• Postado em 11 jan 2010
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Tema: TURISMO

DIARINHO: Vereador Pissetti, Itajaí não tem até hoje um plano diretor de turismo, apesar de toda sua potencialidade neste quesito. De quem é a responsabilidade?

Luiz Carlos Pissetti – A responsabilidade é do setor público, embora nós não possamos excluir a iniciativa privada e a própria universidade da promoção deste tipo de ação. É uma promoção cidadã que interessa a toda a cidade. Só que quem tem que puxar é a prefeitura mesmo, é o senhor prefeito municipal que tem que promover este tipo de entendimento entre os vários setores econômicos e sociais da cidade.

DIARINHO: Reitor Provesi, de quem é a responsabilidade? É também da universidade?

Provesi – Não. A universidade é um agente que pode fomentar a idéia, ajudar e colaborar com o projeto que crie um plano diretor do turismo. Itajaí tem a capacidade de receber esta proposta do plano diretor. Mas compete ao poder público municipal trazer para si a ideia de criar o plano diretor ouvindo os vários setores. A universidade com certeza vai ajudar. A Univali é hoje neste setor a melhor do Brasil, além da graduação tem doutorado. Então tem pessoas, talentos que poderiam ajudar a construir este plano diretor. [Poderiam, mas não foram chamados?] Quando convocados para este tipo de projeto sim, desenvolvemos ações, participamos. Convocada, a universidade vai atender, vai ajudar com certeza neste projeto. [Reitor, a universidade não teria que sair do papel passivo e propor um plano?] A universidade não é passiva. Ela não pode fazer uma intervenção, mas está à disposição para colaborar e ajudar naquilo que for chamada. Tem técnicos, tem conhecimento, tem estudos, tem projetos.

DIARINHO: Senhora Maria Izabel, de quem é a responsabilidade pela falta de um plano diretor de turismo, uma vez que os empresários são os atores principais deste setor?

Maria Izabel – É a administração pública que tem que puxar. Embora quem acabe investindo e tendo retorno seja a iniciativa privada, mas o empresariado precisa sentir que há o ambiente e regras claras. A orientação, essas diretrizes, tem que partir do poder público. [Houve essa cobrança já dos empresários para com o poder público, senhora Maria Izabel]. Eu acho que a demanda como um todo é muito grande, acabamos cobrando em outras áreas. O nosso viés errado é achar que o turismo é apenas focado em praias, em turismo de verão. Temos outros potenciais turísticos que podemos desenvolver. A cidade tem que demandar e a universidade estar capacitando.

DIARINHO: Prefeito Bellini, de quem é a responsabilidade pela falta de um plano diretor de turismo em Itajaí?

Bellini – Sem dúvida nenhuma que é do Executivo, da prefeitura. Embora, a prefeitura centralizando todas as decisões e ações não alcance o objetivo que busca. Ela tem a responsabilidade de proporcionar à sociedade as ações da área do turismo. E é preciso ouvir a sociedade, tem que ter a participação. Vocês colocam um assunto aqui que é muito importante, um plano diretor para um setor da economia de Itajaí: o turístico. O turismo é a pesca, é a nossa história, é o nosso porto, é a gastronomia, é uma cidade bonita que a natureza nos oferece, é a cultura de um povo, a hospitalidade. Nós temos um potencial grande e estamos trabalhando neste sentido. Eu reconheço que este plano diretor já deveria estar em andamento, já deveria ter sido projetado lá no passado. E temos que incluir o turismo náutico. Cada embarcação proporciona uma geração de dois empregos. Se tivermos aqui uma marina com 500 barcos, são mil empregos sendo gerados. O município tem que proporcionar à iniciativa privada, como a Izabel colocou, a oportunidade de investimentos com retorno. A iniciativa privada só vai investir se tiver retorno. [Já que não tem plano diretor, prefeito, o que está sendo feito para fomentar esta atividade, gerar renda?] Nós estamos trabalhando, temos uma parceria com o Legislativo, o presidente Pissetti tem se empenhado também, na elaboração de um projeto que já está praticamente pronto e será colocado para a iniciativa privada para investir no turismo náutico. Além disso, a qualidade de vida da cidade também rende ao turismo. Então esse sistema que Itajaí está implantando na coleta do esgoto, no tratamento do esgoto sanitário, vai melhorar o Saco da Fazenda. Não podemos pensar só na praia. No passado, nós apresentamos um projeto para a iniciativa privada, mas não houve interessados, ninguém queria fazer, eu não podia porque era prefeito, se fizesse diriam que estava legislando em causa própria, ali onde hoje é o terreno da Univali, queríamos um bondinho no morro. Assim como tem o Cristo Redentor no Rio, tem o Cristo Luz em Balneário Camboriú, não vamos querer um Cristo lá também, mas Itajaí tem tudo a ver com o pescador. Então seria um mirante em forma de um pescador segurando um remo. O mar e na sua frente o balaio. No balaio, na parte interna, a estrutura logística, de fotografias, lembranças, lojas de artesanatos, e na porta do balaio o mirante. E ali teria a luneta para as pessoas pagarem. Paga para subir, paga para olhar (risos). É viável, é. Fizemos estudos. Na época, era um investimento em torno de R$ 2 milhões, claro que hoje deve ser um investimento maior. E o retorno é muito grande. A sociedade tem que participar contribuindo com idéias, e isso que vocês estão fazendo agora, falando do plano diretor do turismo. E é claro que a universidade, com o potencial que ela tem, pode contribuir muito.

