• Postado por Tiago

Uma reunião que definiria o repasse do plano de carreira da polícia civil à Leleia terminou em uma baita saia-justa entre os civis e o alto comando da polícia militar. Oficiais da PM resolveram meter o bedelho no projeto e pedinchar os mesmos benefícios que tão previstos à polícia civil. Acuado, o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) adiou o envio do papéli pra votação. Os policiais civis não gostaram nadinha dessa história e acusam o governo de ter usado a rixa pra empurrar com a barriga o prometido plano de carreira.

O encontro, que rolou no início da semana na casa da Agronômica, em Floripa, era pra acertar com os deputados os últimos detalhes pro envio de alguns projetos à Leleia, entre eles o do plano de carreira. Mas quando representantes da polícia civil chegaram à reunião, encontraram uma renca de oficiais da PM dando pitacos no papéli. “A PM ficou sabendo da possibilidade de reposição salarial e tentou impedir”, contou o delegado-chefe da polícia civil, Maurício Eskudlark.

Diante do falatório dos homens de farda, alguns dos 21 deputados que formam a base do governo começaram a questionar itens do projeto. O governador, então, decidiu marcar uma nova reunião pro dia nove de junho. Até lá, os deputados vão ter que estudar a proposta.

Não gostaram

Representantes das entidades de classe da polícia civil ficaram tiriricas com a intromissão. “O que a PM fez foi inadmissível. Quando o plano de carreira deles foi discutido, a polícia civil não interferiu. Parece que os oficiais da PM querem a separação entre as polícias e nem nós, nem a sociedade, podemos deixar que isso aconteça”, lascou a presidenta da associação dos delegados da Santa & Bela, dotôra Sônea Mara Ventura Neves.

O mandachuva da polícia civil, dotô Eskudlark, também estranhou a atitude dos militares. “Acho que não deveria ter acontecido, mas respeito. Vamos em busca de um consenso pra evitar que as relações, que já não são fáceis, piorem”, soltou.

Pro presidente do sindicato dos trabalhadores em segurança pública (Sintrasp) do estado, João Batista da Silva, a causa de todo o perrengue é uma picuinha partidária. “O problema é interno, partidário. Não vamos comprar essa briga e nem permitir sermos usados como moeda de barganha em interesses político-partidários”, carcou.

Questionado sobre a postura da PM, João disse que o interesse dos militares no assunto era natural. “Isso faz parte. Mas nunca fui ao comando militar discutir questões da PM. Quem deveria limitar isso era o governador”, afirmou.

O DIARINHO tentou ouvir o comandante da polícia militar, coronel Eliésio Rodrigues, sobre os pitacos no plano de carreira da polícia civil. Sua assessoria de imprensa informou que ele não se manifestaria sobre o caso.

O secretário de segurança da Santa & Bela, Ronaldo Benedet (PMDB), nega que esteja rolando arranca-rabo entre as polícias. “Sempre existiram questões corporativas, desde a criação da polícia civil e da militar. Mas não foi uma intromissão da PM, eles têm direito de se manifestar”, considera.

Benedet garantiu que o projeto será encaminhado pra Leleia o mais rápido possível. Por via das dúvidas, o pessoal do Sintrasp já começou a reunir-se com os deputados da base governista pra conquistar apoio e garantir um votinho favorável.

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