• Postado por Tiago

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Atendimentos são feitos no corredor

Na noite de terça-feira, a reportagem do DIARINHO teve acesso ao pronto-socorro do hospital Marieta, no centro peixeiro, e conferiu de perto como funciona o atendimento aos pacientes nesta época do ano, que que todo mundo tá morrendo de medo de pegar a maldita gripe porca. Em uma hora de visita, ficou claro que não há distribuição de máscaras e falta álcool em gel pra desinfecção dos pacientes, acompanhantes e dos próprios médicos. E ainda tem mais: os casos suspeitos da gripe porca não ficam isolados. O lugar de observação é um só.

Já na sala de espera do pronto-socorro a situação assusta. Não há qualquer tipo de triagem. Os pacientes com dor de estômago, tontura e os que tossem e espirram sem parar ficam todos no mesmo local. O olhar de desconfiança dos familiares e até dos doentes, existe, mas nada é feito. ?Pedi uma máscara pra ti, mas a moça da recepção disse que não tem?, falou o senhor de 56 anos à esposa que teve uma forte crise de labirintite e esperava por atendimento. ?Vou ficar um pouco lá na rua?, sugeriu, com medo da misturança de doenças.

Por volta das 20h da noite de terça-feira, o número de pessoas que esperava por um auxílio médico no hospital passava de 30. Quem não aguentava, por causa da fraqueza, ficava sentado do lado de dentro. Os outros aguardavam do lado de fora, onde pelo menos o ar circulava livremente. Os mais prevenidos usavam máscaras trazidas de casa.

Do outro lado

Dentro do pronto-socorro, pacientes são atendidos no corredor por falta de espaço e, nos dois consultórios, não tem sabonete e nem papel toalha pros médicos e enfermeiros lavarem as mãos. Outra cena que chama atenção são as macas desses locais. Os lençóis são de pano e, aparentemente, não são trocados entre um atendimento e outro.

Na sala de observação, um senhor esperava sentado desde às 15h por um medicamento. Ele sofreu um princípio de infarto e teve que ficar na cadeira porque as três camas disponíveis já estavam ocupadas. O paciente com problema no coração não usava máscara, mas bem ao seu lado, uma mulher usava o utensílio. Ela apresentava fortes sinais de estar contaminada com a gripe porca.

No local da observação também estavam outras pessoas, entre elas idosos e acompanhantes dos doentes, que não usavam qualquer tipo de equipamento de proteção. Na sala próxima, onde doentes tomavam soro, a mesma cena. Suspeitos da gripe suína estavam lado a lado com pacientes desprotegidos.

Enquanto isso, no corredor, um homem deitado na maca gritava de dor na perna direita durante o atendimento de dois médicos. Ao lado dele duas senhoras. O paciente e as acompanhantes ficaram sabendo do laudo clínico no meio do local de passagem do hospital. ?O senhor teve uma fratura feia e possivelmente vai ter que passar por cirurgia?, avisou um dos dotôores.

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