• Postado por Tiago

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Dona Izabel tá minguando e governantes continuam no nem te ligo

O desespero tomou conta de Alex Sandro da Silva, 26 anos, que mora no bairro dos Municípios, em Balneário Camboriú. Faz um mês que ele tá tentando conseguir alimentação especial pra mãe, que sofre com três tumores no cérebro e só se alimenta por uma sonda. Mas tudo o que as otoridades lhe dão é um não atrás do outro. ?Você chega na frente de um secretário de saúde, pergunta o que fazer, e ele diz que não sabe. Não adianta resolverem a situação depois que ela morrer?, desabafa o rapaz.

O drama da mãe do moço, dona Izabel Cristina da Silva, 67 anos, começou há seis meses, quando ela levou um tombo dentro de casa. Ela foi medicada pra labirintite, mas os remédios não tavam fazendo efeito. Somente depois de uma ressonância magnética é que foi descoberto o câncer.

Como a doença já tá em estado bastante avançado, nenhum médico quis saber de operar dona Izabel. ?Teve um médico que pagamos particular e ele disse que podia abrir pra pelo menos fazer uma biópsia. Mas os do SUS não quiseram?, afirma a esposa de Alex, Wanyellen Rodrigues.

Desde então, a mãe do rapaz tem passado longos períodos internada. Por conta dos tumores, Izabel não consegue mais se alimentar como qualquer outra pessoa e precisa de uma sonda pra sobreviver. Antes que ela pudesse voltar pra casa, depois da última internação, o filho foi avisado de que teria que providenciar o suplemento alimentar.

Pingue-pongue com a vida

Foi aí que começou o calvário de Alex e Wanyellen. Por conta de um problema na coluna, o rapaz tá encostado pelo INSS e recebe um dinheirinho mirrado todo mês. A esposa trampa como diarista, mas muitas vezes tem que abrir mão do serviço pra ajudar a cuidar da sogra. Juntos, os dois conseguem por mês cerca de mil reales. Metade vai pro aluguel e as contas.

O problema é que o suplemento alimentar que Izabel precisa custa os zóios da cara. Uma das latas sai por R$ 30 e dura só um dia. A outra, de R$ 37, dá pra dois dias. ?A gente não tem como dar conta. Ainda tem medicamentos, mais álcool, produtos de limpeza, que tem que ser tudo muito limpo perto dela. Tá difícil?, diz Wanyellen.

O casal já procurou a secretaria de estado da Santa&Bela e a resposta que recebeu, em uma carta, foi que o suplemento receitado pelo médico não é fornecido pelo ministério da saúde. No papéli sugerem que a família procure auxílio do município.

Na prefa de Balneário a situação não foi diferente. ?Nós procuramos o secretário [José Roberto Spósito] e ele disse que não podia fazer nada. Se pelo menos ele pegasse o nosso telefone, dissesse que iria tentar ajudar, mas nem isso?, reclama a diarista.

Ela e o marido acham que as otoridades tão fazendo pouco caso da vida de dona Izabel. ?Quando é época de eleição tão aqui batendo na porta, pedindo voto. A gente paga imposto, tudo direitinho, e quando precisa deles, não tão nem aí?, lasca Alex.

Tirando da reta

Maria Tereza Agostini, manda-chuva do setor farmacêutico da secretaria estadual de Saúde, confirmou que em casos como o de Izabel o estado realmente sugere que o paciente procure o município. ?O estado pode fornecer o que já temos. Vai caber à nutricionista dizer se é recomendado ou não. Ou então, tem que ver se o município pode fornecer?, enrolou.

José Roberto Spósito, da secretaria de Saúde de Balneário Camboriú, não foi encontrado ontem à tarde pra falar sobre o assunto.

Povão é quem tem ajudado

Como dona Izabel é muito querida pelo pessoal do bairro dos Municípios, muita gente tem ajudado a pobrezinha. O grupo de idosos fez um bingo beneficente e uma loja de calçados doou pares de sapatos pr?uma rifa. A Fundação das Famílias Carentes e Portadoras de Doenças Degenerativas (FACDD) também tem dado uma força. ?Graças a essa ajuda ela ainda não ficou sem alimento?, diz Alex. Quem quiser ajudar dona Izabel, e minimizar o sofrimento da família, pode fazer doações na rua Curitibanos, número 500.

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