• Postado por Tiago

A maioria dos professores municipais não sabe a língua de sinais

Nem tudo são flores quando o assunto é inclusão social nas escolas pras pessoas com deficiência. Muitos professores que atuam nos colégios comuns não têm a formação necessária pra lidar com os alunos especiais. O supervisor da área, Álvaro da Silva, explica que a matrícula pra deficientes é obrigatória, por lei, em qualquer colégio. Mesmo assim, revela o especialista, não há adequação no ensino pra todos os tipos de deficiência.

O principal problema hoje é com o estudante surdo. As escolas peixeiras têm 17 alunos com surdez total e outros 23 com surdez leve, mas faltam intérpretes pra atender estas pessoas. ?A maioria dos professores não sabe a língua brasileira de sinais e precisa da ajuda de um intérprete pra se comunicar com o aluno?, relata Álvaro.

Em 2009, a prefa conta com somente 10 profisisonais contratados especialmente pra cuidar da comunicação dos surdos. Pra dar conta do recado, a maioria deles trabalha em dois turnos. O ideal, disse Álvaro, seria pelo menos mais seis intérpretes, o que não é possível por causa da burocracia. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o ministério público no ano passado não permite a contratação de pessoal na prefa sem concurso público.

Pros barnabés da secretaria de educação, o problema não existiria se os professores fossem devidamente capacitados. Álvaro disse que o interesse existe entre a classe, mas falta incentivo público para que o treinamento adequado aconteça. ?O certo seria criar uma política nacional voltada ao profissional da educação, com cursos específicos pra área das pessoas deficientes?, falou.

Na Apae, a inciativa foi tomada e a entidade oferece o curso sobre serviço de atendimento especializado (Saede). Só este ano, 209 profissionais das redes municipal e estadual de ensino participam do projeto. As aulas rolam na Apae e duram um ano. ?O objetivo é discutir as deficiências e qualificar o processo de inclusão social nas escolas?, explica Célia Hoeffelmann, coordenadora do Saede.

Univali aborda o tema

A coordenadora do curso de pedagogia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Lourdes Furlanetto Dittrich, explica que hoje existem disciplinas específicas na área. Os acadêmicos passam pelas aulas de educação inclusiva e aprendem maneiras de desenvolver atividades de integração entre as pessoas deficientes e sem deficiência, mas nada além disso.

Lourdes diz que a definição da matriz curricular não é feita pela universidade. O que deve ser repassado aos alunos que se tornarão professores é determinado pelo ministério da educação. A coordenadora complementa dizendo que a inclusão de deficientes nas escolas é importante e relata que no curso de pedagogia da Univali há acadêmicos especiais, entre eles sete surdos.

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