• Postado por Tiago

Quem vai pagar o pato pela mudança nas leis ambientais da Santa & Bela é o povão do vale do Itajaí. O alerta é do professor Paulo Ricardo Schwingel, dotô em ciências naturais. Ele diz que a mata ciliar, nas margens dos rios, tende a ficar ainda mais ralinha com a afrouxada na legislação, o que poderá resultar em enchentes feiosas pra região. “É grande a probabilidade de cheias cada vez mais frequentes e mais intensas”, avisa.

Esta semana, Schwingel, que além de fessor da Univali é membro do comitê de gestão do rio Camboriú, reuniu estudantes e o povão em Itajaí, num plá sobre o impacto do novo código ambiental catarina pra região. “A nova legislação pode até favorecer os agricultores a curto prazo, mas a longo prazo até eles serão prejudicados”, afirma.

O problema todo tá nas mudanças da área de mata às margens dos rios. A lei brasileira exige um mínimo de 30 metros de área preservada e esse valor aumenta conforme a largura do rio. Em terras catarinas, os pequenos agricultores vão poder rapar o tacho e deixar só cinco metros de mata ciliar.

Schwingel explica que com o corte da vegetação, os rios serão detonados. “A mata fixa o solo das margens, protegendo contra a erosão. Sem essa mata, o resultado é o assoreamento”, diz. Isso significa que o fundo fica mais raso, e a tendência é que o rio transborde cada vez que São Pedro resolve abrir as torneiras. “Um rio é como uma calha. Se não tem nada na margem que o contenha, ele ganha uma energia muito grande. A água não fica retida no solo, e por isso causa a seca, em regiões mais altas, e enchentes nas áreas planas, onde encontra o represamento natural das marés”, conta o fessor.

No final das contas, a lei que tanto agradou os agricultores pode sobrar no bolso do povão. “Vamos gastar muito mais”, avisa Schwingel. O desperdício de grana é pra conter a erosão das encostas, o assoreamento dos rios, os danos causados pelas enchentes, e até pra tratar água. “A mata ciliar é como um tampão. Sem esse filtro, os rios recebem toxinas, nutrientes e fertilizantes que vêm do solo. Vai ser preciso investir mais no tratamento dessa água”, alerta.

Cagada tá feita

Uma das únicas regiões que não será prejudicada pelo novo código ambiental é a bacia do rio Camboriú. Mas a novidade não é digna de comemoração. “A bacia não sentirá prejuízos diretos porque a região já não tem mais mata ciliar há tempos”, diz Schwingel.

Tudo deu lugar a prédios, ruas, e a plantações de arroz. “Houve erosão e os rios ficaram mais rasos e largos. Além disso, os rios que formam a bacia foram retificados. A água acaba escoando com rapidez e violência”, analisa. O resultado são as cheias e a poluição do rio e do mar.

Nesse caso, a única solução é o poder público abrir o zóião e cuidar da bacia. “Não ter esse cuidado é um risco pra uma região que vive do turismo”, alerta o fessor.

Schwingle:

“A nova legislação pode até favorecer os agricultores a curto prazo, mas a longo prazo até eles serão prejudicados”.

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