• Postado por Tiago

Peãozada ficou revoltada com o calote. Empresário velhaco chamou a PM pra acalmar os ânimos

A peãozada que trampou na construção de um apartamento-modelo, bem na entrada do bairro Taboleiro, em Camboriú, resolveu cruzar os braços ontem à tarde. A empreiteira responsável pela contratação do pessoal fez corpo-mole na hora de pagar o faz-me-rir e deixou os trabalhadores com uma mão na frente e outra atrás. ?Tenho três crianças em casa querendo leite e não tenho condições de comprar?, revolta-se o pedreiro Vilson de Jesus, 51 anos, um dos operários vítima do calote.

Os trabalhadores contam que foram contratados pela empreiteira Meta Construções, que foi terceirizada pela construtora Mendes Sibara. A promessa era que a empreiteira faria os pagamentos toda sexta-feira. Mas, ao invés do valor combinado, dava uma mixaria pro pessoal. O caso do servente de pedreiro Luiz Carlos Mendes, 20, é um bom exemplo da sacanagem. ?Me prometeram R$ 240 por semana, mas eu tava ganhando 50, 100?, siqueixa.

Pra completar, o pessoal não viu nem a cor do pagamento pela última semana de serviço. ?Fui reclamar e fui humilhado, chamado de mentiroso, de moleque. Tô tendo problemas em casa com a minha mulher por falta de dinheiro. Trabalhei, só quero receber?, lasca o pedreiro Carlos Henrique Loures, 31.

Depois de terem tentado de todo jeito receber o dindim, os trabalhadores se revoltaram e resolveram parar de trampar. Ontem, pintaram na obra pra tentar forçar o dono da empreiteira a honrar o compromisso.

Grávida, mas protestando

Sônia Maria Silva, 43, grávida de oito meses, foi uma das que engrossou o coro dos descontentes. Ela é mulher do servente de pedreiro José Roberto da Silva, 28. ?Tô com a luz cortada, sem comida em casa. A gente não sabe mais o que fazer?, desespera-se.

O pedreiro Vilson de Jesus alerta outros trabalhadores pra que não caiam no mesmo conto do vigário. ?A minha preocupação é que mais alguém caia na lábia e fique como a gente, sem receber?, disse.

Diante do beicinho dos trabalhadores, o dono da empreiteira Meta, Silvestre, que não quis dizer seu sobrenome de jeito nenhum, chamou a polícia Militar. Os policiais apareceram na área pra tentar acalmar os ânimos, mas ninguém foi preso.

Construtora vai pagar o pato

Enquanto o DIARINHO conversava com a peãozada, o coordenador de engenharia da Mendes Sibara, Geraldo Freitas, tentava acertar as pontas com o dono da Meta Construções. Depois de um plá, Geraldo chamou os trabalhadores e garantiu que a construtora vai arcar com o preju. ?Vamos assumir essa dívida e pagar todo mundo, porque eles não têm culpa do que tá acontecendo?, prometeu.

Ele disse que a Mendes Sibara repassou toda a grana prevista pra empreiteira, mas não sabe por que a dinheirama não foi repassada ao pessoal. ?Fizemos um contrato com a Meta de R$ 19 mil e pagamos R$ 31 mil, por causa de alterações no projeto. Essa dívida não é nossa?, afirmou.

Silvestre diz que não tem culpa pelo atraso nos pagamentos. ?Toda sexta-feira a Mendes Sibara mandava um vale, que nem sempre era suficiente pra pagar todo o pessoal?, acusa.

Mesmo assim, ele admite que a construtora não tá devendo pra empreiteira. ?Tá faltando o acerto final, depois que for entregue a obra. Com esse acerto eu ia terminar de pagar o pessoal?, alega.

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