• Postado por Tiago

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Consagrado como apresentador de tevê depois que começou a apresentar o reality show ?O Aprendiz?, exibido pela Record, Roberto Justus, um dos principais publicitários do país, dá os primeiros passos na carreira de cantor promovendo shows-palestras pelo Brasil afora. Com um cd gravado, Justus, que se considera um bom cantor, começou sua carreira na área de comunicação nos idos dos anos 80. Fã de John F. Kennedy e Mahatma Gandhi, o publicitário, que chegou ao quarto casamento, é pai de três filhos e espera uma menina para daqui a dois meses, com a atriz Ticiane Pinheiro, 32 anos.

Empreendedor nato, Justus transformou a Newcomm Comunicação Integrada em um forte grupo de comunicação, que tem na carteira alguns dos maiores anunciantes do Brasil. Mais descontraído no dia-a-dia do que na mesa da sala de reuniões de O Aprendiz, Justus esteve recentemente em Balneário Camboriú, onde recebeu os repórteres do DIARINHO, Adão Pinheiro, Renata Rosa e Felipe Trojan. Nesta entrevista, Roberto Justus conta um pouco mais de sua carreira, do programa e de sua vida pessoal.

Raio X

Nome: Roberto Luiz Justus

Idade: 54 anos

Natural de São Paulo

Formação: Administração de empresas

Casado pela quarta vez, a atual é Ticiane Pinheiro

Filhos: Três filhos e outra a caminho

Trajetória profissional: Iniciou a carreira profissional na área de comunicaçao em 1981. Dono do Grupo Newcomm e presidente da Y&R, é um dos principais empresários da comunicação no Brasil

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DIARINHO: Quando você começou a sua carreira se inspirou em alguém?

Roberto Justus – Isso é um tema, inclusive, que eu vou falar hoje à noite [se referia a palestra em Balneário Camboriú]. Acho que tudo tem que ter a referência. A referência é importantíssima. Tinham alguns empresários que eu admirava, entre eles, o Jack Welsh e o Lee Iacocca. O lacocca tinha acabado de sair da Ford e feito um sucesso danado. Ele pensava que tinha terminado a carreira e resolveu salvar a Chrysler. Botou a cara para bater e pediu que o público acreditasse nele e na companhia, que se transformou numa potência mundial. Este é um exemplo, mas têm outros exemplos. John F. Kennedy, pelo estilo dele, que morreu precocemente, mas iria fazer muita coisa. Outro exemplo é Mahatma Gandhi que fez o que fez com o pouco recurso que tinha. Se você imaginar que, naquela época, a comunicação não era como é hoje, como que ele conseguiu espalhar a palavra dele pelo mundo? Tem até um comercial lindo que eu vi de uma empresa de telecomunicações, dizendo como seria o mundo se Mahatma Gandhi pudesse ter espalhado a palavra dele através de telões por todo o mundo, através de mobile, através de televisão. Seria outra história, né? Isso não existia e, mesmo assim, o sujeito conseguiu fazer o que fez.

DIARINHO: Com relação ao programa que você apresenta, ?O Aprendiz?, você se inspirou no Donald Trump para endurecer o discurso? Aparentemente, você veste o personagem quando liga a câmera pois, fora de cena, é bem mais amável…

