• Postado por Tiago

“Muitas saúvas e saúde precária os males do Brasil são.” (Mário de Andrade)

Fica preservada a exceção de mulheres e homens privados, públicos, religiosos, laicos, ateus e crentes, do Céu e da Terra, que são exemplos saudáveis para os nossos filhos.

Livros como: Política – ciência, vivência e trapaça, A chave do tesouro, Os Mandarins da República e Viva a corrupção!, todos escritos – há muito tempo – com nojo e revolta, servem para avalizar a certeza dos infratores na imunidade e na impunidade. Assim, corruptos de traseiros vetustos e velhos cedem seus “tronos” aos corruptos de bundas novas.

Confiantes na cegueira e amnésia do povão os alquimistas enclausuram-se, conferem prêmios a si mesmos, congratulam-se uns aos outros, atingem o orgasmo legislando em causa própria, enquanto engordam seus cofres particulares com as chamas do “maçarico” que arrebenta com os cofres públicos, sob o olhar desorbitado, a boca escancarada e faminta da galera iludida e saqueada.

Essa irmandade e sincretismo obscenos, que têm origem na panacéia, falácia e logro, nutrem-se da corrupção versátil, do cinismo amável e da promessa inadimplente.

Os políticos, aos quais não se deve deixar aos cuidados a mais feroz ariranha, transformaram-se em palavras que agridem, omissões que prejudicam, infidelidades que ofendem e intenções que poluem a transparência dos propósitos. Pensadores abstratos e teóricos malditos, são contradições de homens públicos autênticos, que transpõem precipícios através de pontes filosóficas construídas na prática. Epistemologia aplicada. Filosofia do fazer. Metafísica do aconteceu… Consequentemente – o que é – por ser exatamente tal como é, não pode ficar tal como está.

A saúde dos brasileiros continua enfermiça e precária, mas as grandes endemias do passado foram controladas. Todavia, as saúvas se tornaram esfomeadas, embora tenham trocado de roupa e de pasto. Usam calça e paletó e não se alimentam mais dos pés de plantas e sim deliciam-se com as raízes econômicas da Nação. As saúvas podem ser encontradas nos mais altos cargos da administração pública, refesteladas em gabinetes coloridos, nos paços e palácios, nos garbosos congressos e como centro ou suplemento, negativos… das notícias.

Suas armas são a ociosidade, a incompetência, a irresponsabilidade, as magias “copperfildeanas” e a corrupção (no varejo para os calouros; no atacado para os veteranos). Suas larvas nascem do acasalamento de dois tipos de formiga: os tecnocratas e os negocistas – os espertalhões. Nas últimas décadas, infiltraram-se no controle dos governos do país e o que era apenas uma mazela administrativa, tornou-se a própria administração, naquilo que ela tem de mais “criativo”.

Os “atípicos insetos” – lambendo os beiços – teimosos e irrecuperáveis, vão esgotando as latas de tinta da comunicação impressa, causando rouquidão nos noticiários radiofônicos e torcicolos nas lentes de televisão. Dando “vivas à corrupção”, eternizam-se como vorazes e insaciáveis… saúvas de gravata!”

Ass: Carlyle Cláudio Pereira,

escritor independente

(Transcrito ipsis litteris)

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