• Postado por Tiago

Há alguns anos, jamais se pensaria que uma palavra como violência faria parte do vocabulário das escolas. Mas o fato é que os professores são obrigados a conviver cada dia mais com a falta de respeito e agressões, de alunos que há muito tempo passaram dos limites. Pra Sandra Bittencurt, que tem 21 anos de magistério, mas não revela a idade nem sob decreto, o problema é reflexo das rédeas soltas com que os aborrescentes são tratados. “A sensação que a gente tem é que eles são movidos pela impunidade”, revela.

Sandra conhece muito bem o assunto. Professora concursada do ensino público da Santa & Bela, ela já lecionou pra crianças de todas as idades. Hoje, cumpre a difícil missão de ser supervisora do maior colégio de Balneário Camboriú, o João Goulart, e convive com problemas que são de deixar qualquer um de cabelo em pé. “Por sorte nunca sofri nenhuma violência. Mas já presenciei colegas passarem por isso”, conta.

Quando ingressou na profissão, Sandra lembra que as coisas eram bem diferentes. “Você chamava os pais pra virem à escola e eles vinham. Havia respeito pelo professor, prestígio, você era considerado uma autoridade na sala de aula. Hoje faltam leis que tragam responsabilidade. Os alunos não têm limites em casa, não têm o limite da lei e a escola não pode fazer mais nada. Estamos de mãos atadas”, comenta Sandra.

Ela acredita que as dificuldades encontradas pelos professores também se devem à falta de estrutura familiar. “Pai e mãe trabalham o dia todo, e a escola acaba fazendo o papel dos pais”, reclama.

A presidente do conselho tutelar do Balneário, Sandra Maria Otto, diz que quando a situação passa dos limites é preciso intervir. “Quando a situação é muito séria e a escola não consegue mais, passa pra nós fazermos os encaminhamentos”, afirma. Mas quando o problema é agressão física, vira caso de polícia. “Aí é ato infracional. A orientação é que o professor registre um boletim de ocorrência”, diz.

Pra Sandra, a previsão de futuro não é das mais otimistas. “Se não houver um olhar mais atento sobre os filhos, vigilância, não sabemos onde vamos parar”, conclui.

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