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Tema: HABITAÇÃO

DIARINHO: Prefeito Bellini, por que faltam políticas claras de planejamento de habitação?

Bellini – Itajaí tem um problema sério que é o plano diretor. O governo passado fez um plano diretor, eu não quero entrar no mérito se foi certo ou errado, mas fez um novo plano diretor. Ele foi considerado inconstitucional, foi produzido de uma forma que não está de acordo com e lei e uma decisão judicial o anulou. Nós continuamos com o plano diretor mais antigo. Sobre programa habitacional, você me perdoe, a meu ver não cabe ao município. O problema habitacional é da sociedade. O município tem que dizer onde pode e onde não pode construir. O município tem que cuidar das áreas de risco, do patrimônio público, das ditas áreas verdes para que não haja invasão. Isto cabe ao município. Neste sentido, a Câmara aprovou o projeto de lei que nós criamos de Cuida.

DIARINHO: Vereador Pissetti, o PIB de Itajaí aumentou, mas não houve distribuição de renda para a população. O senhor acha que esta distribuição de renda pelo poder público também poderia ser feita através de uma campanha de habitação para as pessoas de baixa renda?

Pissetti – Nós tivemos essas notícias que colocam Itajaí num patamar muito agradável, elevado, destacado no PIB nacional, a quinquagésima cidade em retorno de investimento, mas nós esquecemos de olhar uma outra tabelinha que está um pouquinho mais abaixo daquela do PIB, que é a do IDH médio, que de fato mede o desenvolvimento humano de uma cidade. E nós, embora tenhamos crescido no PIB, isso é resultado de 150 anos que Itajaí vem crescendo, vamos aproveitar isso para frente, precisamos responder aqueles que construíram tudo isso até agora, com mais eficiência, com mais eficácia. Mas a questão é que o nosso IDH médio, no estado de Santa Catarina, caiu. Nós estamos agregando uma periferia que vem em busca destas notícias, e agora com essa história do PIB não tenho dúvida de que virão mais 40, 50 famílias que neste momento estão já fazendo as malas, lá na região norte do Paraná, sudoeste de São Paulo, para vir para Itajaí. E eles estão vindo e estão avançando estas periferias e nós não temos projetos para transferir esta renda. Eu fico me perguntando quanto tem de misticismo neses índices econômicos e quanto tem de realidade? Quanto é que o cidadão da rua Jasiel José Rosa participa efetivamente deste PIB? O que nós fizemos para inseri-lo neste processo econômico que a cidade alcança? Às vezes eu tenho a impressão ou a quase certeza de que nós temos duas ou três Itajaís. Uma Itajaí de futuro, uma Itajaí que concentra renda, uma Itajaí que economicamente se desenvolve e outra Itajaí na periferia, que não participa desse processo. Por isso na Câmara nós fizemos o Balcão da Cidadania, por isso estamos fazendo tudo com transparência, por isso nós queremos que as coisas aconteçam para poder inserir essa periferia.
Eu pensaria então fazer um grande projeto social de habitação, terrenos de 120 metros, terrenos sociais, com uma cesta básica, para impulsionar o cidadão, não só dar o terreno de graça, mas fazê-lo construir a sua casa, envolver sua família, a comunidade. Seria a redenção dessas periferias que não estão inseridas neste processo econômico fantástico que Itajaí tem alcançado, mas que é uma parte de Itajaí, não é toda.
Bellini – Eu disse que não cabe ao município uma política habitacional, cabe ao município coordenar o processo. Discordo com Pissetti sugerir que o município adquira uma área e proporcione às pessoas que aqui chegam uma moradia. A partir do momento em que nós definirmos um projeto nestes moldes que o Pissetti colocou, a notícia corre que em Itajaí a prefeitura está doando terreno. E aí tu não consegues mais segurar. Nós temos que ser sinceros. O discurso do Pissetti para política é muito bonito. É para quem é candidato. Mas para quem está no comando, não. Nós temos que ser mais realistas. Nós temos projetos habitacionais para relocar pessoas que estão em áreas de risco, nós devemos atender em torno de 900 famílias. O município não tem responsabilidade de viabilizar moradia para cada pessoa que vem para Itajaí. Quem chega é bem-vindo, nós recebemos todos aqui, mas tem que vir com emprego, com moradia, porque o município não tem dinheiro para assumir tudo. Precisamos ser bastante realistas.

DIARINHO: Reitor, como a universidade poderia ajudar em um projeto como este proposto pelo Pissetti ou até em um projeto mais realista como afirma Bellini?

