• Postado por Tiago

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Em entrevista ao DIARINHO, o mandachuva do Marinheiro fez um balanço da sua gestão

No ano em que o torcedor esperava comemorar os 90 anos de fundação do Marcílio Dias, o segundo clube de futebol mais antigo em atividade no estado viveu a pior temporada de sua história. Rebaixado no campeonato Catarinense e na série C do Brasileiro, o Rubro-anil ainda viu a atual diretoria sofrer com denúncias de irregularidades, falta de dinheiro e salários em atraso.

Pra responder algumas questões polêmicas e tirar dúvidas da torcida marcilista quanto à sua permanência no clube peixeiro, o DIARINHO entrevistou o presidente do Marinheiro, Carlos Fernando Crispim. Entre outros assuntos importantes, o mandachuva admite erros cometidos em 2009; diz que pode ter faltado experiência pro seu braço direito no clube, Clóvis Forlin; nega que o estatuto do clube fale sobre impeachment e que tenha cometido alguma irregularidade. Sobre sua saída, Crispim fala que só larga o osso caso alguém que queira o bem do Marcílio apareça pra assumir.

DIARINHO ? O senhor considera essa a sua pior gestão?

Carlos Crispim – Não que seja a pior, mas o atual momento da economia atrapalhou muito. A falta de dinheiro reflete dentro de campo, não se faz futebol sem dinheiro, fica difícil. Não conseguimos fazer os resultados dentro de campo, eles não apareceram. Então, dentro de campo os resultados mostraram que fomos ruins, mas fora melhoramos bastante a estrutura do clube.

DIARINHO – O que deu errado na temporada 2009?

Crispim – O principal foi mesmo a falta de dinheiro, que reflete dentro de campo. Foi um dos pontos principais. Mas também cometemos alguns erros, como a falta de experiência de um profissional aqui, outro lá. Futebol é conjunto. Alguns atletas não deram certo, assim como a aposta num treinador que também não deu certo.

DIARINHO – Por que a escolha de Clóvis Forlin, sem nenhuma experiência, pra ser vice de futebol?

Crispim – O Marcílio Dias, como a maioria dos clubes, é tocado por abnegados, que colocam dinheiro dentro do clube, se comprometem, esquecem da própria vida. Mesmo não tendo experiência no cargo, ele tentou fazer. O erro faz parte. Ele é um companheiro que sempre esteve junto e colocou dinheiro no clube. Não é porque alguns pedem a saída dele que vamos fazer, não é assim.

DIARINHO ? E o senhor vai entregar o cargo. O que achou do pedido de impeachment?

Crispim – Isso (impeachment) não existe no Marcílio, o estatuto não trata nada sobre isso. Não existe nada que prevê impeachment. As contas do clube foram aprovadas. O que aconteceu é que as pessoas se apegaram num contrato de aluguel que passou dois meses. A diretoria que assumir vai receber o pagamento desses dois meses a mais na sua gestão. O aluguel tava avaliado em R$ 3 mil e alugamos por R$ 5 mil, por isso que o conselho assinou a aprovação. Fizeram um auê todo por causa de dois meses a mais. Qual a irregularidade disso?

NdaR: Segundo o estatuto do Marcílio Dias, a diretoria que estiver no cargo não pode alugar nenhum imóvel pertencente ao clube com o contrato vencendo após o término do mandato. A atual direção assinou um contrato de aluguel de um imóvel que passa dois meses do final do atual mandato, que termina em novembro de 2010, o que é proibido pelo estatuto.

DIARINHO ? O senhor deixaria hoje o comando do clube?

Crispim – Hoje, algumas pessoas querem que essa presidência saia. Se tiver alguém que queira assumir o Marcílio Dias, com o perfil do clube, que tenha idoneidade, o Moringa (Maury Werner, vice-presidente do clube) e eu saímos. Mas, por enquanto, não tem ninguém que procurou pra assumir. Não desejamos atrapalhar o clube, mas também queremos pessoas corretas, que queiram o bem do clube. Não vamos entregar o Marcílio pra qualquer um.

DIARINHO – Como está a situação dos salários atrasados?

Crispim – Ainda estamos devendo 50% do mês de junho e todo o mês de julho. Assim que o dinheiro dos patrocinadores entrar, a gente acerta com os jogadores. Também falta pagar pela série C do ano passado e o campeonato Catarinense deste ano.

DIARINHO – Acha que foi perseguido pela imprensa?

Crispim – Não, não acho isso. A imprensa sempre deu apoio. O que acontece agora é uma coisa isolada, que com certeza acabou atrapalhando. É uma coisa que quero resolver. Não tenho mágoa de ninguém, mas houve alguns exageros que me magoaram. A responsabilidade do cargo é muito grande.

DIARINHO – Tem medo que o time não ganhe o Catarininha e volte pro Catarinão já no ano que vem?

Crispim – Não. Se eu ficar no clube, temos que fazer uma força-tarefa pra organizar o Marcílio, fazer um planejamento estratégico. Com a história e tradição, o Marcílio Dias não pode ficar assim. Temos que aproveitar o rebaixamento pra tirar proveito e voltar a ter a condição de crescer.

DIARINHO ? E o tão sonhado estádio foi apenas ação de marketing ou realmente pode sair?

Crispim – Ainda depende da condição pública. Temos dois membros na comissão que tratam disso, o Moringa e o Luís Antônio, do departamento jurídico. Ainda exista a possiblidade.

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