• Postado por Tiago

 

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Religioso foi socorrido com vida às margens da Br-101, mas morreu no hospital Marieta

Multidão se aglomerou na igreja para dar o último adeus ao padre

Uma tragédia abalou a comunidade católica de Itajaí ontem. Às seis horas da manhã morreu no centro cirúrgico do hospital Marieta Konder Bornhausen, o padre Alvino Broering, 46 anos, que exerceu a profissão em Navegantes e Itajaí durante 18 anos. O religioso foi vítima de um assalto na madrugada, às margens da BR-101, onde tomou oito facadas nas costas e na cabeça. Padre Alvino chegou com vida ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O assassino sumiu com o possante da vítima. A polícia ainda não tem qualquer pista que possa levar ao bandido, mas trabalha com a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte).

Uma multidão lotou a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, onde Alvino foi pároco por sete anos, para participar da missa de corpo presente, celebrada pelo bispo da arquidiocese de Floripa, Dom Murilo Krieger. O religioso foi enterrado às 16h em Santo Amaro da Imperatriz, ao lado dos pais, na Grande Floripa. Atualmente ele era capelão da pastoral universitária da Univali e presidente da rádio comunitária Conceição, que fundou há nove anos.

O assassinato aconteceu por volta das duas horas da madrugada de ontem, perto do posto de gasosa Maiochi, no bairro Espinheiros. O vigia do posto contou pra polícia que viu o Astra do padre, placa MDA 9814 (Itajaí), parar em frente à empresa Itadisa. O capelão saiu do carro correndo e foi perseguido por um malaco armado de faca, que também tava no possante. Alvino tentou fugir, mas foi alcançado perto do posto, onde rolou a barbaridade.

O safado meteu diversas facadas nas costas e na cabeça do padre, que tentou se defender botando as mãos no rosto, que também ficaram furadas. Depois do crime, o traste embarcou no carro e simandou. O vigia disse aos milicos que o matado avisou que era um assalto antes de tomar doril, mas não levou nem o celular do padre. Os bombeiros foram chamados pra socorrer o coitado e encontraram Alvino estirado no chão, todo ensanguentado, mas com vida.

O religioso foi levado pro hospital e entrou direto para o centro cirúrgico em estado grave, mas os médicos não puderam fazer muita coisa. Por ter perdido muito sangue, a luta de Alvino pela vida acabou às seis horas da manhã. O médico legista do Instituto Médico Legal (IML) esteve no Marieta para fazer o laudo da morte e dali mesmo liberou o corpo para o velório. O delegado da Central de Operações Policiais (COP) Rui Garcia, conta que os tiras já estão trabalhando na investigação do caso, mas que não há pistas do assassino, nem do carro da vítima.

Emoção na despedida

Assim que a notícia da morte do padre Alvino se espalhou na cidade, fiéis começaram a se concentrar na Matriz a espera do corpo. A missa marcada para as 10h só começou por volta das 11h30, quando o corpo do capelão chegou à igreja, comovendo as centenas de pessoas que aguardavam com cânticos religiosos. Vários padres peixeiros e o bispo acompanharam o corpo até a frente do altar, onde ficou durante a missa. O reitor da Univali, José Roberto Provesi, o prefeito de Itajaí, Jandir Bellini, e o presidente da câmara de vereadores, Luiz Carlos Pissetti, também participaram do velório.

Fiéis fizeram fila para chegar até o caixão e prestar as últimas homenagens ao padre. A movimentação rolou até 13h30, quando o corpo deixou a igreja sob aplausos e cantos em cortejo em direção a Santo Amaro. Dois ônibus saíram de Itajaí levando os religiosos que foram acompanhar o enterro.

Entre as mais emocionadas, estava dona Iracema Barbosa, que trabalhava há 20 anos com o padre como diarista. ?Ele era uma pessoa muito especial para mim. Sempre muito atencioso e dedicado ao seu trabalho?, conta. Rita Maria, amiga de Alvino, confirma as palavras de Iracema: ?Era uma pessoa maravilhosa, sempre muito amigo da comunidade?, comenta emocionada. O reitor da Univali, José Roberto Provesi, por sua vez, disse que sentiu muito a perda do capelão e que a comunidade acadêmica está de luto. ?Ele era uma pessoa que tinha o dom da palavra, um conselheiro, uma ótima pessoa. Em oito anos de reitor, ele me ajudou a instalar a capela junto com a pastoral universitária?. Provesi disse que vai propor ao conselho da Univali a mudança do nome da capela para Alvino Broering. O novo capelão depende de um parecer do bispo Murilo Krieger, já que a capela está ligada à arquidiocese. Já o prefeito Jandir Bellini também lamentou a morte do padre. ?Foi com profundo pesar que recebi está notícia. É difícil expressar nesse momento a perda de uma pessoa tão querida pela comunidade de Itajaí. Importante é lembrar do seu imenso trabalho e contribuição para a sociedade? comentou.

