• Postado por Tiago

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Betty, da lanchonete, é a única a abrir aos domingos quando tem navio

Há 35 anos o bar da Betty está discretamente instalado no finalzinho da rua Hercílio Luz. Do outro lado da rua, fica a histórica igrejinha da Imaculada Conceição. É como se o profano e o religioso convivessem em harmonia. Hoje, dá pra dizer que o bar da Betty herdou dos extintos café Democrático e Bar da Trude o título de ponto de encontro tradicional, tanto da gente do povo quanto de políticos itajaienses.

As três décadas e meia de portas abertas deram à dona Elisabet Pruner de Oliveira tino suficiente para perceber na chegada dos transatlânticos uma oportunidade de ganhar dinheiro. ?Eu abro todo domingo que tem navio?, afirma, garantindo que comercialmente vale a pena sacrificar o que seria o único dia de descanso da semana.

Para o secretário de Turismo, Wagner de Souza, Betty pode ser o começo de uma nova cultura do comércio peixeiro. ?Eu conversei com ela pra ficar aberta quando os navios chegam e isso já é uma sementinha?, diz o secretário, na esperança de que outros empresários da Hercílio Luz, a mais importante rua do comércio local, também abram suas portas nos domingos em que os transatlânticos estejam atracados no píer.

Lojistas não abrirão aos domingos

Mas a esperança do secretário, por enquanto, não encontra eco entre os lojistas. ?O que nós vamos apresentar aos turistas? Geladeira? Televisão? Leva-los ao shopping? É até ridículo?, diz, sem meias palavras, o comerciante José Dada, presidente da câmara de Dirigentes Lojistas de Itajaí (CDL).

Dada afirma que não há intenção ou qualquer debate entre os comerciantes para abrir as lojas da Hercílio Luz aos domingos. Não vale a pena comercialmente, afirma. Ele argumenta que o turista, ao chegar aqui, não procura eletrodomésticos ou roupas. ?Eles têm alto padrão e vêm de cidades grandes, onde tem um comércio muito mais pujante e bem melhor que o nosso?, argumenta.

O chefão da CDL acredita que a prefeitura está no caminho certo ao adaptar a quadra de entorno do píer para receber os turistas. ?Depois de tanto a gente falar, colocaram na cabeça que realmente temos que fazer uma apresentação ao turista dos nossos potenciais. E é o que está sendo feito, mesmo que ainda seja pouco?, alfineta.

A prefa também teria acertado ao abrir espaço para os artesãos. ?Temos um artesanato riquíssimo e que sustenta muitas famílias?, comenta. E seria esse artesanato, na concepção de José Dada, o tipo de produto que os turistas procuram.

Betty, dona do único ponto comercial que abre aos domingos quando aparecem os navios, discorda. Garante que os turistas reclamam muito do fechamento do comércio da Hercílio Luz. ?Eles [os turistas] chegam aqui e me perguntam: Pois é, vocês só comem nessa cidade? Não compram roupas??, conta a dona da tradicional lanchonete.

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