• Postado por Tiago

Dois homens acusam a Polícia Militar de Piçarras de ter descido a lenha pra cima deles na tarde de sábado. Como se não bastassem as agressões, os dois ainda teriam sido algemados e enfiados num camburão. Quando os PMs viram que os caras não tinham culpa de nada, liberaram. O pintor L.R.S., 32 anos, trabalha em Barra Velha e diz que tava com um amigo dando uma bizoiada na relojoaria Charme Bijou, na avenida Nereu Ramos. Depois que ele voltou pra casa, uma funcionária da loja teria chamado a polícia acusando-os de serem assaltantes.

L. conta que sete viaturas pararam na frente da pousada onde mora e 25 fardados invadiram seu quarto e começaram a espancá-lo. O pintor apanhou tanto que ficou com marcas por todo o corpo.

Depois de passar seis horas na delegacia, ele foi liberado. L. diz que os PMs ainda ameaçaram que iriam incriminá-lo por porte de maconha caso ele registrasse um boletim de ocorrência policial sobre a tortura. O pintor decidiu não dar bola pra ameaça e registrou a ocorrência, mas na cidade de Massaranduba. Ele alega que não quiseram aceitar o B.O. em Piçarras, em Itajaí e nem em Guaramirim.

Também levou pancada da PM

O vigilante Jean Carlos da Silva, 33 anos, teria sido a outra vítima da suposta violência policial. Ele mora na mesma pousada que L. Relata que tava dormindo quando os policiais invadiram o local detonando tudo. “Já chegaram me algemando e batendo em mim, dentro do meu quarto mesmo. Depois me levaram pros fundos da pousada, já que tinha muita gente olhando, e continuaram as agressões. Só pararam porque chegou um cabo da PM que me conhecia e sabia onde eu trabalhava”, lembra.

Jean chegou a desmaiar de tanta pancada. Conta que depois que o levaram pro batalhão e viram que sua ficha era limpa, o tratamento mudou. Os policiais teriam pedido desculpas, com a justificativa de que apenas o confundiram com um suposto parceiro de L. “Depois me trataram bem e até água me ofereceram. Mas a agressão já tava feita, vou ver com meu advogado, já registrei B.O., fiz exame de corpo de delito e não vou deixar por isso”, completou.

Tem ficha suja

O sargento PM Douglas Ferreira Oliveira, de Piçarras, negou as agressões e garantiu que a historinha é bem diferente. Disse que a polícia andava atrás de um grupo que tava solto pela city, batendo foto de tudo quanto era banco, caixa eletrônico, lotérica e pelo comércio de Piçarras. “No sábado, um dos elementos chegou na relojoaria e disse que era policial civil. Segundo as informações, ele pegou o telefone e pediu reforços”, explicou.

O sargento alega que os comerciantes suspeitaram do cara, ligaram pra PM e informaram que o falso puliça morava numa pousada ali perto. “Chegamos direto nesse cidadão, o Luis Ricardo Stringari, e constatamos que a ficha dele tá bem suja, com passagens por estelionato, formação de quadrilha e assalto a banco”, afirmou o sargento.

Conta o sargento que as denúncias davam conta de que o companheiro de Luis era parecido com Jean e por isso foram investigá-lo. Mas garante que não teve porrada nenhuma. “Como a ficha dele tava limpa, liberamos ele na hora”, disse.

Com relação à montoeira de baratinhas e fardados que invadiram a casa dos dois, o sargento também desmente. “Temos apenas duas viaturas na cidade e não sete. E não foram tantos policiais envolvidos, disso eu tenho certeza”, completou.

De acordo com o policial, Luis foi levado pra delegacia civil e liberado, mas uma investigação deve rolar na city pra esclarecer direitinho o assunto.

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