• Postado por Tiago

INTERNA_9_ABRE---Protesto-Moradia-Itajaí---Daiana-Fantoni-e-o-filho-Leandro

Daiana veio de zica do Cidade Nova, junto com o filhotinho, pra fazer parte do protesto

Os sentimentos de todos os que participaram do protesto são os mesmos: desespero e revolta. No começo da tarde de sábado, enquanto alguns aproveitavam o dia de sol no parque ecológico do São João, cerca de 50 pessoas que perderam suas casas na enchente de novembro se reuniram no local pra chamar a atenção da prefeitura de Itajaí. Cartazes traziam frases de indignação contra a decisão da prefeitura de tirar as famílias dos abrigos ou não mais pagar os aluguéis de casas, sem que lhes dar alternativa de moradia.

O casal Alberto Luiz da Silva, 29 anos, e Terezinha de Lima da Silva, 25, morava na rua Otto Hoier, no Cidade Nova. A baiuca deles foi tomada pela água e quase nada se salvou. Hoje, junto com o filho de dois anos, moram numa casa alugada pela prefa, já que a antiga foi interditada. Mas o contrato de aluguel termina no próximo mês e a família ainda não tem pra onde ir. ?Eles falam que a gente já tá inscrita no programa de habitação e que por enquanto é pra ir pra casa de parentes. Mas nós não temos parentes aqui?, desespera-se Alberto.

José Pereira, 53 anos, aposentado por invalidez, ganha um salário mínimo por mês pra sustentar a família. A baia dele, que também fica na rua Otto Hoier, não tem mais condições de abrigar as suas duas crianças. Seu José conta que resolveu protestar porque não vê luz no fim do túnel. No cartaz feito de próprio punho, a frase dava uma cutucada nas promessas de campanha do prefeito Jandir Bellini: ?O lema era sorrir, agora é só chorar?.

A deficiente auditiva Daiana Fantoni, 27 anos, não poupou esforços pra participar da manifestação. Ela veio de bicicleta do bairro Cidade Nova com o filho na garupa. O menino de três anos ajudou a mãe segurando o cartaz de protesto que dizia: ?Eu quero minha casa. Sou pobre, mas mereço?.

Dona Virgínia Rodrigues, 35 anos, vendedora autônoma e dona de uma casa interditada na rua João Dalmolin, na Canhanduba, disse estar cansada de promessas. A mulher tá inconformada com a situação. Além dos três filhos menores, ela cuida da mãe de 79 anos, que é cadeirante e deficiente visual. Se nada for resolvido até o mês que vem, quando vence o contrato de aluguel, a autônoma já sabe o que fazer. ?Vou pegar minha família e vou morar lá na prefeitura?, ameaçou.

  •  

Deixe uma Resposta