• Postado por Tiago

Família deixou casa na Vila da Miséria e foi pro São Viça

O sol que brilhou durante todo o dia de ontem não conseguiu tranquilizar o povo peixeiro, que ainda se recuperava dos alagamentos da terça-feira. No abrigo montado no salão paroquial da igreja católica do São Vicente os desabrigados esperavam pela chuva, que chegou à noite, com a orientação de não voltar pra baia. Quem ficou em casa, nas áreas atingidas, tentava limpar a sujeirada, mas não tirava os olhos do céu e o do nível do rio. Hoje e amanha, a previsão é de chuva para toda a região.

No salão paroquial do São Vicente, cerca de 100 desabrigados ainda estavam cadastrados até meio da tarde de ontem. A coordenadora do abrigo improvisado pela prefa, Anadir Schneider, garantiu que a estrutura vai permanecer montada pelo menos até o fim de semana. ?Temos previsão de chuva e as pessoas aqui são orientadas a não voltar pra casa por enquanto?, explicou.

Quem ficou no abrigo garantiu pelo menos colchão, rango e um ambulatório improvisado pela secretaria de Saúde. A família de Fábio Palhano, 27 anos, foi uma das que deixou a casa cheia d?água pra trás e foi procurar ajuda no São Viça. O servente de pedreiro mora com a esposa e ais quatro filhos na localidade da Murta, nos Cordeiros, no lugar conhecido como Vila da Miséria.

Na segunda-feira, por volta das 23h30, ele e a família deixaram a casa com uma trouxa de roupas embaixo do braço e fugiram pra casa do pai de Fábio, que fica no Cidade Nova. Quando chegaram à conclusão que não dava mais pra ficar lá, a água já estava pela cintura e a família só conseguiu sair de casa de bateira. ?Coloquei as crianças na bateira e fui saindo, se não aparece uma viatura da polícia pra me ajudar, acho que tinha perdido meus filhos?, relembra.

Em novembro do ano passado, Fábio morava no Cidade Nova e perdeu tudo na enchente. ?A nossa casa agora é toda montada com resto que a gente catou depois da enchente do ano passado. O guarda-roupa nem tem porta?, conta. Pra piorar a situação, a obra em que o servente estava trampando pra ganhar seu salarinho de 200 contos por semana parou por causa da ameaça de enchente.

Limpeza em Cordeiros

Nos bairros atingidos pelos alagamentos o dia foi de limpeza. Na rua Archimedes Lobo Johansen, na Murta, o casal Wilmar Eigen, 45, e Enalmir Terezinha, 43, estava com a mobília toda fora de casa e com todas as portas e janelas abertas. Mangueira e vap ajudavam no trampo de tirar a sujeirada de dentro de casa.

Quando a água chegou, na segunda-feira, Enalmir ajudou o marido a colocar os móveis no segundo andar da casa, que ainda está em construção, e simandou pra casa do genro com a filha mais nova, de dois anos. Wilmar ficou em casa pra garantir a segurança do patrimônio e ainda sobrou disposição pra ajudar uma vozinha e mais seis netos, que, sem ter pra onde ir no meio daquela aguaceira toda, passaram a madrugada de terça-feira na casa do casal, de favor.

Ontem à tarde, Wilmar e Enalmir terminavam a limpeza sem se preocupar com a chuva que era prevista já pro início da noite. Wilmar já estava preparado pra passar mais uma noite sozinho, se as águas do Itajaí-Açu voltassem a subir. ?Se a água vier, eu saio correndo. Depois da enchente de novembro, eu fiquei traumatizada e nem posso ver água na minha frente?, completou Enalmir.

Chuvarada hoje e amanhã

Na noite de ontem a chuva começou fraquinha, confirmando a previsão da Epagri. Os meteorologistas garantem que a chuvarada cai em toda a região hoje e amanhã. No sábado, o tempo volta a melhorar e, no domingo, a formação de uma nova frente fria também tá prevista.

Wilmar e Enalmir passam o dia limpando a casa

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