• Postado por Tiago

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Ministro Gilmar Mendes foi o relator do processo que acabou com a obrigatoriedade do diploma

A lambada que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) mandaram pra cima dos jornalistas, quando jogaram o diploma universitário do pessoal no lixo, vai refletir no bolso. A diretora do sindicato dos jornalistas catarinas, Elaine Tavares, diz que se perdeu uma ferramenta importante na busca por melhores condições de trampo e um salarinho mais generoso. ?Os patrões podem contratar quem quiserem a partir de agora. Todo o instrumento que tínhamos pra refrear a voracidade do capital, desmoronou?, comenta.

Como ninguém mais precisa ter diploma pra exercer a profissão, o registro dos jornalistas no ministério do trabalho também foi pro beleléu. Com isso, os 40 anos de lutas sindicais pra organizar a jornalistaiada foram pro saco. Pra Elaine, esse era justamente o objetivo da ação que resultou no fim da exigência de curso superior, proposta pelo super poderoso sindicato das empresas de rádio e televisão. ?Foi um avanço no Brasil a regulamentação da profissão. É óbvio que o interesse era desregulamentar?, afirma.

A novidade caiu como uma bomba pra cima de quem se prepara há anos pra botar a mão no canudo. Rafael Wielewski, 22 anos, aluno do último período do curso de jornalismo da Univali, ficou com a pulga atrás da orelha. ?O que me preocupa é que qualquer um, assim que tiver uma carteira de trabalho, pode trabalhar como jornalista. Não acredito que as empresas que estiverem preocupadas com qualidade vão deixar de contratar jornalistas formados, mas em muitos lugares o campo de trabalho vai se fechar?, diz.

Até mesmo o pessoal da velha guarda ficou dicara com a decisão do STF. Da turma dos sem-diplomas, o assessor de imprensa do porto peixeiro, Hélio Floriano dos Santos, o Magru, não concorda com os ministros. ?Trabalho há 35 anos no mercado de comunicação em Itajaí, e apesar de não ter diploma, preferia que tivesse sido mantida a obrigatoriedade?, lascou.

Ele acha que a formação nas universidades deixou os jornalistas mais espertos e preocupados com a ética profissional. ?Começou a ser feito um jornalismo mais sério, mais ético, e por profissionais mais esclarecidos?, acredita. Magru diz que as empresas tendem a continuar procurando profissionais qualificados. ?Acredito que os cursos de jornalismo vão continuar a ser procurados?, palpita.

Essa é justamente a preocupação da mandachuva do DIARINHO, Samara Toth Vieira, que conhece os dois lados da moeda. Além de empresária da comunicação, também sentou nos bancos da faculdade e de uma pós-graduacao em jornalismo. A diretora do DIARINHO é dona de um diploma que não vale mais nada. ?Como vai ficar a qualidade dos profissionais, se os cursos de jornalismo deixarem de existir em alguns anos??, questiona. Ela afirma que técnicas de reportagem até podem ser aprendidas na redação, mas a formação cultural e ética nem sempre.

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