Justus – Olha, eu sou mais amável no meu dia-a-dia. Eu tava dizendo há pouco tempo que a condição e a situação exigem de você o que você tem que ser na hora. Não dá pra você entrar numa sala de reunião, seja no mundo real ou no Aprendiz, brincando. É claro que não dá pra ser descontraído em todos os momentos. Mas quando você tem uma seleção como essa, com a importância que tem o Aprendiz, com a seriedade que tem o programa, eu não posso ir lá com outro papel do que, realmente, de durão. Parte da avaliação desses meninos ou dessas pessoas que participaram do Aprendiz é o quanto eles resistem à pressão. E a pressão que eu faço neles é muito grande. Essa troca na sala de reunião, é uma troca que traz o mundo real pra dentro da sala. Agora, só respondendo ao que você falou, eu não imito, eu não me inspiro em ninguém porque o Donald Trump tem o estilo dele, o jeito dele. Eu o admiro como empresário, mas não gosto muito do estilo como ele faz o programa. Eu sinto ele pouco humano. Mesmo o mais duro dos chefes tem o seu lado humano, entendeu? Eu tive que fazer várias demissões que me emocionaram, e eu deixei isso claro pro Brasil inteiro, mostrando a dificuldade que eu tinha de tirar aquela pessoa. Não dá pra você ser falso naquele momento, ser um ator. Eu sou eu. O diretor pode me pedir ?Fica mais duro?, e tal, pode me pedir o que quiser, eu não consigo ser o que eu não sou. Claro que eu fico um tom acima, exijo mais. Eu bato neles forte, mas sempre com argumentos, nunca desumanamente, nunca de forma deselegante. Eu não humilho, e acho que o Donald, às vezes, humilha o candidato. Eu não acho isso bacana.

DIARINHO: Como foi o desempenho da representante de Santa Catarina, a Ana Paula, no ?Aprendiz Universitário?? Você chegou a dizer que ela se parecia com você em algum momento.

Justus – Muito. A Ana Paula tem uma personalidade muito parecida com a minha. Quando era jovem, eu era muito parecido com ela. Eu era muito ansioso. Tipo assim: ?tudo tem que acontecer, tudo tem que acontecer?. Muita personalidade, uma personalidade forte. Bate de frente com as pessoas pra colocar a sua opinião. Eu aprendi na vida que você não impõe opiniões, você não impõe respeito. Respeito você tem que conquistar. Não adianta você querer impor, as pessoas não vão aceitar. Então, é muito mais fácil você usar argumentos e, com inteligência, tentar fazer com que as pessoas entendam aquilo que você quer. E a Ana Paula tava impondo um pouco a situação, as vontades dela dentro do programa. Não é fácil porque ao mesmo tempo que você está trabalhando em grupo nesse programa, isso é fascinante, tá competindo com essas pessoas. É difícil você se dar bem com quem tem que derrotar. Na vida real, nós estamos numa empresa, todos trabalhando no mesmo cenário, juntos, em prol de alguma coisa. Aqui não. Aqui eu tô com eles porque eu preciso ganhar a prova, mas eles são meus inimigos ao mesmo tempo. Então, é complexo.

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DIARINHO: Quando esta entrevista for publicada, o programa já vai ter acabado, mas como a final é ao vivo, nem você sabe ainda quem vai ganhar. Você teria um palpite sobre quem acha que vai ganhar ou qual o melhor perfil para ser a vencedora desta edição?

Justus – Olha, essas quatro meninas que estão na semifinal, aliás, três, desculpe. A Ana Paula saiu, sobraram três. Essas três meninas que vão pra prova, que é uma das mais complexas que nós já tivemos e que quando sair a entrevista, já vai ter acontecido, você vai entender o que eu estou falando, são capazes de ganhar o programa. (Voltar de Los Andes, no Chile, até o hotel Sheraton, em São Paulo, sem dinheiro, só com o passaporte). Eu não vejo nenhum favoritismo em nenhuma. Têm peculiaridades e estilos diferentes. Então, eu não sei o que elas vão fazer nessas duas últimas provas, vai depender muito do desempenho delas, e aí fazer uma avaliação geral entre o que aconteceu nessas duas últimas provas e tudo o que elas fizeram até hoje. E aí vai sair a vencedora, ao vivo, no dia 28. Coisa que o público, desta entrevista, já sabe. [O programa foi vencido por Marina Erthal, a nova estagiária mais bem paga do Brasil. A estudante de publicidade venceu a sexta edição do aprendiz, ganhou R$ 1 milhão e um emprego de pelo menos um ano com salário de R$ 10 mil por mês, mais um carro zero quilômetro da Fiat].

