• Postado por Tiago

O prefeito da Maravilha do Atlântico, Edson Periquito (PMDB), quer dar um arrego pros agricultores de Camboriú que ajudarem a recuperar a mata ciliar dos rios que cortam a região. Um projeto, que tá tramitando na câmara de vereadores, prevê um pagamento em dindim pelo que os agricultores deixarem de produzir nas terras que forem usadas pro reflorestamento. “É um projeto importante, mas só se forem usados cinco metros do terreno a partir da margem. Mais que isso vai prejudicar o produtor”, diz o presidente do sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cambu, Silvio Mathias.

Se a proposta for mesmo aprovada, os agricultores vão poder escolher entre fazer ou não parte do esquema. Se aceitarem, vão ter que plantar árvores em suas terras que tão coladas nos rios. A Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa), do Balneário, vai desembolsar 15 unidades fiscais municipais (UFM), cerca de dois mil reales, por hectare reflorestado a cada ano. Terrenos em áreas de nascentes vão render um pouco mais, mas o valor ainda não foi definido.

A assessoria de imprensa da Emasa informou que ainda não tem uma estimativa dos gastos com a novidade, já que cada agricultor vai decidir se vai ou não fazer parte do projeto. Questionado se não tem problema a empresa meter o bedelho em terras que são de outro município, o assessor, Alexandre Velame, respondeu que não. “O projeto não é só de Balneário, é do comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Camboriú, do qual também faz parte a prefeitura de Camboriú. Os recursos é que são da Emasa”, disse.

Quem vai fiscalizar o repasse do dindim e bizolhar se as árvores foram mesmo plantadas é o pessoal do comitê. O mandachuva da entidade, Ênio Faquetti, acha que a ideia vai evitar que falte água nas torneiras do povão. “Hoje os rios correm numa velocidade muito grande e, sem mata ciliar, nada fica retido na bacia hidrográfica. Por isso não estamos aproveitando essa água”, diz.

Ele comentou que o mesmo projeto já deu certo em outros lugares do país. “Tem sete experiências como essa pelo Brasil. O importante é que, além de recompor a mata ciliar, resolve o problema com o produtor”, diz. Ele acha que se os agricultores fossem simplesmente proibidos de plantar nas margens dos rios, sem ganhar um dinheirinho em troca, acabariam com uma mão na frente e outra atrás. “São pequenos produtores. Um hectare pra eles faz falta”, acredita.

O chefão do sindicato dos agricultores da capital da pedra reconhece que a medida é importante pra ajudar a manter a vazão do rio. Mas diz que a grana é pouca pra compensar o preju. “Pros horticultores não vai compensar, porque vai ser pago uma vez por ano e eles têm várias safras durante o ano. Mas o projeto é importante”, considera.

Os pingos nos is dos interesses de um lado e de outro tão sendo avaliados em reuniões mensais do comitê da Bacia Hidrográfica. Enquanto isso, o projeto tá sendo analisado pelos edis na casa do povo. A proposta entrou em votação duas vezes, mas ganhou pedidos de vistas da turminha da oposição.

O vereador Fabrício de Oliveira (PSDB) acha que a tendência é que seja aprovado. “Tinha dúvida do vereador José Hannibal (PP) com relação a aspectos legais desse repasse, mas tá resolvido. Acho que o projeto é muito necessário e vou votar pela aprovação”, avisou. A líder do governo da câmara, Christina Barrichello (PPS), tá fazendo figa pela aprovação. “Quando foi pedido vistas falei que não é uma questão política, é de cidadania. Precisamos disso pra ontem”, lascou.

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