Provesi – Tem dois pontos importantes que devem ser colocados aí. Nós temos que promover uma ação que permita realmente a construção de espaços habitáveis, mas precisamos primeiro remover aquelas comunidades que estão em áreas de risco. Compromete a questão das suas vidas e a questão do meio ambiente. A margem do Itajaí-mirim, por exemplo, é hoje uma área muito crítica. Não somente no aspecto das cheias, mas na questão mesmo de convivência com a insalubridade. Eu diria até que é um momento de definir áreas, com estudos, evidentemente, e verticalizar até um certo limite de altura para que as pessoas em áreas de risco possam estar num ambiente mais digno e também num momento de catástrofe de cheias possam estar salvas. É o maior dilema nosso daqui para a frente. As cheias temos que ter em mente que vão acontecer com mais frequência. A universidade pode ajudar sim, ajudar a fazer um mapeamento das áreas onde poderiam ser potencialmente instalados conjuntos habitacionais para abrigar pessoas que vivem em área de risco. E criar projetos que possam recuperar essas áreas. Não adianta só tirar e deixar que outros venham e ocupem.
A universidade tem um capital técnico, intelectual, acadêmico, para poder ajudar o município neste sentido, como colaboração de uma universidade cidadã.

DIARINHO: Maria Izabel como a iniciativa privada tem trabalhado com este déficit habitacional?

Maria Izabel – Tem trabalhado para um poder aquisitivo diferente. Basta ver o mercado de construção civil. Hoje temos uma oferta muito grande de novas habitações, mas não ao alcance de todos. Quando nós falamos sobre política habitacional, não quer dizer que tenhamos que dar casas a todos, até porque corremos o risco de vir muita gente sem qualificação profissional para a cidade. Precisamos de uma mão de obra qualificada, que reduza a grande rotatividade de pessoas dentro das empresas. Apesar disso, é o poder público quem tem o poder de fiscalizar as invasões em áreas de risco, é ele quem tem de ter uma política clara, e quando cobramos isso não estamos pedindo para a prefeitura construir casas para as pessoas, mas que haja uma política de orientação. A iniciativa privada não exerce esta filantropia.

Pissetti – Eu peço um direito de resposta (risos). A minha resposta não foi eleitoreira, eu não sou candidato a nada. Construir casa para pobre nenhuma construtora vai fazer, esquece, eles só vão construir se tiver retorno. Quem constrói casa para pobre é o poder público. Nós tivemos agora um painel sobre os impostos federais, e arrecadamos R$ 1 trilhão em impostos, e quanto nós investimos em futebol, escola de samba? Nós temos que ter uma política de habitação pública, se você quiser construir casas para pobre hoje, em um terreno com lotes de 20 metros, a lei não permite. Como é que o pobre vai comprar? Um terreno na Murta hoje está R$ 60 mil! Quem está morando lá hoje, são médicos, advogados, e antes quem morava eram os pobres. Mas quem consegue comprar. No final da década de 80 o Promorar não existia, e o João Macagnan (ex-prefeito) doou três mil lotes. De lá para cá ninguém fez mais nenhum projeto habitacional deste porte. Estas populações migratórias não podem ser rechaçadas.

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Tema: PORTO E ECONOMIA

DIARINHO – A pergunta é para a empresária Maria Izabel. A senhora concorda que o comércio de Itajaí deixa a desejar?

Maria Izabel – Deixa sim. Nossa matriz econômica continua sendo o porto, e em função disso, empresas ligadas ao setor acabam enriquecendo a economia da cidade. Em compensação, não vimos crescimento no setor comercial, há anos você via as pessoas das cidades vizinhas vindo a Itajaí para fazer compras em nossos mercados, feiras, e agora vemos a migração inversa, até mesmo por conta do horário do nosso comércio. Por que não estudar uma mudança nos horários? Aí a gente esbarra nas questões sindicais, que temos que voltar a negociar, e fazer com que os trabalhadores percebam que a pujança do nosso comércio retorna em empregabilidade, fortalece a economia. O empresariado também tem de se conscientizar de que tem que investir em seu comércio. Ele tem que criar incentivos para atrair clientes, tem que deixar de ver isto como um gasto e passar a ver como um investimento. [A proposta da abertura da rua Hercílio Luz para tráfego de veículos, à noite, é uma tática para aumentar o movimento?] Quando a rua foi fechada, muitos comerciantes foram contra, e até dissemos, na época, que carros não compram. Hoje, por exemplo, passando a noite na rua dá medo, porque não passa ninguém por ali. Quem sabe, aberta para os carros, ela não fique mais segura? Ela parece uma rua abandonada.

DIARINHO – Relataram um caso, recentemente, de um turista estrangeiro que não pode ser atendido em uma loja de Itajaí porque os atendentes não sabiam falar inglês. O que a universidade pode fazer para interagir com o comércio e tentar amenizar este problema?

Provesi – Itajaí não vive este drama individualmente, você chega a qualquer cidade, poucas lojas têm alguém qualificado em uma segunda língua, esta é uma característica do Brasil. A universidade não tem uma fórmula mágica, isso demanda investimento em educação, mas a universidade pode ajudar. Em São Paulo, alguns hotéis têm todos os atendentes, até os cozinheiros que falam inglês, mas estes casos são raros. Podemos ter programas de imersão, cursos, mas o trabalho tem que ser integrado com o CDL, criando mecanismos de incentivo, de fomento, para reciclar os funcionários.