DIARINHO: E você se surpreendeu com o desempenho da dupla Stefany e Marina? No começo o desempenho delas parecia fraco mas depois deslancharam…

Justus – A Stefany e a Marina me surpreenderam não porque eram piores do que as outras. Elas me surpreenderam porque têm um estilo explosivo que ia ser difícil de trabalhar juntas. Eu fiquei surpreso de ver elas ganhando essas provas, como elas conseguiram trabalhar unidas e ainda ter eficiência quando elas são tão difíceis no trato pessoal uma com a outra. É bom você discordar, pra você poder ser eficiente, mas eu não imaginava que elas fossem ganhar, eu achava as outras mais equilibradas.

DIARINHO: O programa chegou na sexta edição. O formato já não está se esgotando?

Justus – Então, é uma boa pergunta. Eu me pergunto desde a primeira edição, mas o fato de nós termos inventado os três primeiros programas de emprego, os dois na sequência de sócio e agora universitário dá novo fôlego ao O Aprendiz. Tem ainda a diferença nas provas, as novas regras que a gente inventa, que ajudam nessa renovação. Você vê também outros realities shows tentando se reinventar e tal. Mas esse tem um conteúdo tão interessante e fica um ano fora do ar, que ainda assim as pessoas sentem falta. Eu ouvi uma expressão tão bacana, um grupo de pessoas que se chama ?órfãos do Aprendiz?. ?Nossa, quando é que vai voltar, a gente não vê a hora. É muito curto?. Mas nós ficamos três meses no ar e todo mundo acha ?Ah, já acabou. Que pena!?. Então, enquanto a gente sentir que tem esse espaço, podemos continuar. Eu, sinceramente, não achava que ia durar seis edições. Agora, já acho que temos condições de fazer a sétima.

DIARINHO: Ainda comparando com o programa original… O Trump não é de muita conversa, já você adora o debate, dando mais ênfase à sala de reunião do que às próprias provas. É por causa da audiência? O público gosta de ver o circo pegar fogo?

Justus – Eu acho que a sala de reunião, na verdade, é a grande experiência do ?Aprendiz? pra todo mundo. O que a gente fala e o que a gente avalia lá, baseado no que as pessoas já viram nas provas, é o que todos gostam de ver. Algumas pessoas aprendem bastante, outras pessoas concordam ou discordam, mas tão vendo uma discussão de alto nível. E tem ainda a demissão. As pessoas adoram ver em casa e imaginar quem eu tiraria. ?Quem será que ele vai demitir? Esse é o ápice do programa. E eu acho que a tua informação não tá certa. Nos Estados Unidos, a sala de reunião dura mais ou menos o mesmo tempo. Pode ser que a gente se estenda um pouquinho mais, mas eles também usam bastante esse momento. É quando temos mais audiência.

DIARINHO ? Você não acha uma sacanagem incentivar o trabalho em grupo e depois fazer os concorrentes apontarem os defeitos uns dos outros? Isto ajuda o trabalho cooperativo?

Justus ? (Ri) – Não se você olhar por esse aspecto. Na verdade, ninguém faz isso no dia-a-dia. Numa empresa, você não fica incentivando um funcionário a ficar delatando o outro. O Aprendiz não é uma empresa. No Aprendiz eles são competidores numa prova importante da vida deles. A gente estimula para que eles nos ajudem na sala de reunião, dando opinião sobre a vida do outro, para que eu possa tomar uma decisão, para que eu não cometa nenhuma injustiça. Então eu coleto informações das provas, dos conselheiros, do que eu vi acontecendo com o que eles estão me dizendo. Eu estimulo essa discussão pra ver até onde eles chegam. Eles vão enfrentar, no dia-a-dia, um mundo onde o argumento é importantíssimo. Saber se posicionar é importantíssimo. Então é todo um exercício que a gente faz para imitar a vida real. No mundo normal, no mundo corporativo, não é normal pegar duas pessoas na sala de reunião se digladiando desse jeito. Isso não acontece. Mas no Aprendiz é importante que isso aconteça, para que eu os conheça muito melhor dessa forma.

