• Postado por Tiago

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É nesse ambiente que a pequena M. tem que ficar porque os pais precisam trampar

A comerciante Oneide Teixeira Kunz, 53 anos, tá preocupada com o futuro de sua netinha. Ela conta que a pequerrucha M.E., de apenas nove meses, não tem outra opção a não ser passar os dias na loja e oficina de produtos industriais da família e conviver com cheiro forte de produtos químicos e uma barulheira desgraçada. Emerson Teixeira Kunz, filho de Oneide e pai da criança, tá há um mês na luta pra conseguir vaga numa creche pra filhota, mas por enquanto a neném é obrigada a viver dentro do comércio dos avós. ?Eu estou estressada e até tomando antidepressivo?, diz dona Oneide.

A pequena M. passa a maior parte do dia com a avó no comércio, onde também funciona uma oficina e que fica na avenida Sete de Setembro, centro de Itajaí. A nora de dona Oneide trabalha cuidando de uma senhora e o pai trampa no comércio da família. Há um mês, os pais de M. procuraram a creche Valdemir de Souza, nos Cordeiros, mas foram informados de que a fila de espera tava gigantesca.

A responsa por enquanto acabou caindo em cima da avó, que diz estar quase entrando numa deprê. ?Eu tô deixando de reinvindicar coisas pro meu filho especial por causa desses problemas?, afirma a comerciante. O garoto de 17 anos é autista e dona Oneide não tá comparecendo nas reuniões no Centro de Apoio Psicossocial (CAPS I) para acompanhar seu estado de saúde.

Além de dar conta de todo o serviço do comércio e cuidar do filho especial, dona Oneide se divide em duas pra ficar de zóio aberto em cima da netinha. A avó revela que volta e meia não tem alternativa a não ser deixar a criança sozinha na oficina cheia de parafernália, pois precisa atender os clientes.

Emerson conta que a filhotinha acorda cedo, mal consegue dormir no seu bercinho dentro da oficina e demonstra não gostar do ambiente. ?É muito barulho de máquina trabalhando. Ela não gosta de ficar aqui?, lamentou o paizão.

Para a avó, a secretaria de Educação deveria rever quem realmente tá precisando dessas vagas nas creches e liberar lugar para os pais que não têm onde deixar os filhos. ?Foi promessa de campanha do Jandir. Eles têm que fazer alguma coisa. É obrigação deles?, cutuca dona Oneide.

Bagrona admite falta de vagas

Sueli Costa, diretora de ensino infantil da secretaria de Educação de Itajaí, disse ao DIARINHO que a faixa etária de M. é justamente a mais crítica, na qual existe a maior procura por vagas. A diretora admitiu que a fila de espera é grande e que não há possibilidade de atender a todos os casos imediatamente. Sueli disse ainda que vai avaliar a situação de dona Oneide e verificar outras creches nas proximidades da casa da família para tentar encaixar a menina numa vaga.

Sueli informou também que a secretaria de Educação está fazendo novo levantamento pra ver se algumas crianças que constam nas listas de espera já foram contempladas com alguma vaga. As creches de Itajaí atendem hoje 7,5 mil crianças e, diz a diretora de Educação Infantil, este levantamento servirá para que a prefeitura saiba exatamente qual é o déficit e possa abrir novas vagas. Sueli afirma que até o final deste ano, quem precisar de vaga terá de ser remanejado dentro das que já existem. ?Para atender a todos, agora, teríamos que alugar grandes espaços e adaptá-los para receber as crianças, o que é impossível fazer em pouco tempo?, justifica, completando: ?Quando nosso levantamento estiver concluído, conseguiremos abrir novos centros de educação infantil, o que deve ocorrer já para o próximo ano letivo?.

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