• Postado por Tiago

O motorista de pesca Sérgio Augusto San Martin dos Santos, 46 anos, desce a lenha no programa de capacitação dos presos para o setor. “É injusto”, diz ele.
Sérgio tem seus motivos. Conta que na semana passada procurou a Capitania dos Portos para tentar inscrever seu filho Márcio, de 18 anos, e um vizinho também jovem num dos cursos para pescadores profissionais. Lá, foi informado que não havia mais vagas para este ano, mas que o Sindipi estaria promovendo um curso. No sindicato patronal, Sérgio foi surpreendido com a informação de que as vagas eram somente para presos.
“Quer dizer que quem nunca fez nada de errado não consegue fazer o curso e aprender uma profissão, mas quem já teve preso por ter prejudicado a sociedade tem vaga garantida?”, questiona.
O pescador garante que não tem preconceito contra os ex-presidiários e seu direito ao trabalho. “Das 30 vagas, só 10 deviam ser pros presidiários e 20 pras outras pessoas que não tão presas”, sugere.
Adaptação será difícil
Manoel Xavier de Maria, o Manequinha, presidente do sindicato dos pescadores de Santa Catarina, também critica o programa. Ele teme que possa haver problemas na adaptação dos presos ao sistema de trabalho na pesca. “Tem que ver se os ex-presidiários vão gostar de ficar 45 dias lá fora, pescando, confinados, depois de terem ficado um bom tempo presos”, pondera. “A gente tem que se perguntar o seguinte: as pessoas já estão em um local restrito, daí vão sair de um isolamento pra ir pra outro?”, completa.
Curso não faz parte da programação normal, explica comandante
O comandante da Capitania dos Portos de Itajaí, Edílson Vieira Salles, garante que não há nada de irregular no curso destinado aos apenados. “Assim que surgiu a ideia nós consultamos a legislação e como não há impedimento, abraçamos o projeto e vamos colocar em prática”, afirmou.
Edílson fez questão de dizer que o curso não faz parte programação anual de capacitação dos pescadores pela Capitania dos Portos e foi autorizado pelo comando da Marinha do Brasil. Todo o dinheiro gasto com o projeto, afirma o comandante, vem do fundo de desenvolvimento do ensino profissional marítimo. “Como o curso destinado só aos presidiários é inédito, ele é um exemplo e nós esperamos que se espalhe pelo país”, se orgulha o chefão da Capitania.

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