DIARINHO – Eu passo a bola para Maria Izabel. A senhora concorda que existe um comodismo por parte dos comerciantes em buscar qualificar a mão de obra?

Maria Izabel – Não concordo. Vi um trabalho do CDL numa tentativa de qualificar a mão de obra. Mais importante do que ensinar uma segunda língua é preparar o funcionário para atender bem. Acho que mesmo que o turista não consiga se comunicar em uma língua comum entre ele e o funcionário, se ele for bom atendido, vai conseguir comprar tranquilamente.

DIARINHO – O empresário José Dada já disse ao DIARINHO que é pouco inteligente abrir as lojas no sábado e no domingo para os turistas estrangeiros, e a prefeitura, através de sua secretaria de Turismo vem tentando convencer os lojistas do centro da cidade do do contrário. Como o senhor vai agir neste sentido, vai acatar a sugestão dos lojistas ou vai continuar esta peleia?

Bellini – Eu entendo que deve haver uma parceria da sociedade, o governo pode coordenar o processo, agora e necessário que a sociedade itajaiense entenda que nós vivemos outro momento. Temos que nos modernizar! Quando você determina a mudança de trânsito numa rua, os comerciantes dizem que o movimento vai diminuir, mas os clientes não vão a uma loja por isso e sim pelos atrativos, pelo receptivo, pela qualidade do produto, senão as pessoas não iriam até Brusque fazer compras. O projeto da Hercílio Luz até hoje não foi executado, aquilo que cabia à iniciativa privada, com relação as fachadas dos prédios, não foi cumprido. Eu acho que o comércio de Itajaí precisa evoluir, se modernizar, ser criativo, nós já fomos o maior centro comercial de toda a nossa região. É preciso que a sociedade traga até a prefeitura o que precisa para evoluir.

DIARINHO – Agora o Pisseti. O senhor disse que quando se fala em comércio, se fala na rua Hercílio Luz e que quando se fala em economia se fala em porto. Qual seria a solução para que a cidade não dependa tanto do porto?

Pissetti – Eu sempre acho que Itajaí vive de planos e de sustos. Primeiro era a madeira, aí a indústria madeireira quebrou e a cidade quebrou junto, depois veio o açúcar, e quando o açúcar parou de dar dinheiro, o porto parou de receber navios e a cidade parou. A pesca, em seguida, teve muitos incentivos, e houve um boom na economia da cidade, e de repente, diversas empresas quebraram, perdemos muitos empregos no setor da pesca neste período. É claro que precisamos investir pesado na educação básica, diminuir a violência, dar qualificação para as pessoas, para falar inglês, para tudo isso. Voltando à questão da Hercílio Luz, o município fez um investimento pesado, e hoje a rua é tomada por empresas nacionais que levam o dinheiro de Itajaí para outros lugares. Precisávamos ter criado um código de ocupação desta rua, que obrigasse os lojistas a pintar as fachadas, estas coisas. Foi isto que faltou.

DIARINHO – Pissetti, o senhor, como vereador, já propôs alguma lei neste sentido, para que os lojistas cuidassem das fachadas das suas lojas?

Pissetti – Não, me falta competência constitucional, eu como vereador não posso legislar em uma matéria que é de competência do executivo. [Mas poderia fazer uma indicação…] Indicar nós já indicamos, mas criar legislação deste tipo nós não podemos.

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Tema: EDUCAÇÃO

DIARINHO – A pergunta é para o reitor. Maria Izabel citou a proliferação de cursos superiores de baixa qualidade, na primeira parte da entrevista, os ?cursos walita’. A Univali tem visto nestes cursos com pouca durabilidade um nicho de mercado e tem investido neles ou ela volta aquela formação clássica?

Provesi – O Ministério da Educação não teve a capacidade de definir uma política pública que definisse com clareza a questão da quantidade e da qualidade. Hoje temos um déficit de alunos no ensino superior da faixa dos 18 aos 24 anos, e não atingimos esta meta porque isso requer investimento, e não há uma demanda suficiente de egressos do ensino médio com boa formação para entrar na universidade. Eu vejo que devemos comparar as estruturas que estão à disposição entre estes cursos superiores. Observar se a universidade tem biblioteca, laboratórios, toda uma condição para que o aluno escolha. Tem faculdade por aí que diz que não tem biblioteca, mas que o estudante pode usar a da Univali, isso é muito comum. Nós temos um serviço diferenciado, hoje a Univali é destaque nacional, agora, a periferia que se cria de oferta de cursos suspeitos, compromete a qualidade dos profissionais formados, que não vão atender as necessidades do mercado. A cidade tem uma universidade grande, que é um orgulho para Itajaí, que venceu muitas batalhas, mas que tem feito a sua parte. Além de formar profissionais para o mundo, ela tem auxiliado o poder público, na área da saúde e social.

