• Postado por Tiago

Pescadores querem definição dos locais pra poder capturar a isca viva

Pescadores de atum do sul e sudeste do país ameaçaram parar as atividades no pico da safra, que acontece entre janeiro e março do ano que vem. O anúncio foi feito ontem pelo presidente em exercício do sindicato dos pescadores de Santa Catarina (Sitrapesca), Manequinha Xavier de Maria. O sindicalista afirma que somente uma ação do ministério da pesca, redefinindo áreas de captura e o tamanho das sardinhas capturadas como iscas vivas, é que poderá evitar a greve.

Os pescadores reclamam que a atividade está ameaçada, principalmente, pela diminuição dos locais de captura da isca viva para a pesca do atum. ?A área de iscagem precisa aumentar, pois atualmente existem poucos locais no Brasil para este tipo de atividade?, alerta Manequinha. Um número de reservas ambientais marinhas e de restrições legais estariam impedindo cada vez mais os cercos aos cardumes de filhotes de sardinha.

Pra piorar a situação dos pescadores de atum, desde o ano passado uma normativa do Ibama impede que sardinhas com menos de cinco centímetros possam ser capturadas e usadas como iscas em atuneiros. Para Manequinha, isso cria uma situação insustentável para o setor. ?Não tem como você fazer um cerco e depois ficar escolhendo qual sardinha tem mais de cinco centímetros?, critica.

Manequinha argumenta ainda que a pesca do atum é uma das únicas no brasil considerada ecologicamente correta. ?É uma pesca seletiva, onde só o peixe adulto é capturado, não afetando o meio ambiente?, defende. O sindicalista lembra que nos demais países a pesca do atum é feita com redes de cerco, que acabam matando outros animais, como golfinhos e tartarugas.

Documento protocolado em Brasília

O chororô ao ministro Altemir Gregolin, da Pesca, foi protocolado diretamente em Brasília na semana passada. O documento do Sitrapesca informa sobre os problemas e alerta sobre a paralisação no pico da safra. ?A resposta do governo tem que vir até o começo do movimento, entre dezembro e janeiro. Eles não vão poder dizer que não estão cientes da situação?, lasca o presidente do Sitrapesca, em exercício. A assessoria do ministro da Pesca não sabia ontem da existência do documento. Foi o DIARINHO quem forneceu o número do protocolo e a data em que o ofício foi entregue diretamente no ministério. O assessor Maurício Athayde disse que algum representante do órgão iria se manifestar sobre o caso depois de analisar o documento.

Pressão pra cima da patrãozada

Os patrões também teriam recebido uma pressão dos trabalhadores para entar na briga. ?Eles também terão que se virar, têm interesse direto no assunto?, afirma Manequinha.

Dario Vitalli, presidente do Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí (Sindipi), afirmou que somente hoje se manifestará sobre o assunto. Dario voltou ontem da Feira Internacional da Pesca, na Espanha, e disse que tomará pé do assunto antes de emitir uma opinião sobre a situação.

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