• Postado por Tiago

Uma afirmação que desde a infância está gravada na memória é a que diz: “tudo o que é demais enjoa”. De fato, o leitor já teve ter vivido a experiência de ficar enjoado sempre que praticou ou sofreu um excesso.

Caso tenha comido demais, ficou indisposto; se correu demais, acabou cansado; se ouviu demais, teve dor de cabeça que também pode ter resultado do excesso de leitura contínua. Enfim, para tudo há de estabelecer-se um limite.

Hoje resolvi, por estar enjoado, para não dizer enojado, com as peripécias senatoriais, esquecer este governo que está aí. Por isso vamos nos ocupar de outro assunto.

Em maio de 2007, comentando a invasão de um prédio desocupado no centro de São Paulo, o Edifício São Vito, levada a efeito por um grupo de sem-teto, cerca de 300 pessoas, em protesto contra o fim do bolsa-aluguel e a demolição do local, incluí o depoimento do menor J.M.N. (12 anos) que disse ali encontrar-se só com seu irmão de oito anos (G.M.N.), pois seus pais estavam longe, num prédio da rua Mauá invadido anteriormente e seu irmão havia “ficado sem ar por causa das bombas de gás”.

Tal depoimento mereceu destaque, pois colocado ao lado de outra notícia, um pouco anterior, ensejou uma reflexão sobre a “seriedade” destes protestos orientados pelos denominados “movimentos sociais” e tão em moda nos dias que correm.

Noticiou-se, na época, o surgimento, na Alemanha, de uma organização que alugava manifestantes para diferentes causas. Pelo valor aproximado de R$ 300,00 um manifestante de aluguel participa da multidão, carregando cartazes, gritando palavras de ordem e defendendo uma causa que não é a sua e que não o afeta diretamente.

Afirmei ser antigo o uso do empréstimo de manifestantes que nada têm a ver com a causa e a condição social daqueles em cujo nome a manifestação se faz. Lembrem-se de fato recente quando sindicalistas da CUT foram surpreendidos em invasões do MST, e que anteriormente já haviam sido identificados em demonstrações na Praça dos Três Poderes.

Considerando que tal afirmação foi contestada, retorno ao assunto relatando o resultado de uma pesquisa na internet onde encontrei o site “Consultor jurídico” que no dia 4 de agosto passado publicou uma reportagem assinada por Rodrigo Haidar e Felipe Coutinho. Afirmando que “sindicalistas de Brasília inventaram um método prático, econômico e seguro de fazer protestos e promover manifestações sem precisar deslocar manifestantes do resto do país com o objetivo de convencer alguém sobre a causa a ser defendida.”

“Para isso, criaram o manifestante profissional. Com R$ 40 por cabeça, é possível reunir até duas mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, para defender ou atacar qualquer coisa, tomar partido contra ou a favor de qualquer um.”

Revelando que a grande especialista em tais “movimentações” é a entidade recém surgida sob a denominação de “Nova Central Sindical” que se intitula representante de sete confederações, 136 federações, três mil sindicatos e cerca de 12 mil trabalhadores, a qual mobilizou pessoas por algumas horas em defesa de “suas causas”. “Tudo pago com notas de R$ 20”.

A reportagem revela ainda o nome de agenciadores de manifestantes, “com grande experiência no ramo”.

Torno a repetir o que escrevi há dois anos: decididamente estes “ativistas” têm uma péssima consideração com os atributos intelectuais de uma expressiva maioria de brasileiros. Julgam-nos um bando de indigentes culturais e, até mesmo, analfabetos como seus companheiros de ideário político.

Esclareço que uso o adjetivo “analfabetos” não é para acusá-los de ignorantes da arte da leitura, no que respeita à junção de caracteres gráficos para formar uma palavra. Mas por desconhecerem as mais simples regras de lógica para compreender o significado social de um dispositivo legal. Agem com hipocrisia.

Do jeito que a coisa está indo, talvez se transforme em altamente rentável o exercício da profissão daquelas mulheres mercenárias que acompanhavam os funerais pranteando os mortos, denominadas “carpideiras”, que deverão ser contratadas para acompanharem o sepultamento da moralidade neste país.

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