DIARINHO – Passamos a bola para o vereador Pissetti…

Pissetti – Que bom. Eu fiquei de saia curta. Ou melhor, de calça curta (risos). Mas veja, eu ontem fui num evento, prefeito, lá no porto, em que a sua esposa discursava. Aliás, fez um discurso muito bonito. Eu queria dar os parabéns a ela. Só que eu tive que sair antes e não pude parabenizá-la. Mas o senhor transmita a ela esse elogio. Se formou lá não sei quantos em informática. Nós sabemos que o ensino médio compete ao Estado. Foi um sonho, um sonho do Zeca Mendonça (ex-vereador, já falecido), que defendeu o ensino profissionalizante, e nós continuamos defendendo. Todo ano eu entro com uma indicação nesse sentido.

DIARINHO – Senhora Maria Izabel, o Senai tem investido muito na qualificação profissional, inclusive no ensino regular. Mas não tem uma participação direta da ACII como fomentadora dessa capacitação da força de trabalho técnica aqui de Itajaí. Então aí vai aquela cobrança: os empresários de Itajaí não estão muito passivos nesse sentido?

Maria Izabel – Não, não. Até eu vou aproveitar e explicar a expressão Walita que eu falei. Até porque daqui a pouco a Walita vai me processar (risos). Walita, que eu falei, é no sentido da curta duração do curso. Bem, o vereador Pissetti falou da luta do vereador Zeca Mendonça. Então quando ele nos procurou, no sentido de buscar parceria, de ajudar essa demanda que é realmente pouco consumida, aquela da escola técnica, na época nós nos empenhamos. Mas eu sempre fiz um questionamento: precisamos de um espaço mas por que não utilizar todos os espaços ociosos na cidade? A gente tem espaço do Senai, do Senac ou mesmo da universidade, que podia estar sendo usada pra fazer essa capacitação, né!? Porque não é em todas as atividades que nós precisamos que as pessoas tenham curso superior. Em determinadas atividades até frustra. A gente vê em tantos concursos que são realizados por aí – pra guardas, por exemplo, e não desmerecendo em nada a atividade profissional – alguém que tem curso superior e acaba se inscrevendo. Às vezes por falta de opção no mercado. Mas que é frustrante na hora do exercício da profissão, porque ele não foi preparado para aquilo. Ele não entrou numa universidade para ser guarda municipal. Então, tem que investir em formação profissional. Nós precisamos e o mercado carece. E com relação ao caso da ACII, no meu período nós tivemos grande parceria com o Senac.

DIARINHO – Prefeito, a educação de Itajaí teve dois episódios que podem ser emblemáticos. Um, nenhum uniforme foi dado pras crianças das escolas públicas nas comunidades carentes em 2009. Dois, o déficit de crianças que necessitam de creches chega a três mil, um dado que vem da própria secretaria da Educação. De Itajaí Não estaria faltando, por parte do seu governo, uma preocupação com a formação mais básica do itajaiense?

Jandir – Veja, vou protestar em relação ao número: são dois mil novecentos e noventa e nove (risos). Nós somos obrigados a entender que estamos atendendo toda a demanda que Itajaí tem. Não há nenhuma criança do ensino fundamental fora da sala de aula. Com relação à creche, os números vêm diminuindo. Nós tivemos um ano ímpar, difícil, porque tivemos que recuperar a cidade e estávamos assumindo o governo. Então não deu pra se colocar em prática aquilo que havia planejado, quando candidato. Com relação ao uniforme, assim que nós assumimos, primeiro, nós não tínhamos cadastro das crianças que necessitariam de uniforme. Tivemos que esperar iniciar as aulas pra ter um número de cada aluno (refere-se ao tamanho da roupa). Tem o número um, o número dois, o número três de tamanho. No calçado, a mesma coisa. Quando foi feito este levantamento se desencadeou o processo de licitação. Umas das empresas foi desclassificada por não atender as normas técnicas do edital e aí parou todo o processo. Quando isso tudo ficou pronto, já estávamos nas férias de junho. Além disso, a empresa vencedora ela tem 60, 90 dias de prazo para entregar o material. Ela vai ter que produzir. Nós íamos entregar esse material em outubro ou novembro, com 60 dias ainda de aula. Nós reunimos todos os presidentes de APPs e diretores de escolas – são 106 unidades – e relatamos isso. E eles decidiram que em 2009 não seria entregue uniforme. Mas nós vamos iniciar o ano letivo de 2010 já entregando esse uniforme: agasalho, tênis, mochila, a meia. Tudo junto com o material escolar, no início das aulas.
Mas eu queria fazer uma outra colocação. O Pissetti lembrou muito bem o nosso saudoso Zeca Mendonça. Que era um apaixonado – e tinha não o ensino médio mas o ensino profissionalizante – pela preparação da mão de obra pra atender a demanda que Itajaí tem. O caminho dele, a busca dele era tanta, que nós criamos uma dotação orçamentária. Criamos uma comissão pra cuidar disso, que era a secretaria Regional da Educação, e o vereador Zeca Mendonça representava o prefeito. E as dificuldades foram tantas que ele não conseguiu colocar em prática o sonho dele. O município cria uma escola profissionalizante, o legislativo cria outra, a ACII cria outra, a universidade cria uma… Eu acho que nós temos que integrar!
A educação é o início de uma sociedade justa, uma sociedade com qualidade de vida, com o cidadão tendo conhecimento dos seus direitos e seus deveres.

