• Postado por Tiago

A vítima diz que não sabe o porquê da agressão que sofreu e agora só pensa em morrer

Gilberto Isensee, 44 anos, acredita não ter mais motivos pra viver. Ele está no fundo de uma cama, só chora e fala em morrer. Há quase dois meses, ele foi agredido por policiais militares que faziam rondas pelo bairro Cordeiros, em Itajaí. Durante a agressão, Gilberto teria batido com a cabeça e ficou desacordado. Ele foi levado ao hospital, onde recebeu a notícia de que não poderia mais andar. Desde então, a família conta que ele não tem mais motivos pra viver.

A agressão rolou na tarde do dia 31 de maio, um domingo. Gilberto, que é morador do bairro Cordeiros, tava passando pela rua Odílio Garcia, quando foi abordado por dois policiais fardados. A vítima não lembra de muito coisa, mas testemunhas contaram aos familiares que os PMs nem o deixaram abrir a boca. Eles já foram descendo o cacete na vítima. “Quem viu disse que um dos policiais deu uma rasteira no Gilberto, ele caiu e bateu a cabeça no chão”, revela a cunhada, Silvana Rocha.

Ela conta que depois disso, Gilberto ficou desacordado. Na tentativa de fazer a vítima voltar ao normal, os PMs pediram aos vizinhos um balde com água e jogaram em cima dele. Como não resolveu, decidiram chamar o Samu, que passou a bola pro corpo de bombeiros.

Gilberto foi levado pro hospital Marieta Konder Bornhausen e os familiares só ficaram sabendo do seu paradeiro no dia seguinte. “Ligaram pra mãe dele dizendo que o Gilberto tinha recebido alta. Quando ela chegou lá é que ficou sabendo que ele não poderia mais andar”, relembra Silvana. O médico explicou que um coágulo no cérebro fez com que ele perdesse os movimentos do lado direito do corpo.

A família do pescador está inconsolável. De trabalhador, Gilberto passou a depender totalmente da mãe. A cunhada conta que ele não consegue comer ou tomar banho sozinho. “É difícil entender o que ele quer dizer, mas ele fala em morte e chora muito. Além de não andar, está em depressão”, relata Silvana.

Logo após os fatos, a família de Gilberto registrou um boletim de ocorrência na 1ª depê. Como até agora nada foi feito, os familiares contrataram um advogado pra não deixar a tragédia passar em branco. Segundo o delegado José Celso Corrêa, responsável pelo inquérito que investiga a agressão, a denúncia também foi repassada ao ministério público, que definirá se o caso deve ou não ser encaminhado à justiça militar.

Batalhão não sabe do caso

O tenente Luiz Carlos Cruz dos Santos, responsável pela comunicação do batalhão da polícia militar peixeira, disse que nenhuma denúncia sobre o caso de Gilberto chegou até o comando de Itajaí. O tenente orienta aos familiares que procurem a corregedoria do batalhão pra formalizar a queixa. Assim, um inquérito será aberto pra investigar internamente a suposta agressão.

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