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DIARINHO ? Com relação ao show, é um desafio novo. É a vontade de diversificar as suas atividades? Como é o show?

Justus ? Eu tava dizendo pro resto da imprensa, antes dessa exclusiva com vocês, que show e música fizeram parte da minha vida. A música é estimulante, gratificante e gostosa na vida de qualquer um. Quando eu percebi isso e vi que tinha um certo talento para histórias, resolvi investir em mais um desafio de minha vida. Eu já tive o desafio da televisão. Eu nunca tinha feito televisão e hoje tenho certeza que sou um bom apresentador. Com a música é a mesma coisa. Faz um ano que eu estou cantando e tenho certeza que eu sou um bom cantor. Então, agora, cabe ao público avaliar, absorver isso. Entender e comprar esse produto. Esse produto aliado às palestras, já que uma mensagem motivacional é algo diferenciado, que não tem no mercado. Ouvir alguém contar uma história e cantar é mais raro. Você tem muita gente boa cantando e tem muita gente boa palestrando. Fazendo as duas coisas, não conheço muita gente. Então é um produto interessante. Confesso que eu me divirto muito mais falando do que cantando. Devagarzinho, vai acontecendo.

DIARINHO ? Você é um homem de negócios bem sucedido, foi casado com várias mulheres bonitas, entre elas a Adriane Galisteu. Como a sua atual mulher, Ticiane Pinheiro, lida com essa situação? Ela tem ciúmes de suas ex-mulheres?

Justus – Não. Eu acho que é assim: a sensação que a mulher tem é diretamente proporcional ao comportamento do homem e vice-e-versa. Eu tenho uma mulher séria, uma mulher bacana, que não tem preocupação. Eu sou uma pessoa que sempre prezou pelo relacionamento e sempre investi nos relacionamentos enquanto eu estou feliz neles. Se eu estou feliz, se eu estou com a pessoa, não tenho motivo para fazer qualquer coisa fora do contexto. Claro que o mundo das tentações é enorme. O nosso mundo artístico, da publicidade, tem muitas mulheres, mas a Ticiane não tem ciúmes. A preocupação é natural e o ciúme é algo que qualquer casal tem que ter, mas nada que extrapole, que seja grotesco, que vá contribuir pra infelicidade. Eu não dou motivos para isso.

DIARINHO ? Como você está lidando com o fato de ser pai novamente? Seus primeiros filhos estão grandes. E também como está sendo essa exposição da vida pessoal do apresentador, artista e da própria família na mídia? Isso causa algum desconforto?

Justus ? Causou bastante no começo, depois eu entendi que é necessário. Quando você entra na casa das pessoas duas vezes por semana, você sabe que as pessoas vão ter uma curiosidade em relação à sua vida. É natural. Eu encontro com as pessoas na rua e é como se elas me conhecessem. Eu não conheço, mas elas me conhecem. Elas têm carinho, têm interesse em saber de sua vida. Eu tento evitar ao máximo. Obviamente, tem um certo limite. Se a imprensa vem muito em cima e quer mostrar isso ou aquilo a gente cede com limites. Eu estava nos Estados Unidos quando anunciamos o bebê. Queriam ir lá no nosso apartamento, em Miami, mas eu não deixei entrar porque não tem nada a ver mostrar a nossa casa. São coisas que a gente vai preservando. Onde não dá a gente não cede. E ser pai aos 54 anos é uma experiência muito diferente. Eu nunca imaginei que eu ia ter outro filho. A minha filha mais nova tem 16 anos e o mais velho tem 26. Eu não me imaginava nessa situação novamente. Mas eu casei com uma mulher que hoje tem 32 anos, que tem o sonho de ter um filho, e não tem porque não dar esse prazer a ela. Eu não queria no primeiro momento, mas depois que me avisou eu já enlouqueci. Agora, quando vier, eu tenho certeza que eu vou babar tanto quanto pelos outros filhos. É muito gostoso. Essa sensação de pai-avô é completamente diferente, porque você está num outro contexto, com outra estrutura. Você tem um conforto diferente para tratar o assunto criança. Talvez eu não tenha tanto tempo em razão das minhas atividades, mas eu vou fazer o possível para estar ao lado dela. Ainda mais uma menininha.