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Tema: PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

DIARINHO- É possível hoje recuperar o rio Itajaí Mirim?

Maria Izabel – É, seria até possível. Eu não poderia dizer diferente. Eu presidi o comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí por duas gestões e nós tínhamos o projeto Piava, que é justamente para a educação e recuperação da mata ciliar, que de certa forma ajuda na recuperação do rio.

DIARINHO – O que falta?

Maria Izabel – Recurso. E tem que ser para a conscientização, pois isso caracteriza ações, né!? Por exemplo, a questão do fluxo de água especificamente. Em determinados municípios o trabalho deveria fluir em parceria com a prefeitura, na questão de capacitação, de capacitar as pessoas. Eu vi equipes da prefeitura roçando as margens do rio Itajaí (riso). Mas isso é falta de informação da pessoa que estava ali. Eu acredito que é preciso boa vontade e também a consciência da importância dos recursos hídricos.

DIARINHO – Vereador Pissetti, você teve uma discussão calorosa nos últimos anos pra montar o plano diretor e uma das áreas que mais originou discussão foi a da praia Brava. Os ambientalistas previam para a praia Brava um parque ambiental, com uma área de preservação, mas o executivo pretende explorar a região habitacionalmente e comercialmente. O que a câmara de vereadores fez para mediar e buscar o melhor pra cidade?

Pissetti – Bom, antes eu quero dizer que nesta questão ambiental é preciso desmistificar, e é preciso, literalmente, colocar a mão na massa. Nós da câmara de Vereadores fizemos. Foi a primeira Câmara de Vereadores no Brasil a fazer um estudo sobre o quanto ela produziu de gás carbônico e de outros gases que contribuem para a questão do efeito estufa no planeta. Então, quem é que nós fomos contratar pra fazer este estudo, que foi feito gratuitamente? Um organismo do município, que é um pessoal que está lá na Fazenda, atrás do posto Itavel. Técnicos da mais ampla categoria e que prestam um serviço ambiental fundamental para as crianças, de educação ambiental, inclusive para crianças dos morros mais carentes. Fez todo o estudo sem gastar um centavo e chegou-se à conclusão que nós emitimos 9,9 toneladas de gás carbônico. Como é que nós podemos compensar isso? Nós pegamos um carnê, como se fosse um carnê de uma loja para pagar uma prestação, fomos lá na beira do Itajaí-mirim, e plantamos 250 árvores em meia hora.

DIARINHO – Mais não haveria um contra senso? Planta-se árvores de um lado, e derrubam de outro, por exemplo, ali na morraria da Osvaldo Reis. A paisagem do morro Cortado não é mais a mesma, por exemplo…

Pissetti – Mas é por isso que nós temos que desmistificar esta história. É claro que precisamos de recursos. Mas pode-se fazer tanta coisa sem recurso. E neste aspecto nós temos todos os instrumentos aqui em Itajaí. Temos os técnicos, temos o viveiro. Podemos recuperar quantidades imensas de mata atlântica, de matas ciliares, de proteção. E nós, da câmara, temos trabalhado nisso. O projeto Oásis que foi mandado agora pro prefeito estudar e quem sabe aprovar. É um projeto para identificar locais, terrenos onde têm nascentes e a partir do momento que o sujeito preservar a mata ciliar e tal, a prefeitura vai pagar quatro UFMs (unidades fiscais municipais), que é quase um salário mínimo por mês, para que o cara preserve uma nascente na sua terra.
Aí tem o projeto de gerenciamento costeiro. Nós não podemos entregar nossa costa pra união, que é um ser distante, que não aparece. Então, porque que nós não gerenciamos? Tem a questão do Eco Itajaí, que nós aprovamos agora na câmara. Só o aterro sanitário de São Paulo rendeu 25 milhões de euros de carbono para o município de São Paulo. Nós temos um dos únicos aterros sanitários de Santa Catarina e não vendemos um recurso como crédito de carbono que nós geramos lá. Então o próprio meio ambiente hoje é um mercado fantástico que gera recurso pra se auto sustentar na preservação.

DIARINHO – No que a Univali tem colaborado com a preservação local?

Provesi – Muito. Nós temos muitos estudos e são estudos de no mínimo 15 anos que têm uma contribuição valiosa em todo os aspectos, seja na vida marinha, seja na questão continental. Eu lamento muito que em quatro anos a cidade desandou bastante na questão ambiental. A gente vê o quanto o governo anterior deixou abrir morros em lugares onde não deveria. A Univali investiu muito, com técnicos e laboratórios, e hoje muito categoricamente pode atender essas demandas. A Praia Brava tem potencial para ter um projeto habitacional, pois hoje a tecnologia garante condições de fazer investimento com sustentabilidade. E isso é fundamental. Então é melhor fazer um projeto que dê capacidade de emprego e renda, porque as pessoas vão poder trabalhar também lá e gerar recursos e atrair investidores. É possível, sim, habitar de uma forma sustentável fazendo certas restrições.
E aí a questão do Itajaí-mirim é urgente. A cidade, a Univali tem um projeto hoje premiado, que é um pequeno molhe na saída do Itajaí-mirim, do canal, que, segundo estudos, promoveria a revitalização do Itajaí-mirim. Num primeiro momento é fazer com que a água flua para o Itajaí-açu. Isso vai trazer vida para o Itajaí-mirim. Nesse primeiro momento. Depois vem a dragagem, que aí demanda recursos financeiros.

