• Postado por Tiago

Deputado estadual diz que armaram pra cima do coitado do soldado

O soldado PM Jorge Castanha de Araújo, de Balneário Camboriú, vai amargar uma cana de três anos apenas por discordar da decisão de um oficial e corre o risco de acabar sendo expulso da corporação. A denúncia foi feita ao DIARINHO pelo PM aposentado J.J. e confirmada pelo deputado estadual Amauri Soares (PDT), que é sargento e presidente da Associação dos Praças e Sub-oficiais da Polícia Militar de Santa Catarina (Aprasc). O comando da PM de Balneário Camboriú preferiu não se manifestar sobre o assunto.

A prisão de Castanha aconteceu em agosto, quando o Tribunal de Justiça Militar confirmou a condenação da primeira instância da dona justa estrelada. Para o sargento Soares, a decisão é uma injustiça. “Foi uma arbitrariedade, um absurdo e isso prova que o regulamento disciplinar e o código penal militar não servem para os trabalhadores da segurança pública”, carca o presidente da Aprasc.

O rolo todo começou em fevereiro de 2005. O sargento Soares conta que policiais militares teriam detido suspeitos de atirar contra um colega de serviço e estavam em busca do PM que poderia reconhecer o autor dos disparos. Como o policial não foi encontrado, o então tenente Evandro, que era o oficial responsável pelo plantão, mandou via rádio que liberassem os suspeitos. Também por rádio, diz ainda o deputado, o soldado Castanha teria sugerido ao centro de operações da PM que fossem buscar em casa o colega de farda. O oficial teria tomado a sugestão de Castanha como uma contraordem e determinou que às sete das matina seguinte ele se apresentasse ao quartel.

A partir daí, acusa o deputado, começou uma armação de oficiais contra o soldado. Castanha não pode entrar acompanhado na sala onde estavam apenas os tenentes Evandro e Egídio. O soldado teria sido destratado pelos oficiais e saiu da sala, com o tenente Egídio, hoje capitão, em seu encalço. “Castanha foi ao banheiro e o oficial foi atrás. Lá, houve uma discussão, apenas isso”, garante o presidente da associação dos praças.

A suposta armação, afirma o sargento Soares, acabou acontecendo quando o tenente saiu do banheiro afirmando que foi agredido pelo soldado. “O oficial não apresentou nenhum laudo de agressão, somente um celular quebrado”, conta o sargento Soares, completando: “Houve uma armação. Eu trabalhei 21 anos na ativa na PM e já vi um monte de vezes alguém dar uma sugestão e até discordar e no máximo levar um esporro”.

A partir daí a coisa se complicou para Castanha. O soldado pegou 18 dias de cana e depois respondeu ao processo em liberdade. O Tribunal Militar o condenou em primeira instância e o Tribunal de Justiça Militar confirmou a decisão. Castanha já tá cumprindo a pena, recolhido no quartel de Balneário Camboriú. O pior de tudo, diz o deputado sargento Soares, é que pena de três anos resulta em expulsão da corporação.

Comando faz boquinha de siri

O capitão Ronaldo de Oliveira, da assessoria de comunicação do 12° Batalhão da Polícia Militar, em Balneário Camboriú, disse que o comando não vai se manifestar sobre o assunto, argumentando que a decisão foi do Judiciário e não da PM.

Para o deputado sargento Soares, a PM tem tudo a ver com a condenação de Castanha. “O Tribunal de Justiça Militar é formado por um juiz togado e por quatro oficiais da ativa. Não tem como um praça ganhar quando a causa envolve um oficial”, criticou o parlamentar, que apresentou a denúncia na tribuna da Assembleia Legislativa.

Os advogados da Aprasc tentam agora uma revisão do processo de Castanha, pra tentar ao menos diminuir a pena e evitar que ele seja expulso da corporação depois de 30 anos de serviços.

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