• Postado por Tiago

O aguaceiro que invadiu o hospital Santa Inês esta semana tá trazendo problemas pro povão. Ontem, um aposentado de 57 anos descobriu que a cirurgia de catarata que ele esperava, ansioso pra voltar a enxergar, foi suspensa. “Ninguém me avisou que tava cancelada”, reclama. Essa foi a segunda vez que ele teve a operação marcada e cancelada em menos de duas semanas. Na primeira, não pôde passar pelo bisturi porque o aparelho de autoclave tava quebrado.

O aposentado não quis ter seu nome divulgado com medo que os mandachuvas da saúde possam melar sua cirurgia de vez. O caso dele é tão grave, que ele não pode mais nem dirigir. Como já passou por um transplante de rim e precisa fazer exames de tempos em tempos pra ver como tá sua saúde, a visão faz muita falta. “Dependo da minha namorada pra me levar pra todo lugar”, diz.

A esperança dele é que com a cirurgia possa voltar a ter uma vida normal. A primeira vez que marcou a operação foi há cinco meses, com um médico particular. “O custo ficou muito alto e tive que desistir”, revela. Eram quase três mil reales pra cada vista.

Ele entrou então na fila do SUS e conseguiu marcar a cirurgia pro dia 16 de setembro. Sua namorada chegou a pedir dispensa do trampo pra poder cuidar dele, mas os dois deram com os burros n’água. “Disseram que a autoclave tava quebrada e mandaram remarcar” afirma.

A cirurgia deveria rolar finalmente na manhã de ontem. Mas desta vez o que atrapalhou foi a chuvarada. O hospital, que já tinha passado por maus bocados durante a enchente de novembro e numa enxurrada no mês de março, quando a lama invadiu os corredores e os pacientes tiveram que ser transferidos às pressas, voltou a sentir o efeito do aguaceiro.

O barro que desceu das obras de contenção do morro que fica coladinho no Santa Inês entupiu um cano e quatro leitos da maternidade tiveram que ser esvaziados. Pra completar, uma calha rompeu em cima da enfermaria feminina e a muierada teve que ser levada pra outras alas. O hospital reduziu as internações e por isso suspendeu todas as cirurgias que não eram de emergência. A do aposentado era uma delas.

“Cheguei na recepção e falei que tinha uma operação marcada. A atendente me perguntou se era do SUS e disse que tava cancelada, com um ar de deboche. Deu a entender que se fosse particular eles fariam”, acusa. Ele acha que foi feito de bobo. “É uma falta de respeito. Pelo menos deveriam ter avisado”, diz.

O aposentado foi orientado a remarcar a cirurgia. “Quando cheguei na clínica me disseram que não tem nem previsão de outra data. E agora, como é que eu fico?”, questiona.

Promete resolver

O mandachuva do Santa Inês, dotô Eroni Forest, negou que só as cirurgias marcadas pelo SUS tenham sido canceladas. “Só estamos fazendo cirurgias de emergência. Das demais, nem SUS, nem convênio e nem particular”, lascou. Ele disse que se o aposentado tiver a autorização médica pra cirurgia em mãos, o hospital poderá remarcar a data. O chefão não soube dizer se os funcionários avisaram ou não os pacientes sobre as cirurgias canceladas. “Foi avisado pela imprensa”, disse.

Ontem à tarde, tava rolando conserto no telhado da ala feminina, onde rompeu a calha. A previsão do dotô é que o Santa Inês volte a funcionar normalmente até sexta-feira.

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