• Postado por Tiago

Com medos das consequências, Nei Silva preferiu não falar pra imprensa

O delegado da polícia Federal peixeira, Fábio Alceu Mentes, ouviu ontem o dono da editora Blumenauense, que publica a revista Metrópole, Ivonei Raul da Silva, o Nei Silva. Ele é investigado por extorção contra o governo do estado da Santa & Bela. O empresário é acusado de tentar extorquir R$ 1,6 milhão para não publicar um livro com denúncias contra Luiz Henrique da Silveira, secretários e prefeitos.

Nei teve que explicar como fitas com gravações de conversas entre ele e o prefeito de Içara, Gentil da Luz, que na época era secretário da secretaria Regional da Terra do Carvão, foram cair na boca do povo, na rádio e na internet no período eleitoral em 2008. O crime está sendo investigado pela polícia Federal de Criciúma, mas Nei foi ouvido em Itajaí, a pedido do delegado que preside o inquérito. Nei chegou a falar com a reportagem do DIARINHO, mas no começo da noite de ontem pediu para tirar o seu depoimento da reportagem, com medo das consquências, pois o processo corre em segredo de justiça.

Nas conversas os dois negociam uma parte da dívida do governo do estado com a Metrópole para a publicação de três edições da revista e 100 outdoors falando bem da descentralização de Luiz Henrique da Silveira. No acordo entre Gentil e Nei, o governo pagaria 300 mil reais à editora pela propaganda. Nei diz que 43 mil tinham sido quitados quando recebeu um cheque pessoal de seis mil reais sem fundos do prefeito de Içara.

Com o cheque em mãos, Nei teria começado a receber ameaças de morte pra devolver o voador. No depoimento ao delegado, o empresário disse que várias pessoas tinham acesso às fitas, como assessores e o editor da Metrópole, jornalista Danilo Gomes, mas negou ter divulgado as provas contra Gentil.

O livro da discórdia

Depois de tomar dois calotes, em um acordo que teria acontecido numa reunião entre uma assessora da revista e governador, o dono da Metrópole resolveu escrever o livro ?A Descentralização no Banco dos Réus?, lançado ano passado. O livro não chegou a ser comercializado, pois o governo conseguiu na justiça a censura da publicação. A alegação do governo era que o livro apresentava acusações de crime eleitoral na administração de Luiz Henrique.

A publicação conta com notas e documentos que supostamente seriam provas de como o governo pretendia pagar pela divulgação, denunciando um esquema envolvendo figurões do PMDB, prefeitos e empresas privadas ligadas ao partido. Apesar da suspensão da publicação, o dono da Metrópole continuou cobrando a dívida dos 800 mil, definidos em acordo verbal com representantes do governo, que com os juros chega a R$1,6 milhões.

Em junho do ano passado o empresário foi preso em flagrante por extorsão em um hotel chiquetoso na capital, quando pretendia receber 40 mil do ex-secretário de Planejamento do estado, Armando Hess de Souza. A acusação, confirmada pelo delegado da Deic Renato Hendges, é de que Nei taria cobrando para não divulgar o livro. O advogado de Nei, Benjamim Coelho Filho, garante que está provada a inocência de seu cliente e de Danilo Gomes. ?Entre os documentos da defesa existem gravações da polícia Civil combinando a farsa da prisão por extorsão?, disse o advogado. Faltam ainda três testemunhas de defesa que devem ser ouvidas até abril, quando o juiz da capital Leopoldo Augusto Brüggmann deve pronunciar sentença.

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