Para que tudo isso? Nesta ação, estavam presentes em torno de 15 homens e mulheres da polícia militar e civil. Volto a perguntar para que tudo isso?

Enquanto este pessoal da polícia ali estava depredando uma casa de jogos, em vários pontos da cidade, pessoas e casas comerciais estavam sendo assaltadas. Que interesses existem por trás de tudo isso? Já está mais do que provado que esta proibição aos jogos de azar, só provocaram mais corrupção. E para onde vão todas estas máquinas, monitores, circuitos fechados de tv e o dinheiro que é apreendido no local? Quem está cuidando disso? Para quem é feita uma prestação de contas destas ações?

Desculpe, não estou duvidando de ninguém, apenas o direito da dúvida é recíproco. Se fui tratado como bandido sem ser. Agora sou enquadrado como criminoso, tenho que me apresentar no fórum para responder um TC porque estava jogando com o meu dinheiro. Dinheiro este a que fiz jus por trabalhar até os 65 anos e contribuir com minhas obrigações para com o governo. Ora, acho que as coisas estão fora do lugar. Aquela atitude de ontem, bem poderia ser diferente.

Bastava um delegado chegar no local com um mandado judicial, acompanhado de apenas dois policiais, e um oficial de justiça, dispensar aquelas pessoas que estavam jogando, desligar os equipamentos, lacrar a casa e tomar as medidas cabíveis. Isto seria uma atitude correta e sensata. Isto tudo me faz lembrar dos fiscais do Sarney. Aquelas atitudes também não resolveram nada e só alimentaram a corrupção. Fica aqui um alerta para as autoridades competentes deste país.

Vamos legalizar esta situação, pois jogo por jogo, os jogos patrocinados pelo governo também tiveram suas ilicitudes e já levaram bastante gente à banca rota. Se o governo está tão ávido de angariar impostos e minimizar a situação do desemprego neste país, esta é a chance pois a arrecadação sobre jogos de azar, no mundo inteiro, é faraônica. E vamos tratar o jogador como ser humano e não como criminoso. Ele é tão criminoso quanto um fumante ou um alcoólatra. Não é o meu caso. Não sou viciado, pois jogo esporadicamente. Mas o que vi ontem foi um flagrante de desrespeito ao ser humano. As pessoas que ali estavam foram enquadradas como criminosas sem ser. Um verdadeiro absurdo.”

Ass: N. Z. K.

(Transcrito Ipsis Litteris)

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