• Postado por Tiago

Balsa só funciona de dia e bateiras ilegais fazem o trampo à noite

Barquinhos improvisados têm feito a travessia do povão que precisa ir da barra sul pro bairro da Barra, em Balneário Camboriú, durante a madrugada. Usuários do serviço dizem que se pelam de medo durante o trajeto, porque as bateiras não têm nenhuma segurança. O esquema não é autorizado nem pela prefa, nem pela marinha. O chefão da capitania dos Portos em Itajaí promete fiscalizar o leva-e-traz e pede que os moradores evitem usar o transporte.

Durante o dia e boa parte da noite, a travessia é feita por uma balsa, licitada pela prefa. O problema é que o serviço, que é digrátis, só vai até a 1h da madrugada. Depois disso, quem precisa atravessar tem que dar a volta pela BR-101 ou se arriscar nos barquinhos. Pra cada viagem, os barqueiros cobram R$ 2.

Valdirene Fernandes, 40 anos, trabalha como diarista num restaurante da Maravilha do Atlântico e diz que não consegue sair do serviço a tempo de pegar a balsa. ?Durante a temporada a gente é obrigado a trabalhar até mais tarde. Quando saio, não tenho coragem de ir pela BR porque é perigoso. Acabo pegando a bateira?, diz. Ela comenta que fica tensa enquanto atravessa o rio Camboriú. ?Já cansei de pegar barco com bêbado remando e não tem coletes salva-vidas. Minha preocupação é se acontece alguma coisa e o barco vira?, diz.

O comandante da capitania dos Portos peixeira, capitão Alexandre Herculano Pinto Malizia Alves, disse que o serviço não é autorizado pela marinha. ?Esses barcos pequenos não têm sequer inscrição na capitania dos portos e o condutor não precisa ter habilitação. As pessoas que estão usando esse serviço estão se expondo a um risco que não deve ser assumido?, comentou.

O capitão diz que o transporte pago pelo povão em bateiras é proibido, mas é difícil fazer a fiscalização justamente pelo fato dos barquinhos não serem regularizados. Mesmo assim, prometeu que vai mandar fiscais pra bizolharem a situação.

Sem autorização

As bateiras também não têm alvará da prefa pra fazerem o transporte. O mandachuva da fiscalização da Fazenda, Gilberto Hostins, disse que, pra ganharem autorização, os donos dos barcos precisariam apresentar uma lista de documentos, que inclui a autorização da marinha. ?É passível de fiscalização e é caso de polícia?, disse.

A sugestão de Valdirene pra melhorar a situação dos moradores da Barra que trampam no centro do Balneário, é estender o horário da balsa durante a madrugada. ?A gente nem se importaria se tivesse que pagar. Pelo menos é mais seguro?, disse.

O diretor do departamento de compras da prefa, Rui Bobner, que cuida do contrato com a empresa dona da balsa, disse que a possibilidade existe. ?Mas pra isso precisamos de uma solicitação da comunidade, da associação de moradores, por exemplo, e de um estudo jurídico?, contou.

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