DIARINHO ? Quantas vezes você se arrependeu de demitir a pessoa errada? Até o vencedor de uma das edições do Aprendiz já foi demitido e chamada a segunda colocada. O que conta na hora de contratar: o talento ou as habilidades sociais?

Justus – A competência é o principal. Eu tomo decisões em cima de competência. Claro que aquele que sabe se vender melhor, que sabe se posicionar melhor sai com vantagem. Às vezes, o mais competente não é o que melhor se vende e a gente não consegue descobrir o talento naquele momento. Uma coisa é ganhar o Aprendiz, outra coisa é ver como essa pessoa vai se comportar no dia-a-dia. Eu já tive vencedores do Aprendiz, que quando foram colocados na linha de trabalho não foram tão bem. E há outros que foram sensacionais. Vai de pessoa para pessoa. É como na vida real. Você contrata as pessoas e não acerta sempre. Quanta gente eu contratei animadíssimo e quando eu fui ver no dia-a-dia não rendeu. Isso acontece e precisamos trocar. No Aprendiz é a mesma coisa. Ganhar o Aprendiz não é um passaporte garantido para o sucesso. É um empurrão enorme, mas vai depender da pessoa depois.

DIARINHO ? Com relação aos universitários, você acha que foi uma decisão acertada realizar uma edição do Aprendiz com estudantes universitários? Muita gente achava que não ia dar certo, já que você lida com tanta gente qualififcada…

Justus ? Foi uma agradável surpresa. Como já disse antes, eles se emocionam mais. Eles se entregam mais. O sonho significa muito mais e surpreenderam pela qualidade dos trabalhos dentro das tarefas. Eu nunca imaginei o quanto essa fórmula iria dar certo. Eu fui um pouco resistente no começo, quando a produção do programa teve essa ideia. Será que vai funcionar? Eles se enfrentam de igual para igual, como qualquer outro cara mais tarimbado ou mulher mais experiente. Foi espetacular e me deixaram muito mais emocionado. Foi muito mais difícil olhar para essas carinhas e dizer ?vocês estão demitidos? do que com as pessoas mais velhas, que já têm história, que já estão acostumadas. Tu está tirando o sonho de um jovem. [Foi mais emotivo…]. Muito mais. A prova da Perdigão, dá volta da família, por exemplo, eu só não derreti ali e não chorei muito porque eu tenho que me manter impassível. A exemplo da saída da Mayte, essa menina de 18 anos, que é um gênio. Uma menina só com 18 anos e ter tudo o que ela tem de conteúdo, emociona. Eu prometi que ela voltaria. Foi incrível. A própria Carina, que foi a segunda a sair e que teve um choro compulsivo. O menino Lucas. Senti muito, mas eu não tenho o que fazer. Eu não vou dar 18 empregos e nem 18 milhões de reais. É só um emprego e R$ 1 milhão. Então não tem jeito, os outros 17 têm que sair.

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DIARINHO ? A gente percebeu que você ficou bastante irritado quando um dos participantes disse para ninguém comentar nada, para que isso não fosse usado contra eles mesmos. Não é permitido questionar as regras do programa? E quanto à garota que quis sair e se justificar na sala reunião… porque você a demitiu mesmo assim? Para não sair do script...

