• Postado por Tiago

Vice-governador teria recebido R$ 100 mil para beneficiar empresa de combustíveis

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Inquérito da PF aponta crime como corrupção ativa e passiva

Depois de três dias de expectativa, a ?Operação Transparência?, da Polícia Federal, finalmente veio à tona. O vice-governador do estado, Leonel Pavan (PSDB), e outros cinco bagrinhos e mais dois empresários foram indiciados por corrupção ativa, passiva e oferecer vantagem indevida à funcionário público. O superintendente da Polícia Federal da Santa & Bela, delegado Ademar Stocker e o responsável pelo inquérito, delegado Luis Carlos Korff, deram uma entrevista coletiva na manhã de ontem, mas não divulgaram os nomes dos indiciados, porque, segundo eles, o caso está em segredo de justiça. Mas ontem mesmo, a imprensa teve acesso ao relatório dos indiciados.

A polícia Federal descobriu o esquema através de um inquérito, instaurado em Joinville, que investigava possíveis crimes cometidos por policiais rodoviários federais. A operação, que ganhou o singelo nome de ?Carga Pesada II?, começou a fazer escutas telefônicas para investigar as denúncias, quando topou com conversas entre representantes da empresa Arrows Combustíveis, falando sobre um pagamento que havia sido feito para o vice-governador Leonel Pavan (PSDB), para que o bagrão usasse sua influência para conseguir vantagens para a empresa.

Com informações, os federas descobriram outro esquema, e escreveram um relatório complementar, que foi encaminhado para o Tribunal de Justiça (TJ), em Joinville. Após analisar os papélis, o TJ enviou a bomba para a PF manezinha, que começou a investigar o caso, e descobriu as falcatruas.

A história começou quando a empresa Arrows Petróleo do Brasil, com sede no Rio de Janeiro, teve sua inscrição estadual na Secretaria da Fazenda cancelada, por conta de uma carrada de impostos atrasados. A empresa teve a autorização para emitir notas fiscais eletrônicas canceladas e os responsáveis pela empresa foram intimados para resolver a pendenga em 30 dias, mas eles nem deram bola.

A partir daí, os representantes da empresa deixaram de correr atrás dos fiscais da secretaria e usando influência política foram direto em quem manda: o vice-governador Leonel Pavan (PSDB). Eugenio Rosa da Silva, sócio oculto de Marcos Pegoraro na Arrows, aproveitando-se de sua amizade com o bagrão, marcou uma audiência com Pavan.

Esquema fechado

Por telefone, em 7 de fevereiro deste ano, Marcos disse para Eugênio que Pavan entrou no esquema, e que ajudaria a solucionar o caso. Em diversas outras ligações entre os dois ao longo dos meses, Marcos vai deixando claro que o vice-governador está atuando em favor da Arrows, inclusive junto aos bagrões da secretaria da Fazenda.

O abobrão designado pelo tucano para cuidar do assunto foi Pedro Mendes, diretor-geral da secretaria da Fazenda, e o médico Amaranto Taranto Júnior, funcionário da Pericia Médica do Estado, que fazia o meio de campo entre Mendes e Pegoraro.

Outra que estaria envolvida até o pescoço com a tramoia é a advogada Vanderléia Aparecida Batista, servidora da prefa de Itajaí que está emprestada para a ex-secretaria Regional de Desenvolvimento (SDR) na cidade. A mulher foi contratada pela Arrows para participar em reuniões em órgãos públicos, e tratava dos assuntos diretamente com Pavan. A advogada já havia trabalhado com o tucano na prefeitura de Balneário Camboriú, nos três mandatos de Pavan como prefeito.

Pagamentos

Com as investigações indo de vento em popa, os federas ouviram nas escutas telefônicas, por diversas vezes, que Pavan teria recebido grana para ajudar a empresa. Em um dos trechos, Pegoraro diz para Armando que ficou acertado um pagamento de ?…cem mil reais pro Pavan. Tudo dinheiro, tá??. Em outro trecho, Pegoraro diz a um tal de Cláudio que está indo pegar o vice-governador no aeroporto, e que estaria levando ?um presente?.

O encontro no aeroporto aconteceu no mês de março, e foi acompanhado por equipe de policiais federais, que filmaram tudinho. Na ocasião, ao que tudo indica, rolou a entrega de cem mil reais ao vice-governador. Dois dias após o encontro, Marcos diz numa conversa telefônica que ?tá tudo acertado com o Pavan; até porque eu já paguei?.

Depois do pagamento feito, outro abobrão surge na história. Anastácio Martins, diretor de administração da secretaria da Fazenda, deu uma mão para Pedro Mendes resolver os problemas da Arrows. Primeiro, eles tentaram, sem sucesso, impedir o cancelamento da inscrição estadual da empresa. Depois, entraram com um pedido de reativação da parada, mas não conseguiram porque a empresa já estava sofrendo uma investigação judicial. Mesmo assim, confiante de que conseguiria reverter a situação, Pavan disse, pelo celular, para a advogada Vanderleia, de que havia feito ?… um ato revogando isso hoje…?, referindo-se ao cancelamento da inscrição.

Boca de siri

O DIARINHO tentou entrar em contato com todos os envolvidos citados no relatório dos federas. Os bagrinhos da secretaria da Fazenda, Pedro Mendes e Anastácio Martins, estão em um uma reunião do Conselho Nacional de Politica Fazendária, em Gramado (RS), ontem e hoje. A advogada Vanderléia Aparecida Batista não atendeu as ligações do seu telefone celular, assim como o do vice-governador Leonel Pavan e seus assessores.

Quem fazia o que no esquema

Marcos Pegoraro e Eugenio Rosa da Silva, empresários

Os sócios da Arrows Combustíveis pagaram R$ 100 mil ao vice-governador Leonal Pavan para impedir o cancelamento da inscrição estadual da empresa.

Leonel Arcângelo Pavan, vice-governador do Estado

Teria recebido dinheiro para reverter a perda da inscrição estadual da Arrows, e teria envolvido outros funcionários públicos no esquema

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Pedro Mendes, diretor geral da Secretaria da Fazenda

Braço direito de Pavan dentro da secretaria, fazia a intermediação entre o Vice-governador e os empresários.

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Anastácio Martins, diretor de Administração tributária da secretaria da Fazenda.

Junto com Pedro, tentou de todas as formas favorecer a Arrows.

Vanderleia Aparecida Batista, ex-advogada da SDR de Itajaí.

Foi contratada pela Arrows pelo bom relacionamento dentro do governo do Estado. Tratou de diversos assuntos diretamente com Pavan.

Armando Tarando Júnior, médico da Perícia Médica do Estado

Atuou como intermediador entre Marcos Pegoraro e Pedro Mendes.

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