• Postado por Tiago

A desgraça em Itajaí ganhou em dimensão por causa da destruição total dos berços de atracação de navios. Em setembro de 2008, o porto recebeu 98 navios; no mês seguinte à tragédia, em dezembro, não recebeu nenhum. E hoje, um ano depois, recebe 60 navios ao mês, mas com a metade da capacidade de carga. Tudo por causa do atraso na entrega das obras de recuperação do porto e da novela que foi a dragagem do canal, reduzido a oito metros de calado. Em abril, o superintendente Antônio Ayres acreditava que o porto estaria pronto em outubro. Hoje, a previsão mais otimista é abril.

Para normalizar o fluxo de navios para aportarem nos dois berços do porto de Itajaí, bem como no cais de outras empresas da bacia portuária, a dragagem deveria fazer o calado voltar a ter 12 m na boca da barra. Mas acabado o serviço da Draga Brasil, a concessionária que ganhou a licitação, ainda faltavam dragar 2,2 milhões de m³. O valor do contrato era de R$ 17 milhões, dindim que a Draga Brasil ainda não viu porque a questão foi parar na dona justa. Pra dragar o resto, foi feito um acordo entre Teconvi e Portonave no valor de R$ 4 milhões e depois de uma experiência mal sucedida com uma draga brasileira, finalmente a draga da empresa holandesa Van Oor deu conta do recado em agosto.

Já as obras caíram na pendência do projeto, que foi mal-dimensionado. Ayres conta que na avaliação preliminar estimavam em 30 m o comprimento das estacas pra dar sustentação ao cais, mas no decorrer da obra, descobriu-se que as estacas precisavam ter 50 m. Pras obras não pararem, o superintendente apelou pro TCU, que cobrava o prazo de término da obra em seis meses, e até o exército foi cogitado pra terminar a bagaça, o que acabou não rolando. Para não parar de vez, Ayres conta que foi preciso encerrar o contrato atual de R$ 85 milhões e fazer um novo papéli em agosto, com a mesma empresa a Triunfo Serving, que construiu o Portonave. Cada um dos dois berços a serem recuperados vai custar mais R$ 40 milhões.

Apesar do perrengue, Ayres diz que a movimentação de janeiro a outubro deste ano, em toda a bacia de evolução, em comparação ao ano passado, foi pouca coisa menor. Isso porque muitas das linhas do porto de Itajaí acabaram indo pro Portonave, que no período teve um incremento de 67%. “O nosso concorrente não é o Portonave, mas outros complexos portuários, como o de São Francisco”, argumenta. Ele acrescenta que muitos dos serviços que o Portonave precisa também tá do lado de cá da vala, como agências marítimas e despachantes, o que reforça o caixa da economia peixeira.

Depois que o porto estiver nos trinques, o próximo passo é aumentar o calado pra 14m, a fim de receber os navios gringos que vêm com 300m de comprimento e muito mais carga. Hoje, cada berço de Itajaí pode receber navios de até 250m.

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