Religioso era uma das figuras mais conhecidas da Igreja peixeira

Um dos mais conhecidos religiosos de Itajaí, padre Alvino Broering batia ponto com frequência nas páginas do DIARINHO. Considerado exótico e chegado numa vida social, o padre bateu recorde de aparições nas páginas do jornal em 2003. Quando pároco da Igreja Matriz, o religioso chegou a pedir para as beatas fazerem uma vaquinha pra comprar uma banheira de hidromassagem pra incrementar seu apê no prédio da igreja.

Em março de 1994, em Navegantes, o padre também foi vítima da violência. Na ocasião ele foi flagrado com um menor viciado, que o encheu de porrada e o jogou para fora da sua própria caranga. Em abril de 2000, o causo se repetiu. O padre apareceu todo estropiado porque disse ter sido vítima de assalto outra vez.

O religioso voltou a ser notícia no famigerado ano de 2003, quando os fiéis procuraram o jornal pra denunciar que o padre tinha transferido a Rádio Conceição, pra própria casa, na rua Jorge Mattos.

Em julho de 2003 o padre foi novamente denunciado pelas beatas de plantão. Na época a denúncia era que o padre tava fazendo uma capela na sala embaixo do altar da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, abrindo parede, colocando ar-condicionado e o escambau.

A denunciante dizia que padre ficava inventando obra, comprando isso e daquilo. No ano interior, em 2002, ele quis equipar a igreja com um aparelho de som no valor de R$ 50 mil e prometeu abrir as paredes para meter as caixas de som na igreja. Mas depois do caso ser denunciado ao patrimônio histórico, ele voltou atrás e a compra saiu por R$ 30 mil, sem intervenção na estrutura física da igreja. Padre Alvino também era famoso pelas viagens. Anualmente viajava a Europa e também foi curtir o Méxicoem 2003.

O último escândalo que o padre foi protagonista foi em novembro de 2003, quando ele voltou a ser manchete do jornal com a notícia de que a igreja católica tinha lucrado uma grana alta com uma rifa.

A receita total da rifa teria sido R$ 250 mil (com os descontos dos prêmios ficou em pouco mais de 190 mil), mas o padre jurou que o faturamento tinha sido de apenas 18 mil. Pra piorar, segundo os denunciantes, os prêmios nunca foram entregues.

Depois que assumiu o cargo de capelão da Univali, ainda em 2003, padre Alvino começou a ficar mais recluso e sua vida social deixou de ser alvo da boataria da cidade,

A vida de Alvino

O atual pároco da igreja Matriz, José Besen, explica que padre Alvino atuou no sacerdócio durante 18 anos, cinco deles em Navegantes, sete na Matriz e mais seis na Univali. ?Ele era um padre muito bom, que sempre atendia bem a todos?, lembra Beisen.

Em Itajaí padre Alvino fundou em 2000 a rádio comunitária Conceição. O coordenador de programação, Paulo Wolf, diz que o capelão apresentou o programa ?Na Fonte da Água Viva? desde o dia que a emissora entrou no ar até o último sábado. Ele mesclava palavras de fé com música e tinha uma grande audiência, acrescenta Wolf.

O sucessor do padre na vaga de presidente e diretor da rádio ainda não está definido e a decisão depende de um conselho de pessoas da comunidade ligadas a Conceição. ?Não tivemos tempo para pensar nisso ainda?, explica o coordenador.

Além da Conceição, Alvino apresentava há oito anos o quadro ?Palavra de Fé?, na rádio educativa Univali. Durante um minuto ele levava uma mensagem espiritual para os ouvintes todos os dias de semana. O coordenado da emissora, Alberto Russi, comenta que o programinha era dedicado a todos que tem fé, mas sem fazer restrição de religião. O último quadro gravado foi ao ar na manhã de ontem.

O coordenador da Pastoral Universitária, Arildo da Silva, conta que Alvino acompanhava o grupo religioso da universidade há cerca de 10 anos, antes de se tornar o capelão. ?Foi uma grande perda para a comunidade, era um dos grandes oradores da cidade. Ele interagia com os alunos e era muito bem quisto na Univali?, completa.

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Uma Resposta to “Padre Alvino assassinado a facadas no Itajaí”

  1. pmitajai Diz:

    perguntas….
    1- Pq o assaltante ja tava dentro do carro dele, e não o abortou?
    2- Pq ele deu carona pra esse traste?
    3- 2h da madrugada o q eles iam fazer ou fizeram? não era pra estar na cama dormindo?
    4- Os padres não tem disciplina e bom exemplo pra dar? nao tem como.. nem os fieis tem….
    fazem o q querem e nunca sao excluidos, e quando erram ainda são contados como bons….
    q povinho….

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