• Postado por Tiago

A equipe volta pra ambulância, e o celular de Douglas toca mais uma vez. Agora, quem chama é a família de um vovozinho de 77 anos, no bairro São Roque, a alguns quilômetros de distância. O pobrezinho tá com dificuldade pra respirar, e os parentes desconfiam de uma pneumonia.

O socorro é recepcionado pelo médico do vovô, Guilhermino Filgueiras. Enquanto Douglas, Walter e Sidclei verificam a falta de ar do paciente, sob o olhar atento dos familiares, Guilhermino é só elogios pro Samu. ?A saúde no Brasil mudou muito depois da criação do Samu. Eles têm condições de levar suporte de vida, numa emergência, pra qualquer lugar. Antigamente muita gente morria pela falta de um trabalho como esse?, afirma.

A equipe percebe que o caso do vozinho é mesmo grave. O melhor a fazer é interná-lo na unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde sua saúde vai ser controlada de perto. Mas o transporte é outra etapa difícil: o vovô é levado no colo até a maca, que passa apertada pela sala da casa. No lado de fora, a chuva cai sem parar. Sidclei busca lençóis e cobre com cuidado o senhorzinho, pra que ele não se molhe até chegar à ambulância.

No caminho até o Marieta, o paciente é monitorado de perto por Walter. Ele sente muita dor, e ganha uma dose de analgésico através do soro na veia. Douglas prepara a máscara, por onde ele vai receber oxigênio. O espaço apertado, dentro da UTI móvel, não é empecilho pra que médico e enfermeiro se movimentem de um lado pro outro, até que o vovô esteja calmo e se sinta melhor, o que não demora muito pra acontecer. ?Não tem quem não saia melhor da USA (unidade de suporte avançado) de Itajaí?, diz Douglas, feliz.

Enfim, o Marieta

A chegada ao hospital é a etapa final da viagem. Ainda na maca, o doente é levado pela equipe do Samu a uma sala onde a entrada é restrita aos profissionais da saúde. Lá, os médicos do hospital recebem as informações sobre o estado do vovô, rola a troca de macas e de equipamentos do Samu pelos do hospital, e o trio de plantonistas tá finalmente liberado.

A essas alturas, o ponteiro do relógio já passa das 23h. Com a barriga roncando de fome, Douglas, Walter e Sidclei finalmente vão poder jantar. ?Acontece muito de chamarem pra uma ocorrência assim que a gente senta pra comer. Vamos ver se hoje temos sorte?, diz o médico.

A sorte tava mesmo do lado deles. Conseguiram jantar sem que o celular desse nenhum alerta, numa lanchonete na avenida Sete de Setembro, no centrão da city, e voltar pra base, que funciona junto com a Defesa Civil.

O ambiente não tem luxo. Um sofá véinho, uma TV, mesa e cadeiras. Pro descanso de cada equipe, da ambulância básica ou da UTI móvel, tem um quarto, com três camas. ?É difícil, mas às vezes a gente consegue dormir um pouco durante a madrugada?, conta Douglas.

Já passa da meia-noite e é hora do DIARINHO abandonar o barco. A noite dos três plantonistas ainda seria bastante longa.

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