DIARINHO – A universidade, como o senhor falou, tem estudos, informações a respeito da questão ambiental. A prefeitura e outras as instituições usam este saber da academia?

Provesi – Sim. É espontâneo. Aliás, tenho uma equipe que é apaixonada por isso. Isso é um fato importante. Nós temos um pessoal que trabalha na universidade que não quer receber recursos… Pessoas que vieram de outras cidades, que aqui moram, aqui trabalham e criaram um sentimento de gostar disso aqui, e tentar devolver em forma de trabalho. Então essa troca, quando requerida, está à disposição.

DIARINHO – Prefeito, antes de ser sido decidido o plano diretor do município, um dos estudos da própria Univali era que a praia Brava deveria se transformar num parque ambiental. Onde ficariam monitores, mostrando o meio ambiente, as espécies, a mata atlântica e tal. Na sua opinião, isso pode ser colocado em prática?

Eu acredito que a questão ambiental da praia Brava está sendo preservada. As dunas e afins. O que está se buscando desenvolver na praia Brava é justamente a área mais adequada, sem agredir a mata atlântica e a restinga. Se nós tivermos a responsabilidade de tratarmos todos os efluentes que vão ser ali produzidos, devolvermos ao meio-ambiente tratados, este é o compromisso. Quando se fala em desenvolvimento sustentável tem que partir deste princípio: devolver à natureza aquilo que ela nos deu, nas mesmas condições. Na praia Brava nós temos que estar atentos neste sentido. Não permitir, em hipótese alguma, que se atinja o lençol freático, mananciais e que qualquer coisa que crie impacto ao meio ambiente. Eu quero voltar ao Itajaí-Mirim. A mata ciliar é fundamental, o Pissetti tomou essa iniciativa com relação as nascentes, no projeto chamado Oásis. Nós estamos pensando num programa que possa isentar de impostos, dar algum incentivo ao proprietário de imóveis que deixar uma parcela da área de preservação às margens do Itajaí-mirim, do canal e no ribeirão da Murta, e todos os mananciais. A universidade, só para reforçar ainda mais o que o reitor falou, ela tem sido uma grande colaboradora nas decisões do acesso ao porto, no canal de acesso, na questão do Itajaí-mirim.

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Tema: SAÚDE E PROMOÇÃO SOCIAL

DIARINHO – Prefeito Bellini, o senhor colocaria a saúde no mesmo entendimento da educação, de que o município teria condições de tocar sozinho?

Não. A saúde é de responsabilidade do poder público. O município, através da delegação no sistema SUS, tem responsabilidade. Nós precisamos prevenir na área da saúde. Saneamento é uma coisa, cada real investido em saneamento, segundo os técnicos, significa cinco reais a menos a serem gastos na área da saúde. É importante este trabalho de saneamento que Itajaí está implantando. O centro integrado de saúde, que nós planejamos construir, a melhoria no programa da Saúde da Família. Embora Itajaí deixe muito a desejar na área da saúde, se nós compararmos com os demais municípios brasileiros, principalmente, em nosso redor em Santa Catarina, Itajaí está com certeza em primeiro lugar. Tanto que nossa vice-prefeita e secretária foi premiada agora em Florianópolis. Um prêmio no valor de 40 mil reais para investir na área de saúde, como a cidade que tem o melhor atendimento na saúde diária do cidadão. Eu acho que ações dessa natureza vão melhorar e muito a saúde em Itajaí. E mais uma vez com a participação da universidade. Ela está integrada com a prefeitura, até porque ela é uma instituição da comunidade de Itajaí. O Provesi é nosso reitor, mas a Univali é de Itajaí. Ela faz esse trabalho maravilhoso e tem sido participativa em todas as questões. O hospital Pequeno Anjo é um exemplo. O antigo hospital Menino Jesus estava numa situação bastante ruim. O poder público assumiu a responsabilidade no primeiro momento de alugar e delegar a universidade para que ela administrasse. Hoje é o orgulho de todos nós, uma referência na área da saúde infantil no estado.

DIARINHO – Pissetti, o senhor tem uma visão um pouco diferente do prefeito. O senhor acredita que a saúde não pode ser de responsabilidade só do município e sim do estado como um todo.