Justus ? Não é isso [interrompendo a pergunta]. Você quer terminar, já te interrompi? Vamos por etapa, parte A: João Granja. Questionar, eu adoro que eles questionem. Eu estou louco para achar um aprendiz na minha vida que tenha um argumento de igual para igual, para quem eu possa dar a razão. Isso é sensacional. Então assim, a vida é questionável em todos os aspectos, o que não pode é questionar a credibilidade do programa, porque senão eu não sei o que você está fazendo lá. Você se inscreve em um programa, para depois dizer que o programa não é justo?! Aí está questionando a minha credibilidade, a credibilidade da Rede Record, do diretor do programa, dos meus conselheiros, de todos nós. Usando o argumento como se nós fôssemos a entidade do mal. Ele usou essa expressão: eles vão ouvir. Eu falei: eles quem? Quem são eles? Claro que eu vou ouvir, eu tenho que ouvir para avaliar você. Quer esconder de mim, então não entre no programa! Você está no programa para ser visto e ouvido o tempo todo. Você é gravado o tempo todo. Você não tem um minuto, a não ser quando está no seu quarto dormindo. É a única hora que não está sendo gravada. Eu fiquei muito chateado com a postura, não com o posicionamento. O que ele tava questionando era a nossa credibilidade. Da decisão tomada na prova, onde ele tava super-errado. Pena que não tive mais tempo para explicar isso para o público. As bobagens que ele estava dizendo, mas tudo bem, tomou a bronca dele. Quanto à Rebeca… Porra, desistir no décimo, no nono ou no décimo capítulo do programa! Acho que era o décimo, quando tantas pessoas se inscreveram para entrar no programa. Foram 108 mil pessoas que se inscreveram para entrar e ela tomou o lugar deles! Vários dos demitidos demonstraram que tinham uma vontade imensa de ficar no programa. Dou a chance de ela ficar, tiro o Lucas para dois programas depois ela sair. Não dá. Eu fiquei muito chateado. E a demissão na hora é que nós temos um rito, um ritual, que a pessoa sai demitida. Teve um louco, alguns programas atrás, que me demitiu antes. Eu tive que demitir ele duas vezes. Isso aconteceu, mas paciência, é um direito dele, apesar de estar errado. Quando você entra no programa, você assina um contrato e sabe como funciona. Existe uma tarefa, existe uma recompensa, existe um castigo que, na verdade, é participar da sala de reunião e depois existe a demissão. Essa é uma regra pra eles e pra mim. Isso é um programa de televisão, mas funciona rigorosamente dentro dos maiores níveis de credibilidade que você pode imaginar. Não tem roteiro, não tem nada. O que aconteceu, aconteceu. O cara não pode chegar e falar ?tou fora, vou embora, não quero mais?. Tudo bem, pode falar, só que então tu tá demitida por ter dito isso, então o ritual se mantém.

DIARINHO ? Como você lida com os puxa-sacos? Como diferenciar um bom funcionário ou um bom concorrente de um baita puxa-saco?

Justus ? Com o meu nível de experiência, é muito difícil alguém ser um puxa-saco ou dizer alguma coisa que não está sentindo e a gente não perceber. Eu detesto esse tipo de pessoa. Acho que agradar é uma coisa natural do ser humano. O homem quer agradar a mulher, a mulher quer agradar o homem. Você quer agradar um sócio. Ser uma pessoa agradável dentro do contexto, fazer um elogio. O fator de estimular pessoas é extremamente natural nas relações humanas. Agora, ficar puxando o saco exageradamente para ter alguma vantagem é uma coisa sem sentido. Acho isso um absurdo. Não aceito e me afasto desse tipo de pessoa. [Mas tem bastante gente que age dessa forma..]. É normal, mas você sente que a pessoa tá falando para tentar agradar.

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