• Postado por Tiago

INTERNA-10-spósito

Família acusa secretário Jose Roberto Spósito de limitar o uso das carangas

Faz sete meses que Hélio José da Cruz, 50 anos, passa por um calvário. Além de lutar contra um câncer na garganta, que o obriga a se alimentar por uma sonda, ele ainda tem que comer o pão que o diabo amassou pra conseguir uma ajuda das otoridades da Maravilha do Atlântico. A família reclama que tem que implorar pra secretaria de saúde mandar um carro cada vez que Hélio precisa ir ao médico. Pra completar, não conseguem a alimentação especial que evita que o coitado morra de fome.

?O secretário da saúde não sabe o que é viver na pobreza. Ele é acostumado a pisar em rua de ouro, e não na lama?, diz, indignada, a prima de Hélio, Elizabete Miguel, 53, que tem tomado conta do doente. Ela diz que na segunda-feira ele foi a Itajaí pra consultar, e os motoras da prefa o deixaram esperando pelo transporte por mais de três horas. ?Não tem cabimento. Onde já se viu deixar uma pessoa debilitada desse jeito, sem condições de andar, esperando um carro das 15h30 às 19h??, reclama.

Outra prima de Hélio, Rose Eliane da Silva, 31, afirma que o problema tá rolando porque quando assumiu a pasta da saúde, o abobrão José Roberto Spósito teria mandado diminuir o corre-corre com os doentes pela city. ?É o que dizem pra nós na secretaria, que só tão carregando os acamados. Cada vez é um martírio. Quando a gente insiste, mandam ver se conseguimos carona com algum vizinho. Mas toda a minha vizinhança trabalha, ninguém pode ajudar. A prefeitura que pare de comprar máquina e compre carro pra saúde?, carca.

Pra não deixar o primo na mão, Rose já teve que desembolsar grana pro táxi mais de uma vez. ?Na semana passada mesmo precisei levar ele ao Santa Inês pra fazer um raio-x da sonda e nenhum carro da secretaria podia me buscar. Não posso colocar o primo num ônibus, a imunidade dele tá muito baixa. Gastei R$ 20 pra ele ir e voltar de táxi?, conta.

Pra completar, a família também tá penando pra conseguir um suplemento alimentar pro Hélio. ?A gente tava alimentando ele com sopa de feijão, mingau e gelatina. Mas a nutricionista que acompanha o tratamento disse que assim ele vai morrer de fome?, diz Elizabete.

Rose diz que é preciso passar por uma burocracia dos diabos pra conseguir a tal alimentação. ?Fazem a gente andar de um lado pro outro que nem barata tonta, e nada. Vai na farmácia, pega assinatura deles, depois do médico, depois o secretário assina e só então eles encaminham o pedido?, relata. Cansada de correr atrás das otoridades, ontem ela apelou pra uma associação de amparo às famílias dos doentes de câncer e conseguiu o suplemento. ?Se não fosse pela associação eu não sei o que ia ser dele?, diz.

O farmacêutico da farmácia municipal do Balneário, Adriano Guardini, explica que o processo pros doentes conseguirem a alimentação é mesmo complicado. ?Tem que montar o processo e encaminhar pra nós. Eu assino e envio à secretaria de estado da saúde?, contou. Ele garantiu que não é necessária a assinatura do secretário municipal.

A resposta do governo da Santa & Bela ao pedincho leva nada menos que 30 dias pra sair. Durante esse tempo, a família tem que sivirar pra dar conta da suplementação alimentar do doente.

Carros capengas

Já no caso do transporte, o buraco parece ser mais embaixo. Esta semana, a frota da secretaria da saúde ganhou um novo mandachuva. José Manoel Pereira Filho, que assumiu a bronca, negou que Spósito tenha mandado diminuir o corre-corre com os pacientes. ?O que acontece é que tínhamos cinco viaturas estragadas, que tavam esperando licitação pra ir pro conserto?, afirma. As carangas foram pra oficina ontem.

José diz que os atrasos relatados por Rose e Elizabete rolam porque o número de pedidos é muito grande pros 22 carros que ficam à disposição da secretaria. ?Só na terça-feira foram 44 saídas, das 4h30 até a noite?, afirma. O secretário passou a tarde de ontem em reunião, com o celular desligado, e não foi encontrado pra comentar as acusações da família de Hélio.

  •  

Deixe uma Resposta