Eu estou achando estranho. Eu ando só discordando do Bellini. [risos]. Eu penso assim: nós precisamos dar choque de gestão na saúde, fazer o máximo possível com os recursos que o município tem. Obviamente, eles não são suficientes. Quanto mais o município investe, por exemplo, em Saúde da Família, mais aumenta a demanda por remédios e exames especializados. Cada vez que você coloca uma equipe de Saúde da Família na casa de uma pessoa, a atender um cidadão que está doente, de cama, uma criança pequena, ele vai pedir exame de sangue, de fezes e urina. Vai pedir tomografia. Agora está na moda a tal de ressonância magnética e vai, por conta de uma dor de cabeça, pedir uma ressonância. Aquilo vai represando, as pessoas vão achando que aqueles exames são necessários, e acabaram-se os diagnósticos médicos. Aquele cara que te apalpava, olhava no fundo do olho, a língua, acabou-se. Resolver o problema da saúde, sem investir pesado, sem investir em educação, não se resolve nada. A pessoa sem educação não sabe se cuidar, não tem hábito de higiene. Você chega na casa da pessoa vê aquele fogão cheio de panela, aquela pia cheia de panela, barata andando no meio de comida, criança de pé descalço, sem saneamento básico. É uma questão globalizada que estoura lá na hora que o cara tem uma dor de cabeça. [Vereador Pissetti, existia em Itajaí um programa chamado Itajaí Ativa, cujo o objetivo era justamente este que o senhor está falando: a promoção social e da qualidade de vida, na questão da preservação. Este programa foi instituto na gestão passada, não seria o caso de retomá-lo ou buscar algo similar?] Eu penso que tudo que promova as pessoas a aprender a se cuidar, diminui o gasto do poder público. Vamos fazer de novo o meu paradigma: vamos lá para rua Joaçaba e vamos ver quantas crianças vão ter na rua de pé descalço, quantos cachorros caminhando junto com elas. Tu vais ver quantas tem bicho de pé, quantas tem bicho geográfico, quantas estão com aquela barriga, não é a barriga do Pissetti não, é aquela barriga de doença. Porque isso é uma questão de educação básica, de higiene, de saber se cuidar. Temos que nós utilizar deste tipo de projetos, temos que pensar em saúde pública naquilo que, de fato, nós podemos fazer. Sem sonhos. Não podemos vender ilusões. Nós vamos precisar da universidade, do empresariado, do governo do estado e de um programa claro de gestão.

Bellini: O Itajaí Ativa não foi extinto. Ele está em andamento, não está a todo vapor, mas ele vai ser retomado e ampliado porque é um programa muito importante nesta questão da área da saúde. Ainda com relação ao Pissetti, eu quis reduzir o tempo, mas isso que o Pissetti colocou: o nosso centro integrado de saúde, de imagem, o laboratório com atendimento 24 horas e este centro de especialidades, vai proporcionar o melhor atendimento. Nós precisamos que o diagnóstico do médico, quando ele solicita o exame, que seja realizado naquele momento, e não daqui a um ano.

DIARINHO – Reitor Provesi, o senhor acha que falta um investimento pesado em saúde preventiva?

A educação é o agente transformador em tudo. Começa com a saúde, com a questão de formação profissional, respeito ao cidadão, respeita a sua cidade. O investimento é pequeno, mas a questão da educação tem que trabalhar de forma contínua, permanente, sistemática. Eu aproveito a base do que foi dito pelo prefeito e pelo Pissetti, estou de acordo, fecha legal e eu só colocaria um item a mais. Falta, na verdade, a questão da informação. Nós temos que ter hoje um sisteme que gere informação, que possa permitir ao gestor público conhecer melhor a sua população em todos os sentidos. Ele chegar na rua Joaçaba e saber: quem mora lá? O que eles sofrem? São cardíacos? São hipertensos? Diabéticos? Tem que haver uma base de informações que permita ao gestor público destinar os recursos para prevenção.

DIARINHO – Maria Izabel Pinheiro Sandri, a senhora concorda com a visão dos outros entrevistados?

A questão da informação é importante. Porque, às vezes, as pessoas vão ao médico, mas nem sempre dão continuidade ao tratamento até a cura. Eu tenho participado das reuniões do conselho da secretaria de Desenvolvimento Regional, como somos pólo, acabamos atendendo também pessoas de outros municípios que acabam estrangulando o nosso sistema também.

Bellini: O que me chamou a atenção é que, até novembro, nós tínhamos atendido um milhão e setecentas mil pessoas nas unidades de saúde do município. Mas como? Itajaí tem 170 mil habitantes! Agora veja quantas vezes a mesma pessoa volta para ser atendida. Quem são essas pessoas? As pessoas mais abonadas têm plano de saúde. Vamos fechar o ano, provavelmente, com dois milhões atendimentos. Haja estrutura para atender todo mundo.
Pissetti: Por isso, prefeito, que tem informatizar. Tem que pegar cada cidadão e dar uma senha eletrônica. Quando ele chegar no médico, o médico não vai mandar ele fazer de novo um exame que fez há 15 dias. Essa gestão que a gente fala.

Bellini: Nós temos casos de pessoas que procuram a unidade de saúde, o médico solicita o exame, ele vai no laboratório e faz. Daí vê que o colesterol está muito alto, por exemplo. Como ele sabe que o atendimento de Cordeiros não tem comunicação com o da Fazenda, vai na Fazenda e faz de novo todos esses exames. O médico é ocupado, estrutura física e o município tem o custo dos exames. Com a informatização, tudo isso acabaria.