• Postado por Tiago

“Trabalhei este fim de ano no Marieta. Tive vontade de escrever e compartilhar com mais pessoas a forma com que o Marieta me afetou neste tempo de festas.

Durante o final de ano, tradicionalmente, todo mundo tira férias. Os médicos e os profissionais de saúde, também. Mas o Marieta não para. Quem trabalha no hospital sabe que é preciso se organizar, preparar as escalas, ver quem trabalha e quem folga, porque o hospital não pode parar.

Visitei os pacientes da oncologia e os pacientes da enfermaria de clínica médica. Também atendi pacientes no pronto-socorro, nas UTIs, nas enfermarias de ortopedia e de cirurgia. O que eu vi – e quero compartilhar com muitos – foi um hospital moderno, bem equipado, com as enfermarias recém-reformadas, limpas, organizadas com todos móveis e utensílios novos. Vi um pronto-socorro todo novo, equipado e lotado. Vi quatro unidades de tratamento intensivo, cheias de pacientes. Casos graves, complexos, recebendo atendimento de primeiro mundo.

Entretanto, vi mais do que isto. Vi pacientes de todas as idades, homens e mulheres, doentes, alguns muito doentes, com dores, sofrimentos, medos, preocupações, ansiedade e esperança. Pacientes atendidos por uma equipe formada por muitos profissionais: maqueiros, telefonistas, escriturárias, copeiras, faxineiras, guardas, técnicos de enfermagem, técnicos de Rx, enfermeiras, médicos residentes e médicos e médicas e… tanta gente. Todos trabalhando Natal e Ano-Novo como se fossem dias e noites comuns.

É nosso trabalho, sei disso, como tantos profissionais trabalham incansavelmente para manter serviços essenciais à população: polícia, bombeiros, motoristas, muitos… É nosso trabalho atender pessoas doentes. Mas é muito mais do que isto. Nós, no Marieta, somos muito bons no que fazemos. Sabemos o que estamos fazendo. Somos especializados para atender tudo, qualquer demanda da população da região.

Fazemos partos, cesáreas, pequenas cirurgias, grandes cirurgias, enormes cirurgias. Atendemos recém-nascidos, jovens, mulheres grávidas, adultos, idosos, muito idosos. Tratamos diarréias e desidratações e infecções graves, gravíssimas. Fazemos diagnósticos simples, toda hora, e diagnósticos difíceis, complicados, dignos de apresentação em qualquer revista médica do mundo, todos os dias.

Estamos todos a postos, 24 horas, sete dias na semana. Portas sempre abertas. Todos são atendidos. Lado a lado, nas nossas enfermarias estão os pacientes de Itajaí, de Navegantes, do Mato Grosso que vieram veranear na Penha. Argentinos, uruguaios, brancos, pretos, mulatos, japoneses. Muitos, todos, leito ao lado de leito, atendidos, examinados, cuidadosamente, todos os dias. Todas as horas, medicados, lavados, vestidos e alimentados.

Não tem tempo ruim para o Marieta. Conseguimos as ressonâncias, as colangiorressonâncias, as tomografias, as endoscopias, as biópsias. Mandamos exames para fora, ligamos para ver os resultados. Insistimos, colhemos, andamos atrás do que for preciso. Queremos muito fazer os diagnósticos, acertar as condutas, operar no tempo certo. Atender, aliviar, tratar.

Fazemos diferença na vida de cada um de nossos pacientes. Fico ouvindo nosso técnico de enfermagem dar banho no paciente desconhecido, sem nome, que está sob nossos cuidados há mais de um mês. Ouço o técnico dando banho, trocando as fraldas, dando comida na boca. Sempre com respeito, com atenção, com carinho.

Temos problemas. Sei disto. Muitos problemas. Temos um número múltiplo de 300 (leitos) problemas. Cada paciente, e sua família, tem diferentes problemas, temores, anseios, necessidades. Temos carências, nos falta dinheiro. Oitenta por cento de nossos pacientes são atendidos pelo SUS. O SUS remunera nossos procedimentos, mas as tabelas de remuneração estão muito longe de cobrir todas as despesas dos pacientes. Alimentação, roupa, suplementos alimentares, fisioterapia, fonoterapia, medicação, antibióticos de última geração – toda a tecnologia disponível no mundo ao nosso alcance.

Devemos à congregação das irmãs o mérito de administrar o hospital. É, definitivamente, um jogo de quebra-cabeças fechar as contas no final do mês. Mérito das irmãs que vivem no hospital. Que vivem o hospital. Incansáveis, presentes em cada setor, a toda hora. Que suportam nos seus braços e costas o custo das queixas, das demandas, dos problemas de todos nós.

Todos queremos soluções para os problemas. Os pacientes, em primeiro lugar. Os familiares dos pacientes que, acreditem em mim, têm as mais diferentes e excêntricas necessidades e opiniões. Nós, médicos, queremos resolver nossos problemas. Cada vez necessitamos de mais tecnologia. E queremos ser remunerados pelo sobreaviso, pelos plantões, por nossas habilidades e conhecimentos. Todos os médicos do corpo clínico do Marieta são especializados. Muito especializados. Alguns de nós são referências nacionais nas áreas em que atuam. Hoje orientamos mais de 30 médicos residentes, jovens, inteligentes, hábeis. Ávidos por dar o melhor de si para cada um de seus pacientes. Olhos brilhando ao atender mais um paciente, ao ver o resultado favorável, a evolução feliz de seus casos. Passamos o dia no hospital e horas em casa, estudando nossos casos, buscando a melhor conduta, o diagnóstico mais acurado, mais rápido, o tratamento mais efetivo.

Mais cedo ou mais tarde, como não canso de dizer, todos passaremos no Marieta. É lá que internaremos nosso irmão, nosso pai. É no Marieta que operaremos nossas apendicites e nossos tumores. É no Marieta que trataremos nossa pneumonia, é la que veremos nascer nossos filhos e nossos netos.

Bem, é isto que o Marieta representa para nós. É isto que o Marieta faz por cada um de nós. Não seria hora de perguntar: O que cada um de nós pode fazer pelo Marieta?”

Ass: Denise Viuniski da Nova Cruz, médica do hospital Marieta

(Transcrito ipsis litteris)

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