• Postado por Tiago

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Técnico nos dois rebaixamentos  faz balanço da temporada desastrosa do time peixeiro

Parece que todos no Marcílio Dias combinaram que o principal motivo que ferrou o clube em 2009 foi a falta de grana. Depois do presidente Carlos Crispim, agora é a vez de o técnico Ronaldo Alfredo falar o mesmo ao DIARINHO.

Efetivado como treinador nas quatro últimas rodadas do Catarinense, Ronaldo tinha uma tarefa mais do que difícil na sua primeira experiência como técnico: salvar o time do rebaixamento. ?Tentei fazer o quase impossível. O elenco era bom, grande, mas já tinha jogador em greve. Então tinha que fazer o impossível?, diz o comandante.

Mesmo assim, a diretoria marcilista apostou no treinador pra disputa da série C do Brasileiro. Sem grana no bolso, o time sofreu na competição nacional e caiu dinovo. ?Tentamos manter uma base pra série C, mas já tinha jogadores desgastados no clube. Não tínhamos patrocínio e o que chegou foi pouco. Até hoje tem jogador que falta receber pelo Catarinense, então tudo acumulou pra série C?, lasca o treinero, que deve definir sua permanência no clube ainda esta semana.

O técnico peixeiro também lembra da trágica enchente que abalou toda a cidade em novembro do ano passado. ?A enchente prejudicou muito. Se prejudicou a cidade, imagina o time?, questiona.

Federação não ajuda

O comandante do Rubro-anil também criticou a Federação Catarinense de Futebol. ?É a única que não ajuda. A federação gaúcha dá R$ 800 mil pra ajudar os times?, lembra.

Sobre erros dentro de campo, o treinador insistiu na falta de grana. ?Não tem como falar o que deu errado em campo se não falar de dinheiro. Se tivesse dinheiro contrataríamos jogadores que precisávamos?, garante.

Alfredo também meteu o pau na empresa Localfrio, patrocinadora que colocou jogadores no clube sem experiência na série C, segundo ele. Pro técnico, a montagem do elenco atrasou o planejamento do clube. ?Só fomos ver quem jogava a série C 15 dias antes do campeonato. Tínhamos apenas 12 jogadores pra jogar e mais uns quatro dos juniores pra completar o banco. Pegamos alguns jogadores do Joinville emprestados e pagando metade dos salários, mas nem chegamos perto de nos manter na série C?, diz, pra depois completar: ?Nosso maior erro foi não abrir o jogo com imprensa e torcida que era difícil se manter na série C?.

Crispim

Ronaldo não quis comentar as declarações do presidente sobre o erro da diretoria em apostar num treinador sem experiência. ?Até hoje recebo comentários do trabalho que eu fiz. Não tenho que ficar respondendo, cada um fala o que quer?, resume.

Pro técnico-tampão, Crispim fez o que pôde. ?Não fui o único que tive dificuldades, os outros técnicos também sofreram. Se não tiver campo pra treinar, não vai ter jogador pra formar uma base. Um treinador não pode ficar sem campo pra treinar?, diz ele, que colocou 70% da culpa dos rebaixamentos por falta de grana.

Crítica motivacional

No Catarinense, pra tentar salvar o time do rebaixamento, Ronaldo chegou a usar uma reportagem do DIARINHO como motivação pros jogadores. Na ocasião, a manchete lascava a lenha no time depois da derrota por 6 a 1 pro Criciúma e trazia a manchete ?Time de merda?. ?Não concordei com a matéria, foi muito forte. Mas foi até bom. Eles se motivaram com aquilo?, lembra.

O treinador encerrou mandando um recado pra diretoria: ?Se deixar o Marcílio com duas pessoas tomando conta, não vai dar certo. E se não abrir o olho, pode ser até pior?.

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