• Postado por Tiago

Barecos são apenas réplicas dos prédios antigos de Itajaí

O saite do píer turístico de Itajaí tava fazendo propaganda enganosa dizendo que as construções no final da Hercílio ? aquelas do Bar da Trude e Pastelaria do Xindoca ? seriam prédios do antigo comércio restaurados. A assessoria de imprensa do porto de Itajaí disse que foi um engano e saiu correndo pra consertar a cagada.

No topo da sessão de fotos da página da internet tinha um link chamado ?Antigo Comércio Restaurado?. Quando o internauta clicava ali apareciam fotografias das réplicas dos casarios, inauguradas no final de novembro pela prefa. Acontece que as casinhas que tão ali hoje não passam de uma vaga lembrança da construção original, totalmente destruída em 10 de janeiro de 2001.

O historiador peixeiro José Roberto Severino explica que uma obra é considerada restaurada quando o imóvel original foi recuperado e não reconstruído, o que ? entre outras coisas ? inclui o acompanhamento de um profissional de arquitetura ou restauração e a utilização de materiais que não agridam a estrutura antiga, de preferência o uso de tintas e outros artefatos iguaizinhos aos da construção original.

Severino diz que aquilo que tá ali hoje na verdade é apenas uma réplica das construções originais. ?Quando a construção original foi demolida, Itajaí perdeu uma parte da história que jamais vai ser recuperada. Mas a vantagens das réplicas que foram construídas é que elas vão poder demarcar um espaço que é histórico, que pode ser usado pro turismo e pra de alguma forma resgatar a história da cidade?, palpitou.

Severino também é proprietário da livraria Casa Aberta, que ocupa a Casa Konder, tombada como patrimônio estadual e municipal, construída em 1897. O historiador participou da restauração que terminou há alguns dias e diz que o processo começou em 2004 e exigiu autorização e acompanhamento da fundação Catarinense de Cultura. A restauração foi feita pela arquiteta peixeira Silvana Pitz, com materiais bem semelhantes aos originais, respeitando uma porrada de regras. O historiador falou ainda que o que falta pros proprietários de casarões de Itajaí é vontade mesmo e que a burocracia é uma desculpa. ?É mais preconceito que burocracia, o imaginário diz que o Estado incomoda, mas o papel do Estado é fazer com que a lei seja cumprida e este é o único jeito de preservar?, caceteou.

Ops, foi um engano

O assessor de imprensa do porto de Itajaí, João Henrique Baggio, disse que foi um equívoco da pessoa que colocou o material no saite e ontem mesmo já consertou a lambança. João confirmou que as construções que tão ali hoje são apenas réplicas das originais e que tudo não passou de um engano.

Onde hoje foram construídas as casinhas que representam o Café Democrático, Restaurante Pau do Meio, Garapeira do Japonês, Sorveteria Dois Irmãos, Pastelaria do Xindoca, Photo Juca e o famoso Bar da Trude ficava a Casa Asseburg.

O prédio foi construído em 1866 e, além de comércios como o bar da Trude, abrigou também o consulado alemão. A casa chegou a ser catalogada pelo patrimônio histórico estadual em 1991, mas não chegou a ser tombada. A briga entre o proprietário, historiadores e Ministério Público se arrastou por anos e foi parar na dona justa enquanto a casa ruía. Em 10 de janeiro de 2001, o proprietário botou o pouco da casa que restava e muito da história no chão. Ironicamente, a demolição aconteceu quando Jandir Bellini era prefeito e as réplicas foram construídas agora, quando ele voltou ao poder.

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