• Postado por Tiago

Pavan já prepara estratégia de defesa com seus advogados

A voz embargada do vice-governador Leonel Arcângelo Pavan (PSDB) indica que ele não passa por um bom momento. Às vésperas do pleito eleitoral de 2010, Pavan foi indiciado num inquérito da polícia Federal, acusado de receber 100 mil reais para favorecer a empresa Arrows Combustíveis. Ontem, no início da noite, por telefone, o vice-governador falou com exclusividade ao DIARINHO. ?As pessoas ficam pré-julgando sem saber?, desabafou.

O vice-governador estava numa reunião com o seu advogado Claudio Gastão da Rosa Filho para decidir quais as estratégias que iriam tomar, mas interrompeu o conversê pra desabafar ao DIARINHO. ?Eu fui surpreendido pela imprensa: sou indiciado num processo que cborre em segredo de justiça?, debulha. O tucano vai adiante e completa: ?Eu sou muito popular. Eu atendo pessoas, despacho no carro, na casa, na rua, tenho 252 audiências atrasadas?, fala, tentando justificar porque atendeu os representantes da Arrows, empresa que teve seu alvará cassado por uma série de irregularidades.

O tucano garante que não conhece a empresa e não tem contato com os representantes dela. Diz que das pessoas que estão sendo indiciadas pela PF, ele só conhece a advogada Vanderléia Aparecida Batista, que já foi sua funcionária na prefa de Balneário Camboriú. ?Não tenho relação com essa empresa (Arrows). Eu conversei com essa pessoa conhecida, referente a reclamação de que a empresa estaria sendo perseguida?, garante.

O tucano revela que foi procurado por Eugênio (Eugênio Rosa da Silva), que afirmava estar sendo perseguido por servidores da secretaria da Fazenda do Estado. ?Ele me procurava e levava documentos, mostrando que queriam parcelar as dívidas, que iam perder a cota deles da Petrobras, e que não estavam sendo atendidos pela Fazenda?, comentou. Diante do perrengue, o vice-governador diz que encaminhou a solicitação para a secretaria. ?Encaminhei para o secretário da Fazenda e pra outros setores responsáveis?, garante.

Ao ser questionado se recebeu R$ 100 mil para atender o pedido da Arrows, pra ela voltar a operar na Santa & Bela, Pavan foi categórico. ?Não existe isto. Vocês falaram isso, o processo não fala isso. O DIARINHO que falou?, afirmou. O vice-governador ratifica que não houve a liberação da inscrição estadual da Arrows. ?Se não foi liberado o alvará, se não foi atendido o pleito, como pode ter havido alguma coisa??, questiona.

De acordo com o que foi apurado pelo DIARINHO, o inquérito da PF documentou um encontro no aeroporto, entre o vice-governador e representantes da empresa em março deste ano. Nesta ocasião, segundo as investigações, teria havido o pagamento de R$ 100 mil pro vice-governador, mas ele se defende. ?Eu viajo quase toda a semana, e qual a porta de entrada para as viagens? O aeroporto!?, debulha. ?As pessoas descobrem onde você está e vão atrás, e eu atendo?, completa.

Mais desabafo

O vice-governador também diz que tá muito chateado. ?Estou chateado, estou preocupado com isso. Estou triste pelos meus amigos, pela minha família, pelos meus eleitores. Você se recorda quantas coisas já aconteceram comigo perto das eleições? É uma investigação praticamente no palanque?, lasca. Mesmo diante do desabafo, o tucano não quis falar claramente se a investigação seria uma jogada política pra atingir a sua candidatura ao governo da Santa & Bela. ?Não quero prejulgar?, desconversa.

O vice-governador ainda considera um absurdo um caso que está correndo em segredo de justiça ser divulgado pela imprensa. ?Se a justiça diz que é sigilo e isso se torna público, isso não é crime??, questiona. Pavan diz ainda que não está preocupado com a possível denúncia que pode ser oferecida pelo Ministério Público, pois acredita que o órgão tem toda a liberdade para investigar e isso não quer dizer necessariamente que vai resultar em condenação. ?O absurdo é anteciparem uma coisa que não existe. Eu estou sendo julgado sumariamente. As pessoas ficam pré-julgando sem saber?.

Pavan também não quis afirmar se continua sendo candidato ao governo do estado. ?Claro que eu vou tentar continuar tentando ser governador. Claro que eu pretendo, mas toda essa questão mexeu na minha vida! Quantas e quantas vezes fizeram isso comigo, próximo da eleição??. E desabafa: ?O que está acontecendo é um sangramento. Tão me execrando. Se falam que é segredo de justiça, por que está vazando? Com que interesse??, alfineta.

Sobre as medidas que seus advogados tomarão, Pavan prefere não falar. ?Eu quero conhecer o processo primeiro,? completa. O advogado Claudio Gastão diz que vai processar todos os indiciados que usaram o nome do seu cliente. Tanto o vice-governador como o seu advogado, falam que não foram avisados oficialmente do indiciamento, e que também não tiveram acesso ao relatório final da PF, o que estaria causando dificuldades para traçar uma estratégia de defesa. ?Estranhamente este caso está sendo tocado pela polícia Federal. Vou questionar a competência. Esse caso deveria ser tocado pela polícia Civil?, opina o advogado.

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