• Postado por Tiago

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Elas juntam os trapos, mas as marcas e unidades industriais continuam separadas, por enquanto

A Sadia e a Perdigão estão com quase tudo acertado para se casar e formar a maior empresa do mundo em processamento de frango. As duas nasceram em Santa Catarina – a Sadia em Concórdia e a Perdigão em Videira – e já eram as maiores empresas do Brasil na venda de carnes e produtos prontos. A união das grandonas vai formar a Brasil Food, que será a décima maior empresa do continente americano. O anúncio da fusão deve ser feito hoje ou amanhã.

A fusão das gigantes da galinha tem como uma das causas a crise econômica mundial. Nos três primeiros meses deste ano, a Sadia anunciou um preju de R$ 239 milhões. No mesmo período, a Perdigão ficou R$ 94 milhões no vermelho.

No ano passado, a Sadia já tinha quebrado legal quando fez uma aposta errada. Ela investiu em contratos futuros de câmbio. O economista Marco Goulart, consultor de assuntos financeiros do departamento de economia da UFSC, explica que a empresa vendeu muito mais contratos do que venderia produtos ao final do ano. Esses contratos são feitos para garantir a cotação do dólar nas transações de exportação. Mas deu tudo errado: veio a crise, o dólar baixou e a empresa perdeu R$ 760 milhões.

Somando tudo, o bolso da Sadia ficou furado em 2,5 bilhões de dólares. A coisa ficou feia: só na semana passada, a Sadia mandou pra rua 300 trabalhadores de uma fábrica em Toledo, no Paraná.

Vão levar um banco pras núpcias

Para salvar o pescoço, as duas empresas começaram a conversar há alguns meses. Depois de muita discussão, a única pendenga que precisava ser resolvida era o fato da Sadia, além dos galinheiros, ter um banco e uma corretora. Essas duas empresas valem cerca de U$ 200 milhões.

Acontece que os caras da Perdigão não tavam a fim de trazer o banco pra nova empresona, já que é justamente o sistema financeiro o principal agente da crise mundial. A alegação da diretoria da Perdigão é que o estatuto da empresa, que agora desembestou e tem sede em Sampa, não a deixa ter um banco.

O perrengue foi resolvido no domingo, quando os engravatados e advogados das duas empresas se encontraram e decidiram liquidar o banco, mas enfiar a corretora na nova jogada. Depois, quando tiver tudo funcionando bem e a Brasil Foods tiver com as ações em alta, vendem a corretora e ainda faturam uma nota extra. Pelo menos assim esperam.

A fusão ainda vai ter que passar pela aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade),que é ligado ao ministério da Justiça e protege o mercado para que sempre haja concorrência e o consumidor possa encontrar preços baratos nas lojas.

Para Goulart, é difícil prever o impacto dessa fusão para o consumidor. Se, por um lado, a concentração do mercado nas mãos de uma só empresa diminui a concorrência, por outro as operações em larga escala barateiam o preço final do produto, o que pode significar frango mais barato no final das contas.

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